Eu
me casei em 1984. Por amor. Desde então,
venho aprendendo a amar. E passei todo esse tempo também ensinando meu
marido a
me amar. Cara! Como é difícil. As duas coisas são difíceis. E olha que
nós dois
já tínhamos 'estagiado' antes. Bom, ele bem mais do que eu porque eu
tinha 20 e
ele 33 anos. É difícil, as duas coisas são difíceis e ponto. Saber amar e
saber
se deixar amar. Mas são possíveis. Tá aí a beleza do negócio. E, se a
gente
souber ou conseguir fazer direitinho, mesmo que o casamento acabe (o meu
"acabou" 4 vezes, explico as aspas em outra ocasião), a amizade
permanece. E isso é mais lindo ainda.
Eu
me formei em 1986. Em Psicologia. Desde
então, venho me esforçando por aprender como gente funciona e como é que
'conserta' quando 'quebra'. E como é difícil. É quase tão difícil quanto
aprender a arte de amar e ser amado. Mas é possível. E é lindo o
processo e o
resultado, ainda que parcial porque, afinal, 'a história nunca termina'.
Eu
comecei minha carreira em 1984. Como
estagiária de RH na Brasilit. Desde então venho aprendendo a 'ser' uma
profissional da área de consultoria em gestão. Gestão de uma porção de
coisas.
Talentos, pessoas, comportamento, consequências, tempo, estratégica,
conhecimento, embora essa última eu concorde plenamente com a Clara
Pelaez sobre
não ser possível esse negócio de gerenciar conhecimento. Nesse caso, o
buraco é
mais embaixo, mas isso é uma longa história. O fato é que é um mega
desafio.
Vocês
sabiam que gente nunca tá pronta?
Sabiam que evoluir é um processo e não um evento? Desconfio que
pouquíssima
gente sabe disso porque, se soubesse, nunca nos pediriam pra fazer essas
coisas
de mudanças em 16 horas; em 8 horas; já pediram TODAS elas, as gestões
TODAS,
em 4 horas. Dá prá acreditar numa coisa dessas?
Eu
não sei quem tá mais doido. Se é quem
pede, acreditando que pode mesmo receber pelo que pagou ou se é quem
vende,
acreditando que entrega mesmo o que vendeu.
-
Eu gostaria de receber uma proposta
técnica e comercial para um treinamento de gestão de conflitos,
liderança,
formação de times e gestão do tempo para o dia 15 do mês que vem. São 56
participantes.
É
bem assim que a doideira começa. Assim.
Com essa simplicidade que eu tô te contando. Alguém - pra te dizer bem a
verdade mesmo, uma quantidade insana de 'alguéns' - me liga ou manda um
e-mail e diz isso assim, sem anestesia nem nada. Ah! Se eu não sou do
tipo que
se benze.
Por
favor, um pouco de piedade. Gente leva
meses pra aprender a andar, anos pra aprender a falar, ler, escrever... e
não
horas. E olha que nem tem muita emoção envolvida nisso, heim! Garanto
que
mecanismos de defesa têm pouquíssimos ou mesmo nenhum. Ainda não,
nessa
fase da vida. Calcule nos processos comportamentais que querem, e,
claro, com
toda razão, que a gente ajude o povo a mudar! Mas em dezesseis horas?
56, 60,
100 seres humanos de uma vez só? Com maturidades psicológicas,
profissionais e
emocionais diferentes? Faz-me rir... de medo.
Sou
obrigada a recusar esses trabalhos. Não
seria ético aceitar o pagamento por coisas humanamente impossíveis de
serem
realizadas, seria? Eu nem to trazendo pra conversa a questão: Alguém
muda
alguém?. Não, não. To só falando de ajudar alguém a perceber que mudar
poderia
ser bom em certos casos, a querer mudar e a tomar consciência dos
primeiros
passinhos nessa direção, pra começar a história.
Então,
no lugar de treinamento, envio uma
proposta de programa de desenvolvimento modulado ou de sensibilização ou
até de
tomada de consciência. Isso dá pra fazer. E bem, inclusive. Tomada de
consciência, por exemplo, ainda mais com os atalhos da
neuroaprendizagem, dá
pra fazer até numa simples frase. Quem nunca leu ou ouviu uma frase de
efeito
que mudou o curso de sua vida? Que causou um impacto tão grande que se
lembra
dela 10 anos depois como se tivesse acabado de escutar? Esse é o lance
da
consciência. Sua medida não é a quantidade, é a intensidade.
Carlos
Drummond diz num pensamento, que é
uma das minhas citações favoritas, uma dessas que tá na minha memória
há, por
baixo, uns 20 anos: Ele diz: "Eterno é tudo aquilo que dura uma
fração
de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica e nenhuma
força
jamais o resgata." Isso é tomada de consciência. Isso é
desenvolvimento. Como diz sempre meu tio Vanderlei (o tio Din Don),
treinar é
fazer melhor. E fazer melhor implica mesmo em 100 mil horas de 'fazeção',
mas
desenvolver é ser melhor. E, pra ser melhor, basta uma fração de
segundo,
mas com tamanha intensidade, que se petrifique. Isso palestras são
capazes de
fazer, e com 2000 pessoas diferentes ao mesmo tempo. Por isso elas
custam tão
caro, sacou?
Posso
atualizar você. Pode-se atualizar
pessoas em assuntos específicos em 1 minutinho. É só dar uma informação
inédita. Ó que fácil.
Posso
sensibilizar. É claro que aqui entra a
capacidade do consultor em envolver de tal forma os participantes que a
experiência seja suficientemente intensa pra que a sensibilização
aconteça, mas
dá pra fazer.
Posso
até conscientizar. Mas cuidado!
Todo fumante tá consciente de que o cigarro o prejudica enormemente; daí
a
largar o danado, é outra história, certo?
Tomada
de consciência é um passo na direção
de onde se quer chegar. Não é ainda a chegada.
Se
esse fosse meu único 'tira-sono', tava até
bem bom, mas não é.
Imagina
a cena:
Médico: Pois não? Em que posso ajudá-lo?
Paciente: Sabe o que é doutor? Eu to com uma
diverticulite e preciso de uma antibioticoterapia oral, preciso tomar
metronidazol 500 mg de 8/8 horas e ciprofloxacina 500 mg de 12/12 horas
por 7 a
10 dias.
Médico (horrorizado): Mas como é que você sabe tudo isso?
Paciente: Eu achei a informação na internet.
Médico (entre irônico e curioso): Se você sabe os sintomas,
a doença, o remédio e até a posologia, "doutor" (com ênfase e
neon), pra que precisa de mim?
Paciente: Ah! Isso? Só me vê aí uma receitinha, faz favor. É
que eu preciso do CRM pra comprar.
Cê tá pensando que eu to de sacanagem, não
tá? Pode falar. Eu sei que tá. Mas eu não tô. Já recebi
telefonemas de
clientes me dizendo o que fazer, como fazer e tudo minutado em planilha.
Pode
acreditar. Claro que eu respondi que se a pessoa sabia tudo, o mais
ético seria
ela mesma conduzir ao invés de tirar o dinheiro da empresa que ela
representava, concorda comigo?
O
pior é que dor pode ser reflexa. O cara da
diverticulite, pode nem estar com essa doença realmente. Pode ser outra
coisa
mais sutil. Vai que essa coisa não tá na internet. Olha o estrago que
isso faz.
O
povo acredita em tudo que tá na internet,
essa terra de ninguém. Eu heim. Coididoido sô.
Mas,
reflexo disso, boa parte do povo com
que eu trabalho, me liga ou escreve ou conduz a reunião de briefing desse
jeito
maluco aí. Me diz o que eles tem - até aí tudo bem se foi mesmo feito
um
diagnóstico do problema por um especialista - de que atividades
precisam:
"Queremos que você aplique o jogo "X". Quanto custa?" E me
dizem em quanto tempo eu tenho que conseguir os resultados, que,
combinemos,
naquela carguinha horária "chulé", nem eu nem o Papa. Algumas
técnicas até surpreendem pela rapidez e consistência de resultados, mas,
até
onde eu sei, com aplicações individuais. Pelo menos isso.
Eu
nem mesmo vendo jogos, que dirá o jogo
"X" específico. Eu vendo soluções. E, se no meio do campeonato, com
bola rolando no campo e tudo, eu precisar fazer uma mudança de
programa porque o grupo precisa, farei. Isso é respeito pelo processo e
pelas
pessoas. Isso é ser consultivo.
Se
eu me prestar a ser apenas operacional, seguir
roteiros, é bom que quem diagnosticou o problema tenha mesmo acertado na
"doença" porque, se eu me dispuser a 'ser' só uma "aplicadores
de jogos", por melhor que eu seja nisso, caso a dor de cabeça esteja
sendo
causada, por exemplo, pelo estômago e não por aquele fígado
diagnosticado,
alguém vai voltar pra casa depois das benditas 16 horinhas, com uma
baita
gastrite.
Sinto
muito mesmo comunicar que, por tudo
que se sabe sobre gente até o presente momento, as coisas não acontecem
assim
"automagicamente".
Pronto.
Falei. Num fica bravo(a) comigo, tá?
Beijos
sabor desabafo profissional de quem
ama o que faz e "as gentes" que "ajuda"
Inês
Cozzo Olivares
P.S. besta, besta: Vai sem foto hoje. Eu não
tinha nenhuma apropriada pra ocasião e tava muito feinha pra tirar na
hora.
Fico devendo…
Eu li num dos muitos blogs que eu acompanho, uma frase de que
gostei muito: 'O silêncio oportuno é mais eloquente do que o discurso'.
Pensei comigo mesma: Uau! Que frase impactante; que pensamento interessante. E
útil. Prá lá de útil.
Pensei em todas as vezes que escolhi me
calar e no quanto isso foi melhor para todas as partes envolvidas na questão.
São essas vezes em que a gente percebe que, com ou sem razão, continuar
confrontando não levará à nada senão desafetos e mágoas.
Algumas das vezes em que usei o silêncio
como ferramenta, senti que foi confortável pra mim. Bom, talvez, não
confortável; tava mais pra aliviador ou protetor. Com certeza eu
me senti protegida no meu silêncio. Ah! Tá bem, eu confesso. Eu tava era
com um medo lascado de falar. Foram sempre vezes em que fui pega 'com as calças
na mão', pregando moral de cuecas, como diz meu amigo Guilhermo
Santiago.
Mas, o fato é que, felizmente, na maioria
das vezes, tenho consciência de que foi mesmo esse silêncio oportuno de que
falava a frase. Era o melhor que havia a fazer naquelas circunstâncias.
Isto posto, resta uma dúvida inconveniente.
Considerando-se que eloquente
significa expressivo; convincente; persuasivo, o que me preocupa
é se eu sei quando meu silêncio é realmente oportuno, quando é meramente
conveniente porque estou sem argumentos ou, pior, quando ele é pura e simplesmente
covarde porque prefiro esconder alguma coisa de mim, em mim ou sobre mim, da
qual me envergonho. O mesmo vale para o conflito. Me calo diante de um
conflito por oportunidade ou por oportunismo?
Nosso idioma tem prefixos e sufixos. O
sufixo 'dade', por exemplo indica a condição daquilo que está no prefixo.
Então, indivíduo é aquele que não se divide, que é indivisível, uno, logo,
individualidade é a condição de ser indivisível que temos. Já o sufixo 'ísmo'
significa excesso ou exagero de. Logo também, o mesmo prefixo indivíduo seguido
do sufixo ísmo, se refere à condição da pessoa que exagera e acaba
egoísta (outro ísmo), pensando apenas em si mesma ou achando que o mundo
existe exclusivamente para ela e seu prazer ou necessidades.
Oportunidade é a condição do que é
favorável; oportunismo é o que é mais conveniente... pra mim, sem ganho
para as demais partes envolvidas na condição favorável. Olha que chato. Eu não
quero usar o silêncio oportunista, então, mesmo correndo o risco do
desconforto, às vezes, eu confronto alguém. E aí começam todos os meus
problemas. O mundo não quer funcionar assim. Droga.
Por quê será que a grande maioria das
pessoas tem tanto medo do conflito e do confronto? Quero dizer, deve ser medo
porque eu conheço algumas que fogem deles como se fossem doença ruim. O mais
louco é que eu, que não faço isso (fugir deles), fico com
essa vaga sensação de que todos me olham meio de ladinho quando eu
chamo para a conversa, uma questão que tenho consciência de ser conflitiva ou
confrontiva, porém extremamente necessária, seja do ponto de vista ético, moral
ou até mesmo prático.
É dureza nadar contra a corrente. Mas, se eu
não fizer isso, como durmo à noite? Vocês não têm noção do que é essa minha
cabeça quando tudo fica escuro e silencioso, nenhum estimulozinho pra me
distrair. O negócio vira inquietação e fica cutucando. Vira o que minha
irmã chama de post it na mente. Fica lá, o maledeto do post
it. Incomodando. Juro que eu tento ficar quieta, juro. Eu até penso:
Não seria maravilhoso, Inês, se no seu cérebro houvesse algum dispositivo capaz
de controlar sua própria boca e fazê-la ficar fechadinha?
Mas desconfio eu nasci sem ele. O dó. Aí, eu
confronto e todo mundo ou começa a pular que nem milho de pipoca no óleo fervendo
ou tentando me fazer ficar quieta. Meu primo Igor diz que nessas horas eu
pareço criança. Quem mandou eu ler O Pequeno príncipe quando era pequena? Foi com ele que eu aprendi
a jamais desistir de uma pergunta até conseguir alguma resposta.
Por exemplo, recentemente eu confrontei uma
pessoa sobre uma questão que tava me incomodando há vários meses.
Pedi a opinião de várias outras e confrontei a única que poderia me responder a
dúvida porque ela é que tinha sugerido um critério do qual eu discordava. Bem,
de duas uma, ou tinha entendido mal o critério ou discordava mesmo.
Pra me certificar de que seria
justa na minha discordância, eu perguntei em que estava baseado o critério que
ela usou pra determinar uma nova regra pro nosso pequeno e seleto grupo. Vocês
vejam, to exercitando um direito, aliás, inalienável de todo ser humano
esse de discordar, certo? Quem foi mesmo que disse "Vou morrer defendendo
seu direito de discordar de mim? Adoro essa afirmação. Adoro.
Nesse caso do meu exemplo, eu recebi até declaração de amor (gostei pra chuchu), mas
nenhuma resposta à minha pergunta. Nenhumazinhainha que "sesse".
Nadica
de nada. Alguns botaram "panos quentes", outros se calaram,
mas ninguém me respondeu. E eu só queria saber porque tinha que ser
daquela
forma. Só isso? Porque determinada condição era anti-ética do ponto de
vista da
pessoa que estabeleceu a condição. E, se era mesmo anti-ética, porque
ele havia se comportado contra seu próprio critério. Só isso. Num tá
simples a pergunta? Eu acho que tá. Só eu achei isso...
Ih! Pra quê que eu fui fazer isso. Virou um
mal-estar geral danado. Foi pipoca pulando, foi declaração de amor, foi música
do Almir Sater (o povo tem bom gosto nesse grupo seleto). Felizmente, meu primo
Igor tirou o post it da minha mente. Sabiam que alguns anjos
conseguem esconder suas asas n'algum lugarzinho secreto e ficam vivendo entre
nós que nem que nós? É-é. Aposto que meu primo Igor é um desses. E ele
pensa que eu num sei. Bobinho... Tsc, tsc, tsc. (tradução pro povo que nunca
leu um gibizinho na vida: onomatopéia, isso é, som, pra estalo de língua que
acompanha movimento de negação com a cabeça).
N'outra
ocasião, eu confrontei um amigo de
mil anos, muito amado, e sua jovem esposa, linda, inteligente, cheia de
energia e cabeçuda como o quê, numa série de atitudes que eles
estavam tendo e que os estava afastando de tudo e de todos que eles
amavam e
que os amava, inclusive eu mesma. Pra quê? Me cortaram de todas as
redes
sociais, MSN e que tais da vida. Sumiram. Chuinf... Snif, snif... (hoje
eu to
cheia de onomatopéias).
Querem saber? Eu fico com Martin Luther
King. Vou continuar incomodando um bucadinho porque "O que
me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio
dos bons". Esse silêncio, não é nem nunca será eloquente. Esse tipo
de silêncio, eu dispenso, obrigada.
A música Meu silêncio do Eduardo Bologna que tá no CD da minha amiga Estela Cassilatti (sou fã dela, povo, muito fã mesmo!), que inspirou parte desse texto, diz algo que eu não quero pra mim: "Meu silêncio tomando conta da sala, enquanto o tempo, envelhecendo a minha cara". Não quero o pior de mim ocupando todo um espaço, enquanto o tempo passa e eu me calo diante das coisas das quais discordo.
A mesma música diz, mais adiante na letra: "As minhas flores estão dentro da geladeira, enquanto o amor, esparramado pelo chão."
Bem, se o que eu tenho de melhor e mais bonito está parado,
estático, congelado pelo meu silêncio, enquanto o meu amor está desperdiçado e se perdendo, esse
é um silêncio sofrido e não me ajuda a crescer. Nem a mim, nem a quem eu
amo.
Se
é verdade mesmo que existem
vários tipos de amor, te ama mais a pessoa que te avisa, que te alerta,
para os
possíveis perigos futuros dos caminhos que você está trilhando, do que
a pessoa
que escolhe o silêncio conveniente. E, desde que eu diga que essa é só
minha opinião e não uma verdade absoluta, porque nessas eu nem
acredito, a legitimidade do aviso está garantida, certo?
Eu só aviso e confronto quem eu amo. Aviso
porque vale o risco de "perder" esse alguém se ele ou ela não
suportar ser confrontado em suas crenças e valores. Como aconteceu com esse
casal amigo que citei.
Se eu "perco" esse alguém, sofro,
claro. É sempre sofrido "perder" alguém que a gente ama (seja lá que
tipo de amor for), mas é muito mais sofrido ver quem a gente ama se afundar em
decisões e atitudes perigosas para sua felicidade e a daqueles que ele ou ela
também ama. Então, escolho avisar. E, algumas vezes, acabo confrontando.
Se eu "perco" essa
pessoa - hummm... melhor seria dizer: se eu perco o amor dessa pessoa - perco muito, mas
ela perde mais do que eu. Eu perco porque amo; ela perde porque sou eu quem a
ama mais, muito mais, do que outros e outras que estão vendo ela se afundar
devagarinho na vida e preferem se calar.
Essa idéia não é nova, nem é minha. É do
teólogo, poeta e sacerdote nicaraguense Ernesto
Cardenal Martinez.
Ao perder a ti, tu e eu perdemos.
Eu perdi, porque tu eras quem eu mais
amava
e tu, porque era eu a pessoa que te amava
mais.
Contudo, de nós dois, tu perdeste um pouco
mais.
Porque eu poderei amar a outra pessoa como amei a
ti.
Mas a ti, nunca te amarão como eu te amei.
Beijos sabor pipoca na panela
(barulhenta e inquieta mas,
saborosíssima pra quem sabe apreciar)
Inês Cozzo Olivares
SP, 21/01/2010 6h14
Não, eu ainda não corrigi direito meu ciclo
circadiano de sono. Éca!
São quase 2 e eu vou me ferra-ar
Que perigo. O mundo virtual
é mil vezes melhor que o real. O virtual nunca te decepciona. Em algum lugar da
internet tem uma resposta pra sua pergunta, um conselho pro seu problema, uma
história interessante, um filminho da hora, um amigo pra conversar de
boa e por aí vai. É por isso que a grande maioria das pessoas passa
mais tempo nele, no mundo virtual, que no real. Vai daí que eu, por exemplo,
ando doente. Aliás, eu e toda a torcida do Corínthians, Fluminense, São Paulo,
Palmeiras, Flamengo, Santos, Portuguesa... Esqueci algum grandão?
O nome da nossa doença é
INSÔNIA DIGITAL. Veja se você se identifica comigo.
Quando você fica muito
tempo usando o computador, a sensação é de que sua mente não “desliga”, não
pára, e você se sente ligado no 220? A disposição do seu corpo parece ser
grande, por causa dos pensamentos que ficam passeando na sua cabeça um atrás do
outro? Os olhos praticamente imploram pra serem fechados, mas você resiste
bravamente ou, se cede ao pedido deles e se deita, fica rolando de um lado pro
outro, ainda pensando, pensando? Nem os óbvios sinais de cansaço; ardor,
vermelhidão, embaçamento ocular, são capazes de desligar sua mente?
Enquanto tudo isso
acontece, o relógio vai marcando uma hora após a outra, certo? E a noite
quase vira dia, certo? Quando não vira mesmo, certo? Sem 'quase' nenhum,
certo?
É. Tá confirmado. Eu e você
somos do mesmo planeta. Ui.
Não, esperto(a), ui não é o
nome do nosso planeta. É a expressão do estrago que a gente tá fazendo com esse
corpitcho.
Vou contar porque. É porque
a luz do monitor interfere na produção de melatonina,
hormônio secretado pela Glândula Pineal. Você não faz idéia de como
essa bichinha é importante na sua vida, faz? Mas é muuuita
mesmo! Só pra te dar uma idéia, não há mais dúvidas entre os neurocientistas sobre quão importante
é o papel que ela exerce na regulação dos chamados ciclos circadianos, que são
os ciclos vitais (principalmente o sono) e no controle das atividades sexuais e
de reprodução. É meu amigo, minha
amiga, a não ser que você não se importe mais por não conseguir brincar de
médico, acho bom fazer como eu, tomar chá de melissa, maracujá, mulungo e valeriana (como isso fede!) e ir dormir, porque, bem, a melatonina é o hormônio
responsável pelo sono, que irriga o cérebro. O desequilíbrio desse suquinho,
provoca outro baita desequilíbrio: o da regulação hormonal no
período noturno.
O prejuízo é imenso, porque
durante o dia, eu e tu, tu e eu, ficamos sonolentos, de humor instável, tipo
xingando até formiga, e nossa produção intelectual (lembra do Tico e do Teco?),
com o tempo, acaba bem afetada.
Um sono de qualidade é uma
espécie de “lubrificante” cerebral no que se refere às funções psíquicas. Tudo
isso super afeta e interfere no nosso comportamento. Olha aí você de TPM.
E nem importa se você é homem ou mulher. TPM é só hormônio doidão. É como diz a
música 'Eduardo e Mônica' do Legião Urbana: "São quase 2 e eu vou me
ferra-ar...". Senhoras e senhores, heis aqui o melô da insônia digital.
Quem descobriu o babado todo
foi a psicóloga Gema Duarte, que pesquisou o assunto em sua tese de
mestrado na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Ela trabalhou com 160
jovens entre 15 a 18 anos, que usavam o computador principalmente entre as 17h
e as 3h, durante a semana, e entre as 18h e as 6h, nos fins de
semana. Nesse estudo, constatou-se que esses adolescentes são os mais
prejudicados por estarem em fase de desenvolvimento, onde o período noturno do
sono é responsável pela maior produção de hormônios do crescimento. E eu
nem fiquei feliz em pensar que ainda me comporto que nem adolescente. Bah!
Mas, nem tudo está perdido.
A tia Inês está aqui pra te ajudar (e à ela mesma assim que ela seguir
os próprios conselhos, a tontinha).
Se você, como eu, precisa
usar muito o computador em períodos noturnos, faz o seguinte:
1º Deixa as luzes do
ambiente acesas. Assim o plano focal de seus olhos não se concentrará apenas no
monitor e, consequentemente, a radiação dele será menor sobre você
2º Se for notebook
deixe a tela inclinada;
3º Pare de usar o
computador pelo menos duas (02) horas antes de ir dormir; sei lá,
vai ler gibi. Isso ainda existe?
4º Dê intervalos regulares
de pelo menos dez minutos. Nestes intervalos, fica longe do computador,
alongue-se, tome um suco de maracujá… vê se descansa!
5º Tome um banho antes de
deitar, a água vai te ajudar a diminuir a energia estática da sua pele e a
aliviar a temperatura do seu corpo.
6º Quando deitar, crie o
ambiente mais escuro possível.
É bom lembrar que o período
de sono recomendado é de, no mínimo, seis horas, viu, 'seu' Victor
Mirshawka Junior? Pelo menos, eu durmo 5 horas. Tá mais fácil readaptar pras 6h que você com suas 3 ou 4 horinhas,
hehe... A propósito, o senhor andou me chamando ontem alí
pelas 2h30, 3h da manhã? É que eu já tava quase apagando e
PIMBA!... Deixa prá lá.
O caso é que ainda se acredita que o ideal seja de
oito a dez horas diárias de sono. Acredito que isso um dia vai mudar. Até lá,
ai, ai, vou ver o que consigo fazer comigo...
Beijos sabor carneirinhos
contados... e assados! Que, de madrugada dá uma fome lascada!
Inês Cozzo Olivares
SP, 18/01/2010 2h25AM
Tô acordada mesmo, fazer o
quê?
Meia-noite
Eu não queria uma
mensagem de início de ano do tipo
'votos disto, votos daquilo'. Aliás, eu ainda continuo não querendo. Não é por
nada não. Votos são coisas bem legais. Quando não se banalizam as palavras, que
acabam entrando por um ouvido e escapulindo pelo outro. E é muito difícil não
banalizar palavras que são usadas todo santo ano. Ah! Se é.
E eu disse que um dia
ainda escreveria sobre a Meia-noite, esse horário emblemático, misterioso,
romântico e carregado de uma magia que o torna diferente de todas as outras
horas. É como se ele nem fosse mais "hora". É como se os contos de
fadas e outras mil estórias já o tivessem promovido à condição de 'Ser', de
entidade absoluta e auto-suficiente. Sim senhor, a Meia-noite é uma hora que pode
dizer com o peito estufado: "Eu 'se fiz' por 'si mesma'.
Então, percebi que era
possível falar deste início de ano, olhando só pra esse momento mágico que
determina seu início: A Meia-noite.
Imagina que acabamos de
passar pela Meia-noite mais famosa do mundo: O momento que, em português,
chamamos de Reveillon. Ops... Desculpem a ironia. Escapou.
Esta é a meia-noite que marca um tempo que ficou na
história da nossa vida e, ao mesmo tempo, a promessa de que tudo será melhor.
Nem importa se o que passou foi bom, o que virá sempre se espera que seja ainda
melhor.
Você já parou pra
pensar em tudo que representa, simbolicamente, a expressão
"Meia-noite"? O final de um período; o início de um novo dia com
todas as suas promessas e possibilidades. Tá, tá. Mas tem muito mais do que isso no
nosso imaginário.
Como eu disse na
minha mensagem de ano novo, a vida faz
aniversário e todos nós estamos convidados para a festa. É bom demais. As
forças se renovam porque a fé em algo melhor se renova. Não conta pra ninguém,
mas eu desconfio que é essa fé, e não o novo ano, que nos leva ao infinito e
além, como diria Buzz Lightyear do delicioso desenho animado Toy
Story da Disney.
Mas, pensemos agora no
lugar onde ela - a Meia-noite - é mais importante e transformadora: Na história
da Cinderela.
Você não acha que só
mulheres são Cinderelas, acha? Tolinho. Não mesmo.
Quem nunca se sentiu
completamente perdido porque alguém que o fazia se sentir seguro e protegido se foi
inesperadamente?
Quem nunca achou que o
mundo inteiro estava contra ele e fazia de tudo pra impedí-lo de alcançar seus
sonhos?
Quem nunca viveu num
ambiente hostil e cheio de adversidades, com muito menos do que o que
acreditava merecer?
Quem nunca se encolheu
num cantinho e desejou desaparecer porque o mundo parecia um lugar horrível e
inexplicável, impossível de ser decifrado?
Quem nunca se sentiu a
última criatura do mundo, sem amigos ou aliados?
Todo mundo, de quando
em quando, tem seu momento Gata Borralheira. Sabiam que a depressão já é considerada
pela Organização Mundial da Saúde como o mal do nosso século com tendências a
piorar? Bem Gata(o) Borralheira(o), você não está tão só, afinal...
Mas a Gata Borralheira
não vive assim pra sempre. Ufa! Que alívio! Uma hora ela vira Cinderela!
Existem
aliados afinal.
Inclusive, essa é minha parte favorita da estória. Essa aí, em que os
aliados
são os diferentes, os párias, os fracos, os marginalizados, os
excluídos, os
pequenos, os humildes, os 'ratos'. Aqueles dos quais a maioria fala mal
tanto e
por tanto tempo, que esquece que têm tanto direito de estarem neste
Planeta quanto
nós. Tomara que se continuem escrevendo estórias onde o diferente se
torna
herói, contra todas as probabilidades. Tomara. Quem sabe assim, nossas
crianças aprendam a respeitar o 'diferente' - se é que há dois iguais
de qualquer espécie, ao invés de considerá-los monstros a serem
vencidos, excluídos, eliminados.
E tem o aliado
especial, aquele que tem poder pra mudar o curso da estória. Neste caso, a superhiperesplendivilhosa
fada madrinha. Ela providencia para que, até a hora mágica, a meia-noite, o
melhor de você esteja visível para todo mundo, em especial aos olhos daquele ou
daquela que está melhor preparado e preparada para enxergar seu brilho. Não
desde o amanhecer, mas quando o dia vira noite e vai chegando cada vez mais
pertinho da hora mágica.
Tudo que a gente tem de
melhor, ainda não está 100% visível até a meia-noite. Estamos no meio da
multidão. Em destaque, é verdade, mas na multidão do baile, no salão do
castelo. Ai sim, aí a dança chega ao terraço onde, é claro, a Lua e as estrelas
aumentarão nosso brilho aos olhos daquele e daquela que já estava preparado
para vê-lo. De fato, estava só aguardando esse momento porque sempre soube
que ele aconteceria. O nosso melhor não acontece na entrada triunfal, nem
na performance do baile. Isso tudo é acessório. É no bate-papo
no terraço. Aí é que a coisa se consolida. A intimidade com o tão desejado pode
acontecer. Só você e seu sonho. Mais nada.
Se você fizer tudo
certinho até esse momento, quando a 12ª badalada soar e você tiver que voltar
ao dia claro, que insiste em mostrar suas manchinhas na pele, ruguinhas ao
redor dos olhos e outros que tais, algo lindo de você terá ficado. Algo que
fará ruguinhas e manchinhas parecerem não existir. Não, não é o sapatinho de
cristal. Ele é só o símbolo de que houve, antes, uma fusão de almas entre você
e o seu sonho. Então, seu sonho virá atrás de você.
Você vê? Tudo
desaparece. A carruagem, os belos cavalos, o vestido magnífico, mas não o
símbolo que representa quem você realmente é: A pessoa que articulou a conversa
no terraço. A alma por trás das palavras e dos atos. É aí que mora sua beleza.
Já disse Adélia Prado: "Erótica, é a alma".
Como eu disse, tem
mais, muito mais nessa meia-noite que a torna especial. Ela não abrirá apenas um novo
ano, mas uma nova década. Imagina. Uma década inteirinha pela frente. Aí eu me
lembro de uma passagem onde Don Juan diz à Castanheda, e eu
digo à você agora que vamos começar essa nova década: "Nesse exato momento, você está cercado pela
eternidade. O que você vai fazer com isso?"
Às vezes, a gente tem o
sonho nas mãos, tem a eternidade nas mãos, e deixa escapar. Aí vive amargurado
e se sentindo incompleto. Mas um dia o sonho volta. Sonhos nunca abandonam a
gente até que a gente ou faça as pazes com eles e os deixe ir ou os integre à
nossa vida presente. É disso que fala a música Meia-noite da minha amiga Estela
Cassilatti. Uma música que ela compôs porque eu pedi. Por isso fiz questão de cantar junto. E eu pedi, porque queria
dar de presente, numa meia-noite especial, à um sonho que eu sonhei há muitos, muitos anos...
Cuida bem da sua
eternidade. Ela é a única que você tem.
Flauta, violão e violão tocado como se fosse violoncelo: Guilhermo Santiago
Vozes: Estela Cassilatti e Inês Cozzo
Olivares
Na parede do meu
quarto
O relógio marca
meia noite
Há muitos anos...
No espaço entre
meus móveis,
Afobado, meu
fantasma te procura
Há muitos anos...
Eu me lembro de
uma Lua na janela
Ou fui eu que
inventei
Em páginas
amareladas de espera
Nas paredes do
meu peito,
Congelado, o
coração me acorda
Depois de anos...
Dou corda no relógio
velho
E ele me traz a
primavera
Depois de anos...
Eu me lembro de
um vestido que te espera
Ou fui eu que
inventei
Em páginas
amareladas de tão velhas
Nas paredes do
meu peito,
Congelado, o
coração me acorda
Dou corda no
relógio velho
E ele me traz a
primavera
Te convido pra
uma festa, pra uma Lua na janela
De vestido novo
que te espera
Depois de anos...
Beijos sabor
fruta novinha em folha.
Aquela que você
mais gostar...
Inês Cozzo
Olivares
SP, entre 01 e
10/01/10
Meu irmão Cláudio
Quem já leu tudo que
escrevi até hoje sabe que, em termos de primeira família, tenho um irmão chamado Carlos, 'o bonitão', aquele das baladas nas
Disco Dances dos anos 80, e uma irmã chamada Daniela, menina-mulher viva, linda
e inteligente, sabem do meu pai-amigo, que se foi recentemente, e da
minha mãe, de quem herdei o bom humor permanente e a
capacidade argumentativa (ô 'véinha' boa de negociação) e que é ágil feito um
corisco além de ser a grande diplomata e matriarca de uma família de nove irmãos, dentre eles o tio Din don, longa
e linda história (toda família tem inúmeras delas, por que só eu escrevo,
heim?), enfim, já falei dele muitas vezes nos meus escritos, é o meu tio
Vanderlei que muitos e muitas que me lêem conhecem da ABTD e sabem que foi o grande responsável
por eu haver me tornado palestrante, escritora e consultora organizacional e
atuar com treinamento e desenvolvimento.
Mas hoje eu quero
compartilhar com vocês um insight importantíssimo que tive sobre o
meu irmão Cláudio. A gente chama ele de Claudinho, porque esse era
também o nome do nosso pai e porque ele era o caçulinha antes da Dani
nascer, 20 anos depois de mim. Ou Clau, porque ele espichou muito pra combinar
com o 'inho', entendem?
Bem, meu irmão Cláudio é o que o povo chama de 'duro na
queda'. O bicho trabalha 25 horas por dia, 8 dias por semana, 5
semanas por mês e 13 meses por ano. Eu sempre me pergunto em que buraco negro do
tempo ele entrou pra fazer três filhos ma-ra-vi-lho-sos e manter uma esposa linda e sorridente! Eu nem
precisava de tanta redundância (apesar de que redundância já é tanta -
dãããã...) pra te dar a tal da idéia do tanto que ele trabalha, mas, no caso
dele, precisa. Porque ainda é um tiquinho mais que isso.
Vocês bem podem
imaginar que, sendo ele um gestor de uma grande empresa e um empreendedor, não
possa ver ninguém por perto não fazendo 200% do tanto que ele faz, sem ficar mordido com
isso, logo, já pode deduzir que ele é um dos melhores representantes do modelo
de gestor que eu sou chamada pra dar personal coaching. Ou para ajudar a
desenvolver a resiliência da
equipe, porque ele 'puxa' bem mais dela do que ela gostaria.
Vejam que ironia do
destino. Eu, uma consultora organizacional com o modelo exato que me empenho em
'curar', dentro do meu próprio clã. É uma ironia... ou não... Por causa do meu insight de
hoje.
Mentira, tá? Foi na
noite de Natal que o insight começou e se concluiu quando acordei
na manhã seguinte, papeando com meu marido e minha sobrinha na sala de casa e
falávamos dele. Cai, aqui, um pequeno mito sobre insights, eles não são
sempre um flash repentino, mas uma conclusão, uma clareza,
repentina de um conjunto de eventos seguidos, se e quando estamos realmente atentos
aos eventos. E eu tô sempre atenta aos meus.
Falávamos sobre ele
estar dizendo que tentava muito ler o que escrevo, mas que era longo demais e
ele precisava sempre dar uma paradinha e continuar depois. Já me disseram isso
várias vezes, meu tio Chico foi o primeiro. Mas, olha que coisa, Deus mora nos
detalhes.
De mais a mais, como
contar uma vida em cinco parágrafos sem deixar coisas importantíssimas de fora?
Como fazer você ter a sensação de que estamos papeando,de
verdade, sem dar voltas e voltas, exatamente como agora...? Ah!
Deixa prá lá.
O que importa é que eu
já tava pra perguntar quantos buracos negros do tempo ele conhecia e não
me dava o mapa da mina, quando percebi que o que realmente importava alí era o
fato de que ele lia! Ele lê o que escrevo, sabe Deus em que hora
das 23 em que trabalha! E eu me senti a pessoa mais importante do multiverso
(deste e dos paralelos que a física disse que existem).
Tem um cara, um desses
gestores terror-dos-sete-mares, workaholic, que acha tempo pra 'me' ler!
E é meu irmão! É lindo demais isso! Pelo menos, pra mim é.
Vou dar um quadro à
vocês, primeiro do gestor terror-dos-sete-mares, depois do meu irmão. É
preciso, porque o insight se deu por conta de eu conhecer
muitíssimo bem os dois.
Um dia, eu liguei pra
ele, sei lá mais porque, esqueci, e a moça disse:
- Ele não tá na
sala agora. Peraí que eu vou mandar chamar.
Tudo bem, ninguém em
casa que ligava pra ele esperava mesmo conseguir encontrá-lo com menos de 15
minutos de espera. Gente ocupada é fogo. Mas essa mocinha, esqueceu de colocar
o telefone na musiquinha (obrigada Senhor!) quando colocou o fone na mesa e eu
fiquei ouvindo os papos no escritório.
Lá pelas tantas, um
rapaz perguntou pra mocinha que me atendeu:
- E esse fone aí, fora
do gancho? É o quê?
E ela respondeu,
esquecida que não tava na musiquinha:
- Ah! É a irmã do
carrasco.
Ai. Doeu. Esse não era
o meu irmão. Será que ela confundiu os Cláudios?
Meu irmão era aquele
garotinho rechonchudo e maciozinho, risonho, de olhos negros que nem
jabuticabas enormes, cabelinho lisinho, lisinho e bem preto cortado que nem
tigelinha, um tantinho medroso, que vivia agarrado à minha mãe sempre que íamos
atravessar a rua, que detestava que se contassem histórias de fantasmas antes
de dormir, que brincava com gatinhos e cãezinhos abandonados na rua, que tinha,
na época, dois filhos lindos que o adoravam e eu tenho até uma foto linda dele
dando de mamar à primeira filha e que era o quadro mais lindo do mundo e uma
outra dele abraçado ao filhinho ainda bebê, ambos dormindo no sofá! Era esse o
Cláudio que eu tava procurando. Claro que ela confundiu os
Cláudios. Claro.
Eu poderia contar
histórias sobre como esse irmão sabia ser amigo e cúmplice que iam fazer essa
mocinha chorar de emoção e admiração por ele.
O Cláudio com quem eu
queria falar, era o cara que me ligava, não uma nem duas, mas muito mais vezes
do que eu seria capaz de me lembrar e, quando e perguntava:
- Fala aí Clau. Que
que cê quer?
Respondia:
- Nada, Nê. Tô aqui
parado num baita trânsito e só liguei pra dizer que eu te
amo.
Às vezes, ele tava no
escritório ou em casa mesmo. E só tinha me ligado pra dizer: "Eu te amo,
maninha". Só pra isso! Um cavalão de quase dois metros! Só pra
dizer que me ama.
Eu me perguntei naquela
hora: "E aí mocinha? Você liga pra alguém da sua família - não o cara de
quem você tá a fim, que isso é fácil de fazer - alguém da sua família, só pra
dizer que ama essa pessoa e tornar o dia dela melhor? Liga? Talvez até
ligue, sei lá. Mas que não pensa que mais alguém seja tão humano quanto ela,
não pensa. Não pensou naquela hora.
Esse foi meu insight,
O gestor que as equipes tanto temem; o terror da empresa; o cara em quem
se bota os piores apelidos e nomes; esse cara aí mesmo em quem
você possa estar pensando agora, ama alguém e é profundamente amado por alguém.
Mais de um alguém!
Ele é tão pressionado
por resultados quanto pressiona, talvez mais. Você não sabe e talvez nunca
venha a saber quão mais pressionado que você ele é. Eu sabia sobre o quanto meu
irmão era pressionado e o terror em que ele vivia, naquela época, com o próprio
superior dele que era um dos donos da empresa onde ele trabalhava.
Talvez a gente julgue e
pior, trate, esses gestores dessa forma desumana, porque não sabe metade do que
eles estão sofrendo pra manter seus empregos, pra sustentarem aos que tanto
amam e nos manterem em nossos empregos, sustentando quem nós amamos.
Nenhum gestor nasce
"carrasco". Eles se tornam assim por diversas razões. A maioria
delas, cultural. O Oswaldo (Montenegro) tem uma música que
eu admiro profundamente chamada "Petulante ou Todo mundo é lobo por dentro" que diz:
"Você me disse que o meu olho é duro como faca. Acho que é sim, viu. Como
é duro o tronco da mangueira onde você precisa encostar".
O Mundo espera dos
homens que eles sejam fortes, que sejam provedores, depois nós os acusamos de
serem "duros". Especialmente nós, mulheres, fazemos
isso. Não me parece muito justo. Mães não permitem que seus filhos
brinquem com bonecas, mais tarde não entendemos porque eles não têm paciência
com crianças ou têm dificuldade de cuidar delas apenas dando carinho e atenção.
Nós, mulheres, treinamos isso desde muito cedo. À eles isso é praticamente
proibido na infância, justamente quando estamos sendo treinados para os papéis
sociais que exerceremos no futuro. Ah! Sim. Brincar de boneca nada mais é
do que ensaiar a arte de cuidar, de dar colo, atenção, carinho. Depois,
eles são cobrados por não serem tão capazes de fazer isso quanto nós. Até onde
eu estudei, o nome disso é esquisofrenia. Preparar um ser humano pra
"ser" de um jeito e depois cobrar que ele "seja" de outro;
querer que ele "seja" duas pessoas diferentes. Doideira.
A história do meu irmão
é só uma entre milhares de histórias por trás das pressões.
Graças à Deus, essa é uma história que eu conheço por dentro e por isso posso
contar, como irmã e como consultora, mas e as que nem eu nem vocês
conhecem nem nunca chegarão a conhecer? Por isso não é uma ironia do destino. É
na verdade, perfeito. O universo me deu a oportunidade de conhecer os dois
lados da história e poder compartilhá-la com o mundo. Se equipes e gestores fossem mais unidos, os problemas e pressões pesariam menos para todos. Que pena ver que a maioria das pessoas prefere colocar apelidos e se afastar sistematicamente. Que pena.
Na noite de Natal, meu
sobrinho Breno de 6 anos, o caçula do Claudinho, prova viva de que o The
Flash existe e é um bocado inteligente, tava com minha irmã,
madrinha dele, à caminho da casa do meu tio Francisco, onde passamos todos
os nossos Natais, quando ela perguntou à ele:
- E aí Breno, tá
preparado pro Papai Noel? Você foi bonzinho esse ano? (Jamais. Se tivesse sido
bonzinho, ele seria um ET colocado no lugar do verdadeiro Breno, abduzido por
alienígenas, para ser estudado).
Ao que ele, muito
sério, respondeu:
- Então, madrinha, é
isso que tá me preocupando...
Fica tranquilo
Breninho, seu pai tá cuidando de tudo pra garantir seu Papai Noel a cada ano. O
seu e o de um monte de gente...
Beijos sabor certeza de
que nunca mais você vai olhar pro seu gestor do mesmo jeito. Não enquanto
houver Natal. Não se Deus existir.
Ladies and
Gentlemen, meu lindo irmão
Claudio e sua filha mais velha, Thaís, hoje participante do GEN e cursando Psicologia na UFRJ.
Inês Cozzo Olivares
SP, 25/12/2009 (mesmo
que você só esteja recebendo agora, porque eu precisava que meu irmão aprovasse
essa aqui... Mas é claro que você entende isso, né?)
Eu pensei: Será que alguém espera que eu
escreva alguma coisa porque é Natal? E pensei também: Será que eu quero
escrever só porque é Natal?
Hummm... Quero. Como é boa a vida quando é
simples, não?
Só que eu quero contar de um outro Natal. Um
que fez uma enorme diferença na minha vida. Foi em 2008, quando eu recebi de
uma amiga, a Nancy Juozapavicius - furacão de
competência e sabor em aulas particulares de Inglês baseadas em neuroaprendizagem
e um poço de cultura, um cartão de Natal diferente, que mexeu pacas
comigo. Era uma proposta pra pensar diferente a forma como medimos a nossa
vida, através de um link de vídeo no youtube e que, hoje em dia, utilizo
em algumas palestras. É a abertura do filme Rent:
Os boêmios. A música é Seasons of Love (Estações do Amor)
e já começa, contando pra gente quantos minutos tem um ano - 525.600 - e
fazendo um questionamento que eu nunca tinha me feito antes:
525,600 minutes,
525.600 minutos
525,000 moments so dear.
525.600 momentos tão
caros
525,600 minutes - how do you measure, measure a year?
525.600 minutos
- Como você mede um ano?
In daylights, in sunsets, in midnights, in cups of coffee.
In inches, in miles, in laughter, in strife. In 525,600 minutes
Em luz do dia, em pores
de sol, em meias-noites , em xícaras de café, em polegadas, em
milhas, em riso, em luta, em 525.600 minutos.
How do you measure a year in the life?
Como você mede um ano
na vida?
Eu me assustei muito quando percebi que
estava medindo em pequenices, que eu tava sendo medíocre. Percebi
que eu tinha me deixado levar pela maré tipo 'quantos trabalhos você realizou
este ano?' ou 'quantos clientes agregou ao seu portefólio?' ou, éca - muito
pior 'quantas aquisições você fez?' Não que essas coisas não tenham lá sua
importância, têm. Só não queria estar medindo minha vida por elas, entendem o
que digo?
Fosse lá como fosse, eu não tinha me
perguntado nenhuma vezinha de quantos amigos (inclua-se aqui família porque eu
já expliquei que a minha é amiga) eu estive presente nos aniversários,
casamentos, batizados de filhos, formaturas, visitas quando doentes ou noites
de sexta e sábado só pra jogar conversa fora; quantos beijos apaixonados e
esquecidos de tudo à minha volta eu tinha dado e outras perguntas
impublicáveis, porque sou tímida e isso aqui é um texto de família, sim senhor.
Mas que me perguntei, perguntei…
Justamente no meio dessa tomada de
consciência, um bocadinho desconfortável, a letra sugeria:
How about love? Measure
in love. Seasons of love.
Que tal em
amor? Meça em amor. Estações do amor.
Tirando o paradoxo de que, pra mim e
pra William Shakespeare, é um amor pobre aquele
que se pode medir, se eu pensar não em medir o tamanho do amor, mas em
avaliar minha vida pelo e através do Amor que dou e recebo, o
paradoxo desaparece.
Vocês já ouviram falar nas várias formas de
se manifestar que dizem que o Amor tem? Bom, eu tenho cá minhas dúvidas sobre
essas classificações todas de Amor: Ágape, Philia, Eros, Pragma, Storge e
sei lá eu quantos mais já inventaram ou ainda vão inventar para explicar algo
que, eu acho que se a gente só sentisse e manifestasse, seria mais feliz. Pra
mim, Amor é Amor e pronto. Mas você bem pode imaginar o que me aconteceu
quando, naquele ano, me questionei como a letra da música sugeria, né? Se eu
andava medindo em trabalho, é porque não tava sobrando pro Amor,
fosse lá do tipo que fosse. Créda! Pára tudo! Que que eu tava fazendo???
how do you measure the life of a woman or man?
Como voce mede a vida
de uma mulher ou de um homem?
In truths that she learned, or in times that he cried. In bridges he
burned, or the way that she died.
Em verdades que ela
aprendeu ou em vezes que ele chorou. Em pontes que ele
queimou, ou a forma como ela morreu?
Imagina, então, que tem gente muito pior
que eu, porque tá medindo seu ano ou - ai, ai, ai - sua vida, em
quantidade de erros que cometeu e se punindo por isso. Quando penso nisso,
lembro do trecho seguinte da música:
It’s time now to sing out, tho the story never ends let's celebrate
remember a year in the life of friends.
Agora é hora – vamos
cantar, embora a história nunca termine, vamos lembrar, celebrar, um
ano na vida dos amigos.
Você vê, eu acredito nisso: 'a história
nunca termina'. Então, nem sei se o que quer que esteja te amargurando já
chegou ao fim ou se ainda terá desdobramentos e mudanças. Aposto que vai ter,
aposto. E aposto que vai te surpreender, aposto.Como aquele caso famoso
do lenhador que morava em uma pequena vila.
Apesar dele ser muito pobre, todos o
invejavam porque era dono de um lindo cavalo branco. As pessoas ofereciam
preços fabulosos por ele mas o lenhador sempre recusava. “Este cavalo não é um
cavalo pra mim,” ele dizia. “Considero como uma pessoa. Como você poderia
vender uma pessoa? Ele é um amigo. Como você poderia vender um amigo?”
Uma manhã ele viu que o cavalo não estava no
estábulo. Toda a vila veio vê-lo. “Seu velho bobo,” eles zombavam, “nós te
avisamos que alguém iria roubar seu cavalo. Seria melhor tê-lo
vendido. Agora o cavalo se foi e você foi atingido por essa infelicidade.”
Ao que o lenhador respondeu, “Digam apenas
que o cavalo não está no estábulo. Isso é um fato. Se foi felicidade ou
infelicidade, como podemos saber? Como podemos julgar? Quem pode dizer o
que virá a seguir?” O povo da vila ria. Pensavam que o homem era um
tolo.
Depois de quinze dias o cavalo voltou. Ele
não tinha sido roubado. Ele fugiu para a floresta. Não só voltou, como também
trouxe uma dúzia de cavalos selvagens com ele. Mais uma vez, o povo da
cidade se juntou em volta do lenhador e disse. “E não é que você estava certo e
nós estávamos errados? O que pensávamos que era uma desgraça era uma
bênção. Por favor nos perdoe.”
Então o homem respondeu: “Apenas digam que o
cavalo voltou e que doze cavalos vieram com ele. Isso é um fato. Se isso é uma
desgraça ou uma benção não temos como saber. Estou feliz com o que sei por
enquanto."
Desta vez, falaram pouco. Mas lá no fundo,
sabiam que ele estava errado. Sabiam que era uma bênção. Com um pouco de
trabalho, os animais poderiam ser domesticados e vendidos por muito dinheiro.
O lenhador tinha um filho, um único filho. O
jovem começou a domesticar os cavalos selvagens. Depois de alguns dias, ele
caiu de um dos cavalos e quebrou as duas pernas. Mais uma vez os moradores
da vila se juntaram ao redor do velho lenhador e lançaram seus julgamentos.
“Você estava certo”, eles disseram. “Você provou que estava certo. Os doze
cavalos não eram uma bênção. Eram uma desgraça. Seu único filho quebrou as
pernas e, agora com idade avançada, você não tem ninguém para te ajudar.
Agora você está mais pobre do que nunca.”
O lenhador falou novamente. “Vocês são
obcecados por julgamento. Digam apenas que meu filho quebrou as pernas. Quem
sabe se é sorte ou azar? Ninguém sabe. Temos apenas um pedaço. A vida vem em
partes.”
Aconteceu que, algumas semanas depois, o
país entrou em guerra contra um país vizinho. Todos os homens jovens da vila
foram convocados para entrar no exército. Apenas o filho do lenhador foi
excluído porque estava ferido. Mais uma vez o povo se juntou em volta do senhor
chorando e lamentando porque seus filhos foram levados. Havia uma pequena
chance deles retornarem. O inimigo era forte e a guerra seria uma luta perdida.
Eles nunca veriam seus filhos novamente.
“Você estava certo,” eles choravam. Deus
sabe que você estava certo. Isso prova. O acidente do seu filho foi uma bênção.
Suas pernas podem estar quebradas mas ao menos ele está com você e, um dia
ficará curado disso. Nossos filhos se foram para sempre.”
O lenhador disse. “É impossível conversar
com vocês. Vocês sempre tiram conclusões. Digam apenas que seus filhos foram
pra guerra e o meu não. Ninguém sabe se isso é bom ou mau. Ninguém é sábio
o bastante para julgar.”
Já entedeu, né? Eu poderia continuar essa
história por páginas e páginas, mas não é o caso. O caso é que, o que quer que
te faça julgar este ano, será só um fato numa cadeia de eventos, mas 'a
história nunca termina'. Se esse fato foi bom ou mau, sorte ou azar, benção ou
maldição, como saber?
Então, é isso que quero fazer agora, bem no
meio do meu arrepio. Sim, porque você não imaginou que eu estaria escrevendo
isso sem estar ouvindo a música agora, agorinha mesmo, imaginou? Porque se
imaginou, ainda não me conhece bem... Mas, então, bem no meio do meu arrepio,
isso é o quero fazer agora: Celebrar quase um ano inteiro na sua vida e na
minha.
Ignorando solenemente que tipo de amor
esteja em questão, todo mundo que eu amo e que me ama, está recebendo isso
que escrevo, de uma forma ou de outra. Que saiba, então, que estou
celebrando um ano na sua vida. Um ano de descobertas, conquistas, crescimento,
alegrias e tristezas que te fortaleceram - se ainda não o fizeram, fica
tranquilo, fica tranquila, farão. É só questão de tempo.
Tudo que peço à você e tudo que te desejo
neste Natal, está no final da música:
Remember the love!
Measure in love.
Lembre do
amor! Meça em amor.
Oh you got to got to
Remember the love!
Você tem que se lembrar
do amor
You know that love is a
gift from up above
Você sabe que o amor é
um presente de lá de cima
Share love, give love,
spread love. Measure you life in love.
Compartilhe amor, dê
amor, espalhe o amor. Meça sua vida em amor.
Feliz Natal
Inês Cozzo Olivares
SP, 23/12/2009
Nem fadas, nem bruxas
Foi ali
pelo final dos anos 90 que eu conheci Leonardo Wolk.
A data precisa me foge agora, mas me causa uma agradável sensação perceber que
faz mais de uma década que ele se tornou, pra mim, apenas o Leo. E eu gosto
muito disso. Gosto muito mais de me lembrar que ele, com seu delicioso sotaque,
mudou minha forma de me relacionar com a vida.
Estávamos
em um congresso em alguma cidade do nordeste e ele estava conduzindo um workshop com forte presença de uma linha
da Psicologia conhecida como Psicodrama. O impacto que essa atividade causou em mim, fez
daquele momento, um divisor de águas e eu senti a mudança mais do que em
qualquer outro momento da minha vida. O nome disso é breakthrough. Não há tradução literal para o nosso idioma, mas o
que mais se aproxima é “descoberta”; do meu ponto de vista é um momento de
quebra de paradigma com muita consciência e auto-percepção, sem o que a mudança
não acontece, sabe?
De fato,
neste mesmo evento, ele conseguiu fazer isso comigo duas vezes. A que quero
compartilhar aqui foi a segunda, quando ele pegou uma caneta, soltou e, quando
ela caiu no chão, ele nos perguntou (era toda uma platéia): “Por que esse
objeto cai?”. Algumas pessoas responderam que era por causa da força da
gravidade, outras que era porque ele havia soltado.
Na medida
em que ambas as respostas estavam corretas, não as debateríamos. Apenas
faríamos uma reflexão sobre como essas duas respostas poderiam espelhar a
maneira como estávamos vivendo, se como vítimas, deixando a responsabilidade
fora de nós – força da gravidade – ou se como protagonistas que tomam as rédeas
de suas vidas e as conduzem.
Bem, eu
queria mesmo ser a autora e protagonista da minha vida e assim tenho procurado
fazer desde então. Eu sou capaz de assumir minha parcela de responsabilidade
pelos acontecimentos com os quais me envolvo, APESAR das 'forças da gravidade' à minha volta. Vou até onde eu alcançar.
O Leo já me
agradeceu oficialmente por várias interações que tivémos, desde então, pelos
congressos da vida, em seu livro “Coaching, A arte de soprar brasas”, já
traduzido para o português e lançado pela editora do meu amigo e editor Mahomed
– a Qualitymark – e vale cada
segundo do tempo que você usar com a leitura dele, seja você um coach ou não. Esse livro é pra vida. Eu
não o tinha agradecido ainda. Não publicamente. Faço isso agora. Oficialmente.
Obrigada, Leo querido.
Algum tempo
depois eu conheci a Dulce Magalhães, que
também se tornaria pra mim apenas a Dulce. Você tinha essa idéia de que já
fazia mais de uma década, Dulce? Minha ficha só caiu agora… Cool!
Ela
finalizou uma palestra mostrando duas histórias, ou melhor, dois “pedacinhos”
de vida: do “Seu’ Getúlio, um carioca de Miguel Pereira e do “Seu” Deóclis, um
mineiro de Ituiutaba.
A história
do Getúlio apareceu no Globo Esporte porque ele foi jogar num amistoso com o
Botafogo e, quando ia entrar em campo, o juíz encerrou a partida e essa foi a
maior frustração da vida dele porque pisar no Maracanã era seu maior sonho. Mas,
vejam vocês, ele nunca tinha contado isso pra ninguém. Como alguém poderia
ajudá-lo, se não sabia disso? Quem tinha poder para ajudá-lo, aliás, era o
técnico do time, certo? E o técnico do time jamais soube desse sonho do Getúlio. Nem quando a oportunidade se apresentou.
Aqui, a
Dulce propôs uma reflexão sobre dois arquétipos do poder: A fada e a
bruxa. As figuras de nossas histórias que têm o poder de transformar a
realidade. A fada como
sendo aquela figura linda e bondosa. Linda porque bondosa e bondosa
porque
utiliza todo seu poder para nos ajudar. O perigo deste mind set,
desta forma de configurar nossa mente? Crescemos
acreditando que basta sermos bons – e, do nosso ponto de vista, todos
somos – e
o Universo nos dará. Não precisamos fazer mais nada senão apenas sermos
bons. O Getúlio fez isso. Sem consciência de que fazia, mas fez.
A bruxa,
por sua vez, é feia e má. É feia porque é má (e aí crescemos achando que
pessoas bonitas são mais confiáveis, mas deve ser só coincidência, né…?) e é má
porque é egoísta. Ela usa todo seu poder apenas pra satisfazer suas próprias
necessidades e desejos. Aí crescemos acreditando que buscar algo pra nós mesmos é
‘feio’, é mau. O nome disso é maniqueísmo. Ou algo/alguém é bom ou é mau. Se
não é bom, é mau. Se não é mau, é bom. Ai, ai, ai… Num tem nada no meio? É bom ter porque se não, eu não vou ter onde
‘morar’ na classificação das coisas. Aliás, vai ter um monte de “desclassificados”
porque tem mais gente comigo nessa.
Mas deixa
eu te contar sobre o ‘Seu’ Deóclis Gomes. Ele era (já faleceu) um senhor de
91 anos, que ganhava um salário mínimo como lavrador aposentado, viúvo há 11
anos, sem posses e que gastava metade
de seu salário com adubos e sementes e passava a vida batendo de porta em
porta, pedindo se podia plantar alguma coisa no quintal de quem tinha um lote
vago, transformando-o em lavoura farta. Sozinho, ele capinava, semeavae colhia. À época da reportagens do
Jornal Nacional ele já havia triplicado a produção em um ano e entregava 60kg
de alimentos por semana, 3 vezes por dia para 14 creches da cidade. Vocês
acreditam nisso? Mil e quinhentas crianças comiam o que ele plantava. 1.500! Com meio salário mínimo e com 91 anos de idade!
O ‘Seu’
Deóclis tinha todas as desculpas do mundo pra ‘botar’ seu pijaminha e se sentar
na varanda vendo a vida passar, quando se aposentou ou quando ficou viúvo. E
olha que ele tinha também as desculpas mais perigosas do mundo porque
verdadeiras: era pobre, não tinha ninguém pra ajudá-lo e estava com 91 anos!
Mas não o fez.
A Lia
Diskin diz que só 20% das pessoas no mundo fazem a história. Os outros 80% a
sofrem. ‘Seu’ Deóclis fez história.
Eu estava
dando uma palestra em Belo Horizonte/MG há alguns anos e passei as duas
reportagens fazendo exatamente esses raciocícios e um participante, cuja tia
vive em Ituiutaba, me contou que ele tinha falecido no ano anterior, mas que
deixou um grupo enorme de ‘meninos’ continuando a obra dele. Sim senhor, o
‘Seu’ Deóclis fez história. Ele era uma fada que ajudou muita gente, mas era
também uma bruxa. Ele disse na reportagem: “Meu prazer é saber que as crianças
estão se alimentando com meus produtos”. Então, ele fazia pro prazer dele…
também.
E foi assim
que eu, uma ‘juntadora’ de coisas que fazem cócegas no raciocínio, botei tudo isso num lugar só: Minha cabeça.
Quero ser protagonista, 100% responsável pela condução da minha vida; não quero
ser nem fada – ninguém precisa fazer por mim, nem bruxa – não quero só pra mim; quero ser FADRUXA: Uma fada
que utilizou todo seu poder, inclusive
consigo mesma. E quero fazer a história, não vou sofrê-la como mera vítima.
Sempre que
desanimo (anima quer dizer alma; sempre que minha alma parece me abandonar), eu
assisto novamente a reportagem sobre o ‘seu’ Deóclis e me dou uma sacudida
federal do tipo: “Acorda! Você é jovem, tem saúde e tem recursos, toda sorte de
recursos! Vai já começando a se mexer!”
Aí me animo
de novo – a alma volta pro corpo – e busco meus caminhos. Eu nem vou por onde o
caminho pode levar. Prefiro ir por onde ainda nem há caminho e deixar lá o meu
rastro.
Beijos
sabor contos mágicos… Hummm... reescritos.
Inês Cozzo
Olivares
SP,
14/12/2009
Pequei
Agora, estou eu aqui, me perguntando: Por que os
anjos gostam tanto da gente?
A gente faz 'arte' pra caramba, 'pisa na bola'
direto, sabe que o fato do coração ser mudo, é um alívio que só vale pra humano
mas não vale pros anjos nem pro Papai do Céu que têm visão de raio-x que
nem o Super-Homem. Aliás, é por isso que eu gosto tanto dessa passagem da
missa onde o padre pede, com muito jeitinho, por todos nós, pro Papai do céu:
"Não olheis os nossos pecados, mas a fé
que anima a Vossa Igreja." Porque, meus amigos, se Ele olhasse só os
nossos pecados, estaríamos fritos, literalmente segundo minhas aulas de
catecismo. Mas juro que minhas intenções são sempre as melhores do mundo.
O fato é que o meu anjo da guarda gosta pra
caramba de mim, COM, SEM e APESAR DOS meus pecados... Eu já contei que peco,
né? Pois é.
Ontem mesmo, fui dar uma palestra na EMBRAER e
pequei.
A meu favor, diga-se que eu estava atolada em
trabalho e esse foi um caso de record de demanda, produção e entrega
porque recebi o briefing para o trabalho na véspera por volta do
meio-dia, mas só pude fazer uso efetivo dele quando voltei ao escritório, por
volta de 15h. Entre uma conference call com a responsável pelo RH do
projeto que eu iria atender - o Legacy 500 - e outros e-mails urgentes e
telefonemas e um seminário do Victor Mirshawka Jr na FAAP (mais um
magistral, você precisar assistir, viu?), das 19h às 21h, eu só consegui chegar
em S. J. dos Campos à meia-noite, um horário emblemático, diga-se de passagem.
Um dia ainda escrevo sobre isso.
Trabalhei na apresentação até quase 2h da manhã
e levantei às 6h pra estar pronta às 7h porque o evento começou às 8h. Ou seja,
meu record entre receber um convite e fechar o acordo, é da EMBRAER:
Menos de 24h! E o de receber um breafing e entregar um trabalho, também
é dela: menos de 12h!
Uma hora ainda paro pra investigar que fenômeno
é esse do nosso mercado atual de treinamento. Ah! paro.
Meu pecado, né? Sim, eu conto. Tomara que ele te
ajude. Como eu postei ainda ontem no meu Twitter, os erros de uns são lições pra
outros. Bem, nem todos. Alguns preferem errar eles mesmos. Estão no seu
direito, certo? Mas eu desejo sinceramente que esse meu deslize sirva pra sua
aprendizagem como serviu para a minha.
Eu conduzo uma atividade, que aliás está no
capítulo 4 do meu livro; chama-se 'Jogo do 123' e eu aprendi com o Edu
Carmello, irmão de fé e parceiro de uma tonelada de trabalhos na
jornada de uma vida; um cara criativo pra chuchu.
Tava
eu lá, procurando dar leveza ao exercício que tem 4 fases e que eu brinco de
chama-las por nomes como Basic baby (a 1ªa) e as outras de Níveis
Indiana Jones, Jedai e Ninja, mas que, na verdade, não passam também de basic
baby. Há uma razão neuropsicológica pra que eu faça isso, mas esse não é o
'encontro' pra explicar teorias. Fica pra outra vez.
Ontem, além de proclamar a primeira fase do jogo
como basic baby, eu arrematei, "Praticamente nível Síndrome de
Down". Ops… Pequei.
De fato, pela segunda vez cometi o mesmo pecado.
Porque há alguns anos, alguém, não me lembro agora quem foi, acho que meu tio
Vanderlei da ABTD,
me disse que achava que isso 'não pegava bem'. Não foi o bastante pra ficar
gravado na minha neurologia, entendem? 'Não pega bem' tem a ver com etiqueta,
um valor fraco pra mim, então, não 'vingou' o toque. Minha 'ficha só caiu'
quando, ontem à noite, recebi um e-mail de um dos engenheiros que estava
presente na palestra.
A mensagem dizia:
"Assisti sua palestra de hoje cedo
em SJCampos e a achei ótima. Porém, (um parêntesis meu aqui: esse é o
famoso 'mas' de luxo; gelou minha espinha; sempre gela.) tem uma
"coisa" que não me agradou. Falo de dois momentos da palestra nos quais você fez
referência à Sindrome de Down como algo ruim, como exemplo de característica de
pessoas que não têm muita inteligência ou algo que o valha. (…). O fato é que
sou engenheiro mas estou "quase indo" para o quinto ano de psicologia
na UNIP-SJC e por isso alguns colegas sempre me procuram para falar de assuntos
relacionados a psicologia e afins. Hoje, especificamente, já que foi a palestra
de uma psicóloga, vários acharam estranho e queriam saber minha opinião.
Resumidamente eu disse que as achei inadequadas e inconvenientes mesmo
considerando que não tivesse no local nenhum pai, mãe, irmão ou conhecido de
alguém com essa síndrome. Mas, e se tivesse? Seria mais constrangedor ainda.
(…) Mais uma vez, sua palestra é ótima, você é muito simpática, tem muito
jeito, presença de palco etc. Um abraço, boas festas e feliz 2010"
Eu respirei fundo e fiz como manda a música:
"a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo", embora essa
última, confesso, tava bem difícil. A culpa é um bichinho danado, vocês
sabem, e quando ela encontra a vergonha, ui.
Aí respondi à ele que, na verdade, ele estava coberto de razão, porque ele estava mesmo. Ele e
as pessoas que perguntaram. E que eu ficaria muito grata se ele pudesse, por
favor, dizer à elas que minha "ficha havia caído" afinal.
Foi mais que inadequado e inconveniente, foi
desrespeitoso e eu precisava pedir desculpas. Nem sei se era o caso de pedir
desculpas porque não foi exatamente uma ofensa dirigida à uma pessoa
específica, mas me parecia ser a única coisa que eu poderia fazer por ora.
Eu afirmei à ele - e como isso é verdade! -
que não correrei nunca mais esse risco no futuro. Se alguém, qualquer pessoa,
pode se magoar ou ofender com isso, o custo não vale o benefício (que era mesmo
apenas o de ilustrar a simplicidade e facilidade dos movimentos) Mas fui
infeliz. E lamento. Maculou um trabalho que eu desejava que tivesse sido
impecável pelo merecimento de quem me ouvia.
Agradeci pelo feedback e essa
gratidão é muito sincera porque esta lição, AGORA, está aprendida. Pra sempre.
Está gravada na pele. Em cada poro.
Vocês vêem? Na primeira vez, o argumento
utilizado não reportava à uma questão ética como agora. Foi aí que o bicho
pegou. E como pegou.
Pra fechar essa questão e contar porque eu
digo que os anjos gostam da gente com, sem e apesar dos nossos deslizes, disse
também ao engenheiro, quase psicólogo, que eu fico feliz em saber que uma
pessoa com a sensibilidade e a coragem dele em dar feedback, qualidade raríssima
nos dias de hoje aliás, estava por perto para me ajudar a me tornar uma
pessoa (e profissional), melhor. Que bom seria se houvesse mais gente assim.
Particularmente com a capacidade de fazer isso com a amorosidade e o respeito
com que ele fez. E que seria uma honra tê-lo, em breve, como colega de profissão.
Hoje, papeando sobre o caso com um amigo
queridíssimo, o Adi de Manaus, ele me perguntou se eu não estava sendo muito
dura comigo mesma e se era mesmo preciso que eu contasse isso pra
pessoas.
Vocês entendem? Se eu não compartilhar, como
alguém poderá aprender com meus deslizes sem precisar cometê-los? E, se eu não
contar, seja por auto-preservação, seja conveniência, quão coerente e alinhada
com os valores que eu prego, eu estarei? Valores como: Transparência, lisura de
caráter, Permitir(se) errar, porque errar é MESMO humano. Não apenas no
discurso, mas na prática!
De mais a mais, é preciso extrair de uma
experiência, seja ela de que natureza for, o máximo que ela puder nos dar de
ganho. Neste caso, uma aprendizagem que te possibilite entender o que é
NEUROaprendizagem, por exemplo. Isso funciona assim, ou uma experiência gera
determinado estado (no caso, o que eu buscava para a platéia era leveza) em
100% das pessoas presentes ou não será NEURO. Simples assim.
Há pouco eu falava das diferenças entre a
aprendizagem convencional e a NEUROaprendizagem, mas esqueci de dizer que uma
delas era essa: Se não gerarmos o mesmo tipo de estado/emoção em 100% das
pessoas, não será neuropsicológico o recurso, será apenas psicológico. Mesmo
que varie a intensidade e duração do estado, o TIPO de estado tem que ser o
mesmo. Se uma, apenas uma pessoa, ficar desconfortável, isso é suficiente para
que eu não use mais o recurso como útil para gerar um estado de leveza. Repito,
o custo de UM, não vale o benefício de 1.000. Principalmente se eu tenho opções
mais saudáveis, certo?
Então, é como eu dizia logo no início deste
'papo', Mitzrael, meu anjo da guarda, tem que gostar muito de mim, com, sem e
apesar, porque hoje, já de manhãzinha, ele me dá um presentão que restituiu
minha auto-estima e me deu a certeza de que fiz o que tinha que fazer.
Chegou um post
da Rede 'Mudando para melhor', criada, organizada e magistralmente orquestrada
pelo Davino Santos, um cara que é 'O' cara, num depoimento sobre nosso encontro
em Santos e minha apresentação no CBTD deste ano, que foi pura massagem no
coração! Obrigada Dadá. Nunca um texto cheio de "lovebacks" serviu
tanto de remédio como o seu pra mim.
O que aprendi com isso tudo? Vou errar muito
ainda. Vou pecar muito mais. Aí, eu mesma ou um anjo na forma humana -
conhecido ou desconhecido - vai me avisar. Eu vou ouvir. Vou fazer o que
estiver ao meu alcance pra 'consertar', vou extrair o melhor da experiência,
vou socializar a aprendizagem que é o único jeito dela ser colaborativa. E vou
continuar assim como sou: Um ser sem definição, em constante construção.
Quer vir junto? Tem vaga.
Beijos sabor vergonha que passa já, já…
Inês Cozzo Olivares (em foto tirada
especialmente para a ocasião)
SP. 09/12/09
O comum e o extraordinário
Como assim 'Qual a diferença?'. Não existe é
semelhança!
As pessoas têm me perguntado, depois que
lancei meu livro e o DVD sobre Neuroaprendizagem, qual a diferença
entre ela e a aprendizagem convencional. Eu sei que tem resposta. Eu até
vou oferecer resposta, mas primeiro eu travo nas 4 rodas mais o
estepe e penso: "Meu Deus! É totalmente diferente. Por onde eu
começo?"
A Maria Helena Matarazzo disse numa palestra
certa vez que a diferença entre a aprendizagem da escola e a da vida era que a
primeira partia das lições para a prova e a segunda, 100% ao reverso, começava
pela prova e daí saíam as lições. Eu amei!
É por isso que as lições aprendidas na vida através das provas são pra vida toda e as da escola a gente esquece no dia
seguinte à prova. Não eram de fato aprendizagens então, eram?
Na escola a gente aprende que há apenas UMA
resposta certa pra cada problema apresentado e sai assim pra vida. Que doidice.
Sabem quantas respostas possíveis existem pra cada um dos nossos
"problemas"? 'Trocentas'. Todas certas... e erradas. E nenhuma
certa... nem errada. Todas terão consequências que a gente vai administrar
depois. Umas a gente vai querer, vai aplaudir, vai celebrar e outras não.
Paz-ciência. Como disse Gonzaguinha na música: "É a vida. É
bonita e é bonita".
Na escola lembram quem era o melhor aluno?
Aquele que não tinha boca pra nada. "Seu filho, mãe? 'Magina. Nem precisa
ficar na reunião. É um santinho. Não tem boca pra nada." Depois quer que o
benditinho se dê bem na vida onde a principal competência é justamente saber se
comunicar; argumentar. Ai, ai.
Na escola, a sua resposta tá certa ou
errada. "Errado. Próximo. Alguém mais sabe?". Na neuroaprendizagem a
gente constrói o saber partindo de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, que
você já saiba, suponha ou intua. Tudo serve. Todos os caminhos levam à Roma.
Alguns são atalhos outros não. E daí? Não posso curtir o passeio mais longo?
Claro que posso.
A criança recém chegada à escola, não sabe o que é Lei
da Gravidade, um pressuposto da física, mas ela já viu a água cair
da torneira e nunca retornar; o vaso da mãe cair no chão e, pra sua
infelicidade, não retornar inteiro à mesinha da sala -- Ui! Sim senhor, ela
sabe -- na pele -- o que é força da gravidade. Já temos um começo. E se é assim com a criança,
imagine com adultos.
É... São tantas as diferenças, que
foi preciso cunhar um termo novo: NEUROaprendizagem. As aprendizagens que a
gente grava em cada célula, em cada neurônio, em cada poro do nosso corpo. É preciso emocionar, mais que isso, é preciso emotizar, revestir de sentimentos aquilo que vai construir a mentalidade. De
modo que seu corpo se torne sua apostila e vá com você pra todo canto.
O saber que tá fora de mim -- num livro, na internet, numa
apostila, nos slides de um palestrante -- não é meu. Eu preciso me APROPRIAR dele. Se eu for capaz de repetir os dados dessa fonte externa - nem que seja feito um papagaio - então, vou transformar
estes dados em informação. Quando essa informação fizer sentido pra
mim, quando ela adquirir significado, aí será conhecimento. Pronto. Já
faz parte do meu discurso.
Infelizmente, discurso é o que mais tem por aí. Como
será a minha prática? Tá bom que já esteja no discurso, no texto.
Tá bom. Mas é só mais uma das etapas de aprendizagem vencida, não o fim em si. Que é que
eu faço com isso? No meio daquele bate-boca brabo, eu peço um minutinho,
por favor, que eu vou consultar a apostila do curso de gestão de conflitos ou
de 'Como fazer seu casamento durar 100 anos'? Capaz mesmo que o conflito acabe,
porque o outro vai rir tanto da minha cara que a raiva dele vai passar na hora.
É... Deve ser assim que funciona a tal da apostila. Só pode. Dio Santo!
Sim... São só diferenças... A Neuroaprendizagem não grita, sussurra. Não
mostra, insinua. Não canta, encanta -- canta dentro da gente. Ela não é sexy, é
sensual. Não se impõe, envolve. Mestre Kan-Ichi Sato disse certa vez: "Eu não ensino e não mando. Ensinando sai cópia. Mandando sai escravo. Eu transmito meu espírito".
Em suma, Neuroaprendizagem não é nudez, é lingerie, é corsett
com cinta liga e meia rendada na coxa! Às vezes branco, às vezes preto e às
vezes, até, vermelho, mas nunca rosinha ou azulzinho, porque é sempre de um
impacto absoluto. Você consegue imaginar a escola convencional assim? Duvi -- D
- O -- do!
A Neuroaprendizagem é mais que boa, é ótima.
É mais que ótima, é excelente. É mais que excelente, é extraordinária. E
porque, na verdade, ela é mais que extraordinária, vai fazer história. E eu
quero estar lá, do ladinho dela, quando esse dia chegar. E, aí, eu vou dizer:
"É minha amiga, ela. Gente boa pra caramba. Só vendo. Pode confiar."
Beijos sabor saber que, aliás, é o
significado etimológico da palavra SABER: SABOR, saboroso.
Inês Cozzo Olivares
SP, 07/12/2009
A vida é simples, a gente é que complica.
Aí,
eu topei o convite e passei 7 dias no SPA da minha prima Milena. É o M Corporal, lá em Ourinhos
(desculpa o comercial, mas prima é prima, certo? E, dessa, eu troquei até
fraldinha…). E eu já tava lá mesmo pra dar palestra e
fazer uma sessão de autógrafos do meu livro.
Custava nadinha. Fui. Um lugar bacana pra caramba. Ótimo pra quem não tem
lá muita disciplina pra certas coisas como eu. Aliás, eu sofro de excesso
de falta de disciplina quando o assunto é exercício físico. Não. Eu não
faço o gênero "malhadona". Nem "saradona".
Decididamente. Mas eu tenho uma vantagem em relação à maioria das pessoas.
Eu sei onde liga e desliga uma porção de botões dentro da gente,
pra conseguir resultados mais rapidamente.
Por exemplo, lá na
clínica tem um aparelho "mudernérrimo" chamado Manthus. É
uma técnica de ultrassom associada a um estímulo elétrico -- ou
seja, choquinhos -- indolor pra maioria das pessoas, que
promete reduzir medidas e melhorar o aspecto de ondulação da pele
(celulite e estrias), além de eliminar gordurinhas localizadas, enquanto
você fica deitada(o) fazendo absolutamente nada durante 20 minutos.
As estrias nunca me
quiseram. Nem me queixo. Dizem que celulite é apenas o corpo dizendo: "eu
te amo", só que em braile. O Ronnie
Von diz que só as mulheres é que esquentam a cabeça com isso porque, pros
homens, mulher sem celulite, é travesti. Em todo caso, eu tenho
minha pequena porção. Só pra não pensarem que sou "traveco".
Mas, já que eu tava lá, o Manthus também tava, a gente conversou,
se deu bem, coisa e tal, tal e coisa... Eu sempre me dou bem com
eletro-eletrônicos. Aí eu pensei, "por que não, né?"
Perguntei pra Paula --
gente finíssima ela -- qual era o maior ganho que ela já tinha visto desde que
começou a trabalhar com o Manthus e ela me respondeu 3cm. Hummm... 3cm a
menos de cintura? Em 20 minutinhos? Sem fazer nadica de nada? E sem dor? Tá pra
mim! E mandei bala!
Assim que ela viu meu
entusiasmo, apressou-se em dizer que isso não era comum, pra que eu não me
frustrasse caso não conseguisse tudo isso de resultado. Eu pensei "a
bichinha não me conhece, hehehe, deixa ela" e disse à ela com um sorriso
enigmático: "Aguarde e confie". Adivinhem o que deu no final da
sessão? Yeah babe! 3cm gone, out, fora, au
revoir, xô, adios! Em TODAS as sessões! Não. Não foi sorte
de principiante.
Eu fiz uma cirurgia em
2005 e tinha que me liberar pra voltar ao trabalho em, no máximo 7 dias. O
médico, simpááático, me disse: "Nem em sonho, mocinha! (entenderam por que
o 'simpááático"? o cara me chamou de 'mocinha'! adoro ele). Esse processo
de recuperação e cicatrização leva 30 dias e a mocinha (ai, ai) vai ficar em
repouso absoluto, estamos entendidos?" ele disse. Bravo ele.
Então eu disse à ele:
"Dr., se eu voltar pra avaliação em 7 dias, como já tá marcado, e tiver
cicatrizado, o senhor me libera pra trabalhar?" Ele riu -- só de
cantinho de boca, mas riu que eu vi, e respondeu: "Numrola".
Impressionei. Tá. Numrola, mas e se rolar? Libera? E ele
respondeu: "Até pago o chopp". Eu disse à ele: "Suco de
laranja. Não gosto de chopp. Só o de vinho, no qual fui iniciada em 2005 e num larguei mais!" Ele disse:
"Fechado" e eu disse: "Fechado!"
Sabem onde eu estava 7
dias depois? Fazendo as malas, me preparando pra voltar ao trabalho, feliz da
vida e tomando um suco de laranja que eu não paguei. Rá!
O cara "discreu
n'eu" e queria porque queria saber que planta eu tinha usado. Nenhuma, eu
disse. E não mesmo. Fiz o mesmo processo que com o Manthus. Tem alguém capaz de
conseguir isso "na sorte"? Então é porque é possível para o
corpo. Fim de papo. Agora é só fazer acontecer.
Eu até to num
livro inglês sobre PNL e Saúde porque emagreci 35Kg em menos de 4 meses
sem cirurgia e sem remédio em 2004, não ia cicatrizar em 7 dias e eliminar 3cm
por sessão? Ah ia! Ô se ia.
Querem saber como?
Funciona assim,
primeiro você descobre qual é o jeito certo daquela parte do seu corpo ou
processo de funcionar. Qualquer bom médico te conta isso. Até um livro ou
internet conta. Isso é pra você poder “conversar” com essa parte capicce? Aí vem a parte mais desafiadora
(presta atenção no termo: DESAFIADORA, não difícil). Use os pressupostos da PNL
que nada mais são que sistematizações simplificadas das descobertas realizadas
pelas neurociências.
A premissa que eu vou
citar já, já, nem vem mesmo da neurociência, viu? É de Alfred Korzybski,
um matemático e filósofo que ficou conhecido por ter desenvolvido a teoria
da semântica geral -- não confundir com a semântica, uma disciplina
diferente.
A essência da obra de
Korzybsky é a declaração de que os seres humanos estão limitados no seu
conhecimento pela estrutura do seu sistema nervoso e pela estrutura das
suas línguas. Nós, seres humanos, não podemos experimentar o mundo diretamente,
ele disse, só através das suas abstrações (impressões não verbais que
provêm do sistema nervoso e indicadores verbais que provêm da língua). Por
vezes as percepções e a língua confundem a gente que acredita, no duro,
que é com os fatos que a gente tem que lidar, mas, sabem, não é não. É com o
entendimento dos fatos que nem sempre batem com os fatos em si. Doido, né? Mas
é verdade. O sistema desse “moço” trata de modificar a maneira pela qual nós
humanos lidamos com o mundo, então, "prestenção":
O mapa não é território, Para entender melhor, leia o texto do link. Você vai
ficar doido, mas vai ser um doido bem informado. Em tempos de Economia do
Conhecimento isso me parece uma vantagem bem interessante. Se preferir ficar só
com o que eu tenho a dizer agora, entenda que essa premissa significa que o que
eu tenho representado dentro do meu "bestunto" (lembra da Emilia do
Monteiro Lobato?) não é a realidade, é só uma representação dela. O
que eu tenho representado é só uma representação... dããã... Mas, o fato é que a
realidade não me limita. Minha representação sobre a realidade é que faz isso. Quem
tem medo de barata, vê uma barata na sua mente de 2 ou 3 metros de altura. De
uma dessas eu também teria muito medo, não vê um bichinho pequenininho que, se
a gente pisar nele, ele transcende na hora -- eu nunca mato; eu transcendo; é
uma questão de consciência, entendem?
Enfim, é impressionante
as coisas que a gente é capaz de fazer quando não sabe que não é. E isso é
verdade pra TUDO, tudinho mesmo! Pra mudar uma "realidade" eu tenho
que acreditar nessa possibilidade. Esse é, com certeza, o primeiríssimo passo. Pra
mim, depois de mais de 20 anos de estudos sobre o assunto, basta saber que já
foi possível pra alguém realizar o mesmo que quero realizar, que eu acredito. Se
é possível pra alguém, é possível pra mim. É só uma questão de como. Eu tenho
todos os recursos.
A propósito, antes que
eu me esqueça, você é humano ou humana? Tem dois olhos, nariz, boca, cérebro,
cabeça, tronco e membros? Então, filho(a), VOCÊ TAMBÉM TEM TODOS OS RECURSOS! Tá
esperando o quê? Vai nessa!
Beijos cheios de
reentrâncias e protuberâncias…
nos lugares “certos”.
Inês Cozzo Olivares
SP. 30/11/09
Quando a beleza dói
Parece esquisito, eu
sei. Mas é como eu sinto certas coisas. Por exemplo, Riverdance é tão lindo
que dói. A primeira vez que eu vi esse espetáculo, eu chorei. Não tava cabendo
tudo que eu sentia aqui dentro, então, um pouco teve que sair e saiu em forma
de choro. Foi o show de Nova York. O melhor de todos.
Agora também, eu tô
chorando. Não é de tristeza e ao mesmo tempo é. "Minhas" teorias não
alcançam certas coisas que eu sinto. Não sei se eu quero que alcancem, não.
Acho que a vida seria muito chata se tudo pudesse ser cientificamente
explicado, ainda que eu viva disso, profissionalmente, entendem?
O negócio é que eu
acabei de assistir esse filme no Telecine Light. Aliás, por que, cargas
d'água eles chamam de light? Já vi coisas bem heavy nesse canal.
Tá bom que o filme de hoje mostra coisas "pesadas" com uma leveza
inacreditável, mas eu não o chamaria de leve. Não mesmo.
A tradução em português
do título original também não alcança a beleza nem o propósito do filme.
Traduziram como "Meu primeiro homem". O original é "My
first mister". Por favor, mister não é homem. Não no
sentido que a frase em português faz parecer.
É um filme poético,
engraçado, cheio de tiradas espirituosas e diálogos inteligentes e ágeis. Como
nos filmes antigos. Ah! Como eu adoro os filmes assim. Saio deles mais
inteligente do que estava antes de assistí-los. Mas, acima de tudo, é um filme
sensível. Não veja se você acha que chorar é uma fraqueza.
É sobre a história de
Jennifer (Leelee
Sobieski), uma adolescente de 17 anos e sua relação com seu chefe Randall (Albert Brooks), 32 anos mais velho que
ela. Cada qual, a seu modo, é cheio de problemas. manias e medos, mas também
espirituosos e especialmente inteligentes. Cada um, à seu modo, vai transformar
o outro. Aos olhos das pessoas, eles são bem esquisitos, mas, como diz o Oswaldo
Montenegro na sugestiva música “Mudar dói,
não mudar dói muito” no CD A Lista 2001: "Quem não ouve a melodia,
acha maluco quem dança". Eu sei. Eu ouço um bocado de melodias que quem tá
à minha volta não consegue ouvir... Paz-ciência, porque eu gosto muito de
dançar.
Relações são coisas que
sempre me atraem. Gosto de saber de histórias de pessoas que amam e até de
pessoas que odeiam, por que não? Nietzsche disse que
não se odeia quando pouco se preza, odeia-se só o que está à nossa altura ou é
superior a nós. Forte isso, não?
Em todo caso, descobri,
recentemente, uma coisa bem legal. Quando a gente chora, durante um tempo -- o
tempo do choro -- a gente vê tudo embaçado. Mas depois que para de chorar e,
inevitavelmente, uma hora a gente para, vê tudo com muito, muito mais nitidez.
Talvez seja pra isso que serve o choro afinal. Pra gente enxergar as coisas com
mais nitidez.
Um beijo molhado, por causa das lágrimas, mas de um jeito feliz...
Inês Cozzo Olivares
SP, 24/11/09
Essencial e fundamental
E se você acordasse um dia e o universo estivesse com um "dente"
da engrenagem deslocado e dividisse sua vida em duas; uma seguindo um caminho diferente da outra?
Hoje eu acordei pensando nisso. É por causa
de um episódio que eu vivi esta semana e também por causa desse filme
que me marcou a vida profundamente chamado "De caso com o acaso"
e que, de vez em
quando, acha de achar que eu sou a casa dele porque não me sai da
cabeça sempre que acho que deveria ter feito algo de um jeito diferente
do que fiz.
Nesse filme, a personagem Helen interpretada
pela Gwyneth Paltrow, uma publicitária que acaba de perder o emprego (ótima cena pra treinamentos, aliás), volta inesperadamente para casa com a cabeça girando. Mas o caso é que, quando ela está descendo a escadaria do metrô,
uma garotinha brincando com a boneca distraidamente, a atrapalha e, nesse exato
momento, a vida dela se divide em duas: Uma consegue se desvencilhar
da garotinha e ainda entrar no metrô que está fechando a porta, mas a outra
chega milésimos de segundos depois e perde a chance.
São apresentadas duas histórias paralelas que mostram quais os destinos que estão aguardando por Helen.
Na
história um, Helen chega em casa e vê seu namorado, Gerry (John Lynch)
na sua própria cama com Lydia (Jeanne Tripplehorn) e vai pedir ajuda
para a melhor amiga, Anna (Zara Tunner), que a aconselha a arrumar um
novo emprego. Na história dois, Helen vai trabalhar como garçonete.
Eventualmente, Helen começará a desconfiar de Gerry e a relação
alcançará o ponto de crise.
Alternando entre uma história e
outra, mudando os aspectos da vida de Helen e seus possíveis destinos,
o filme nos trás algo além de uma simples trama. Ele vai mostrar as
duas vidas de Helen. Como ela transcorre, afetiva e profissionalmente,
em decorrência
de cada conjunto de circunstâncias. É genial! Da gente grudar na
telinha e
lamentar muito quando acaba. E acaba de uma das formas mais
surpreendentes e
inteligentes que já tive a oportunidade de ver.
Duvido que você assista à esse filme e não
fique se perguntando o tempo todo, primeiro o que vai acontecer com ela(s),
segundo, o que teria acontecido com você se você tivesse dito sim naquela
noite; se não tivesse vacilado naquele dia; se tivesse escolhido aquela outra
possibilidade, caminho, oportunidade, chance... É de enlouquecer! Ainda bem que
tem aquele final...
Tá na cara que o episódio que mencionei tem
a ver com o fato de que eu poderia tê-lo impedido de acontecer. Não que o
resultado da minha ação tenha sido algo catastrófico. Não é isso. É só dessas
coisas que doem por um tempinho...
Eu trabalho com Neurociências. Um assunto
árido que só vendo. Recentemente, eu fiz uma apresentação. Eu sempre
divido minhas apresentações em blocos e faço checagens ao término de cada bloco
antes de iniciar o próximo porque, convenhamos, avaliação ao final só serve pro
próximo trabalho, certo? Se eu não corrigir a rota deste nele mesmo, como isso
ajudará esse público, não é verdade? Então eu faço. A cada
checagem, a mesma resposta geral: "Tá tudo ok. Pode seguir." Tava todo
mundo aprendendo e se divertindo ao mesmo tempo. Sempre que eu perguntava
se estava tudo bem, se estávamos juntos e caminhando a contento, todos me
respondiam que sim. Beleza. Então eu sigo, uai.
Aconteceu que, por exatas três vezes eu
permiti que algo não programado acontecesse. Permiti que uma pessoa, que não
eu, fizesse três intervenções. A mais longa das três, durou uns três ou quatro
minutos. Portanto, foram mais ou menos quatro minutos fora do roteiro num
universo de oito horas! E, mesmo assim, sem sair do foco temático. Como em
momento algum houve qualquer queixa disso, entendi que estava tudo bem e
prossegui. Mas, essas três intervenções, mesmo que muito curtinhas,
apareceram em três avaliações como uma mácula num dia perfeito. Eu chorei. Não
por não ter obtido 10 em tudo e de todos. Não, não. Não tenho esse tipo de
preocupação.
Foi porque fiquei pensando que povo triste a
gente pode se tornar com esse medo de dizer algo com que nos sentimos
incomodados, diretamente à pessoa que o fez, no momento em que aconteceu e com
assertividade. Ainda mais quando um espaço pra isso está francamente aberto. E
temo que essa inabilidade se estenda à outras questões muito mais relevantes na
nossa vida, sabem?
Foi também porque me lembrei de um outro
momento da minha vida com o qual me entristeci.
Há alguns anos, eu e meu marido estávamos
visitando o Museu do Louvre, e estávamos já há três horas na fila pra
ver o quadro mais famoso do mundo, a Mona
Lisa do Leonardo
Da Vinci. Quando, finalmente chegou nossa vez de ver a famosa
obra, eu ouvi o cara na minha frente reclamando que tinha uma manchinha no
canto inferior direito da redoma de vidro que protegia o quadro e que isso era
absurdo, como alguém permitia que aquilo acontecesse, etc, etc, etc. Prestenção povo!
O camarada veio lá dos "Istaites" (ele não tinha sotaque
britânico), ficou três horas, de pé, numa fila enorme, tava diante
do quadro mais famoso do mundo, só tinha alguns segundos pra apreciá-lo porque
os guardas ficavam mandando as pessoas saírem logo pra dar a vez aos próximos
e só conseguia enxergar aquela manchinha! Que triste isso...
Voltando à minha inquietação inicial, fico
pensando: "Se eu tivesse agido diferente naquele exato momento da
apresentação, será que eu teria saído sem essa mácula? Será que eu teria
ajudado aquelas pessoas a olharem pro quadro ao invés de olharem pra
"manchinha" no vidro? Será?" Nunca saberei...
Aí, duas coisas me curaram da
tristeza: A primeira foi uma palestra que assisti no 2º Congresso de RH do
ABC, brilhantemente conduzida pelo Mário Sérgio Cortella sobre
Espiritualidade, cuja proposta era pensar sobre a vida. O que, na nossa vida,
considerávamos essencial e o que considerávamos fundamental. Essencial é aquilo
que não pode não ser. O que faz com que a gente não desperdice
a vida. Tipo Amor, por exemplo. No meu caso, Amor é essencial. Fundamental,
é o que dá apoio pra gente chegar ao essencial. Dinheiro é fundamental,
não essencial. Sem ele temos problemas, só ele não nos basta. Ele é um meio,
não um fim. Carreira é fundamental, não essencial. Ela é apenas uma das
formas que temos de nos expressar na vida. Expressar-nos é essencial!
Essa reflexão me salvou porque, pra mim,
conseguir que todas as pessoas saíssem daquela sala felizes, era
fundamental. Que a pessoa que amo tivesse um espaço pra se expressar, sem
nenhum prejuízo real pra ninguém, era essencial.
Se eu tivesse impedido o episódio; se eu não
tivesse deixado acontecer; se eu o tivesse controlado mais firmemente;
se...
Mas eu vou dormir agora com duas certezas: A
de que fiz o que era essencial e uma frase profundamente sábia da filósofa
mirim Daniela Cozzo Olivares, minha irmãzinha caçula, que me diz sempre:
- "É. Se eu plantasse um pé de 'se',
talvez nascesse alguma coisa."
Grande Dani! Você, às vezes, é melhor
que maracujina.
Beijos sabor erva cidreira (adoro erva
cidreira e ainda me acalma "as tristeza")
Inês Cozzo Olivares
SP, 14/11/2009
Eu e a música
Vocês sabem
que quando estou triste, o que mais faço é ouvir música, né? Então, tenho
ouvido muita música ultimamente... Por causa do meu vaso
Ming... Aquele que quebrou...
Não sei se
contei pra vocês, mas, pra funcionar como remédio, não podem ser músicas que a
gente associe ao que (ou à quem) nos deixou triste, pra início de conversa,
porque isso só aumentaria a produção dos mesmos peptídeos que
"produzem" tristeza, ou seja, é suicídio em câmera lenta. Não,
não. Tem que ser músicas que simplesmente te coloquem pra cima. Sem motivo
nenhum.
Burt Bacharach faz
isso comigo. Ray
Conniff, Beatles, Lighthouse Family e Carpenters também. E
toda a trilha sonora do filme "Escrito
nas estrelas" (Serendipity). Melhor deixar isso de citações prá lá que
a minha lista é enorme. Insana mesmo. Na minha última contagem, eu tinha quase
11 mil músicas no meu iTunes. São 32,4 dias de músicas sem desligar nunquinha.
É insano ou não é?
1973, foi o ano em que eu
descobri o Amor. Eu tinha 11 anos de idade e sentava na mesma carteira que ele.
Naquela época era assim, duas crianças dividiam uma mesma carteira. Estávamos
no último ano do primário; dividíamos o lanche e eventuais (bota eventuais nisso) doces,
comprados no carrinho que ficava na porta da escola. Particularmente a paçoca
AMOR.
Às vezes a
gente esquece que coisas simples como estas são profundas e importantes. E elas
nos fazem um bem enorme. Deveríamos nos lembrar mais vezes. Vou instituir o dia
internacional de só lembrar de coisas boas. Como será que se institui um dia
internacional?
Aqui acho
importante fazer uma observação, pro bem do meu casamento, que fez bodas de
prata em maio deste ano. É sobre velhos e novos amores. Tem um trecho na letra da
música Monalisa do Jorge Vercillo que eu acho
genial. Ele diz:
Não é
genial? Ele coloca seu amor atual como sendo seu objetivo maior na vida --
aquilo para o que ele se preparou a vida toda -- e ainda assim engrandece todos
os seus amores passados na medida em que o tornaram um ser humano melhor! Eu
sonho com um tempo em que todos e todas terão uma visão semelhante. Enquanto
isso não acontece, ofereço meu ombro amigo aos que sofrem de ciúme. É gente pra
chuchu. De vez em quando, até eu "escorrego"...
Como eu
dizia, há alguns parágrafos atrás, tem essa música Reflections do Burt
Bacharach que, tanto letra quanto música, me fazem sentir muito bem sempre
que tenho dúvidas sobre mim e minhas circunstâncias ou estou triste.
Claro que
preciso fazer minha própria transdução na letra. Transdução, em Biologia,
significa transferir o material genético de uma célula para outra, e isso é
feito ou por intermédio de um vírus ou de um bacteriófago. Deve ser o máximo
poder dizer: "Profissão? Bacteriófago". O sujeito deve ganhar o
respeito do ouvinte imediatamente. Eu acho.
Mas, em
Física, transduzir é transformar uma energia em outra de natureza diferente. Magic.
Tradução é tão literal quanto seja possível (respeitadas as culturas e formas
diferentes de transdução de mundo). Transdução é precisamente o oposto. E as
palavrinhas são tão parecidas... Não é mágica a linguagem?
Sempre que
você quiser impressionar uma platéia e não estiver a fim de ficar dizendo:
"se você é homem, pense na sua esposa; se é mulher, pense no seu
marido" toda hora, diga apenas "Vou falar do meu caso e você faz sua
própria transdução para o seu caso, ok?" Nossa. Impressiona muito.
Experimenta.
Pois então,
neste caso, transduzir quer dizer que, quando, na música o compositor diz
"Quando você olha para si mesmo, você gosta do que vê?",
transformo o sentido literal (no espelho eu vejo meu corpo; o
"tangível") para o sentido poético, metafórico (minha alma, psiquê,
personalidade e por aí vai...; o intangível).
Às vezes,
eu me esqueço quem sou e minha visão de tornar este, um mundo melhor do que era
no dia anterior ou, mesmo, há um segundo atrás. Trabalho de formiguinha, claro.
Sei que não farei isso sozinha, mas também sei que, sem mim, isso não será
feito. Essa consciência me impulsiona pra minha missão que é a de me tornar uma
pessoa melhor. Não melhor que outra pessoa. Melhor que eu mesma, ontem. Gosto
também de ajudar quem o desejar, a fazer o mesmo.
Sempre que
me esqueço disso, e é quase sempre quando fico triste, essa música me coloca
nos trilhos de novo. "Se você gosta do que vê, você é a pessoa que você
deveria ser". E, quando não gosto do que vejo, tomo uma atitude para
mudar. Pode ser voltar a fazer o que fazia e parei ou mudar radicalmente mesmo.
Tudo depende da consciência que surge e que, antes não havia.
Não sei se
vocês sabem, mas não existe isso de perder a consciência adquirida. Einstein
disse que a consciência que se expande, nunca mais volta ao seu tamanho
original. Claro que ele não estava se referindo a metros ou coisa que o valha,
mas à capacidade de compreensão dos mecanismos do Universo.
Pois é. Eu
posso, depois de saber que meu papel de bala no chão contribui pras enxentes,
continuar, por automatismo ou conforto, jogando o benditinho, mas não posso
dizer, nem pra mim, nem pra ninguém "Eu não sabia", certo?
"Porque
seus reflexos refletem em tudo que você faz, e tudo que você faz, reflete em
você". Não que eu já não soubesse disso antes de ler a letra da
música, mas, puxa vida, quanta coisa eu já "sabia" e, simplesmente
deixei de praticar uma ou outra vez. Sempre que a emoção "pilota"
minha vida, a minha pobre e indefesa razão "dança". Eu já expliquei
isso antes, né? Por isso é bom ter um algo ou um alguém te
"cutucando" de quando em vez. Pode ser um filme, um texto, uma
imagem, uma história, uma vinhetinha de TV ou uma música.
Eu queria
que todas os artistas do mundo tivessem essa consciência. A consciência de que
eles educam ou deseducam mais que os pais, a escola e a sociedade JUNTOS!
Então, eles passariam a só educar e pra um mundo melhor com pessoas cada vez
melhores.
Fique com a
música. Ela vai levar você muito, muito mais longe do que eu seria capaz
escrevendo "um monte" aqui.
Beijos
sabor doce de cidra
Uma mistura
do amargo da tristeza pelo meu vaso Ming com o doce das músicas que tratam de
curar minha tristeza
When
you look at yourself do you like what you see?
Quando você olha
para si mesmo, você gosta do que vê?
If
you like what you see you're the person you should be
Se você gosta do
que vê você é a pessoa que você deveria ser
Cause
your reflections reflects in everything you do
Porque seus
reflexos refletem em tudo que você faz
And
everything you do reflects on you
E tudo que você
faz reflete em você
When
you wake up each day do you like how you feel?
Quando você
acorda cada dia, você gosta de como você se sente?
If
you like what you feel you've got nothing to conceal
Se você gosta do
que sente, você não tem nada a esconder
Cause
your reflections reflects in everything you do
Porque seus
reflexos refletem em tudo que você faz
And
everything you do reflects on you
E tudo que você
faz reflete em você
Doing
something for someone else
Fazendo alguma
coisa pra alguém
Isn't
really for someone else
Não é realmente
pra outra pessoa
It
does twice as much for you as something you do
Isso faz duas
vezes mais por você do que algo que você fêz
Just
for yourself
Apenas pra si
mesmo
When
you lay down to sleep do you like all your dreams?
Quando você se
deita pra dormir, você gosta de todos os seus sonhos?
If
you like all your dreams life's as happy as it seems
Se você gosta de
todos os seus sonhos, a vida é tão feliz quanto parece.
Cause
your reflections reflects in everything you do
Porque seus
reflexos refletem em tudo que você faz
And
everything you do reflects on you
E tudo que você
faz reflete em você
Você também tem um Ming?
Você sabe o que é uma relação "Vaso Ming"? Eu vou te contar. Mas antes,
preciso que você saiba o que é exatamente um Vaso
Ming. É uma peça de colecionador. Um vaso da famosa Dinastia
Ming. Ming foi o "cara" que governou a China de 1368 a 1644. Um desses vasos alcançou o preço record de 8
milhões de euros em leilão, pela Casa Christie's! Imagina só isso! 8 milhões de
euros!
Já deu pra perceber que um vaso Ming é uma
preciosidade, né? Então, é isso. Estou querendo saber se você tem uma relação
com alguém muito, mas muito precioso mesmo pra você. Eu tenho. Acho que
todo mundo tem.
Um vaso Ming é algo que você entende que é
valioso, insubstituível, único no mundo -- não existem dois iguais,
sabe? Por isso, a gente cuida dele de uma forma que não cuida de nenhum outro
vaso. Olha pra ele com um orgulho que não tem por nenhum outro vaso. Fala dele
com uma alegria e felicidade que não sente por nenhum outro vaso. Aliás, a
gente nem fala de outros vasos quando tem um Ming. Pra quê? Só ele vale a pena.
A gente sabe que um Ming não é pra
"qualquer um" e que, por isso mesmo, ter um é como ganhar na loteria,
como ser um "escolhido" entre tantos outros "mortais". É
como ser alguém especial. Tão especial quanto o Ming que temos.
É, decididamente, a gente é muito feliz
quando tem um Ming só nosso...
Acontece que o meu Ming sofreu um acidente.
Você sabe, acidentes acontecem. Digamos que alguém, desastradamente, derrubou
meu Ming e ele trincou. Chegou mesmo a quebrar um pedacinho na borda. Mas, é
claro que, sendo uma preciosidade, era impossível pra mim simplesmente jogá-lo
fora. Então, eu fiz o que qualquer um no meu lugar faria (eu acho); colei com
super bonder. Ficou feinho, mas, pelo menos, estava inteiro de
novo.
Era fundamental também esconder das pessoas
a parte danificada, compreendem? Eu queria que todo mundo continuasse achando
meu Ming maravilhoso. Afinal, um vaso Ming não deixa de sê-lo só porque
está colado, deixa? Ou será que eu tava me enganando...? Uma
coisa é certa, um Ming trincado não vai a leilão, nem vale 8 milhões de
euros, vale? Então, eu temo que ele só seja mesmo um Ming pras pessoas que vêem
de longe e só a parte "boa" dele.
Algumas vezes, secretamente, eu acho que
escondi das pessoas que ele estava trincado porque eu me sentia especial com
ele e, se ele deixasse de ser um Ming, eu poderia deixar de ser
especial.
Não importa. O que importa é que a única
maneira de esconder o "defeito" do meu Ming, era virar a parte
"estragada" para a parede, de modo que ninguém jamais a visse.
Desconfio que fiz isso também pra que eu não ficasse vendo que ele não
era mais o mesmo. Claro que, neste caso, eu também não podia deixar as
pessoas chegarem muito perto dele ou tocá-lo, porque isso denunciaria minha
farsa, não é mesmo? Então, desde o acidente, eu não falo mais do meu vaso Ming.
Também não chamo mais a atenção das pessoas pra ele, nem sinto mais orgulho em
tê-lo comigo. Ele apenas está lá. É triste.
As pessoas continuam elogiando a mim e ao
meu Ming. Elas ainda o acham o máximo e me dizem:
- Ah danadinha... escondendo o ouro, heim?
Nem contou que tinha um Ming!
Eu as escuto e sorrio. Elas não sabem que
meu vaso não é mais um Ming. Mas eu sei...
Agora, fico feliz e aliviada em saber que,
por mais que a metáfora se encaixe na minha experiência nesse momento, do meu
amigo-ming que me decepcionou profundamente, gente não é vaso. Então eu
devo sarar loguinho dessa tristeza... E, quando eu conseguir separar os
comportamentos do meu amigo da pessoa que ele é, meu Ming voltará a valer 8
milhões de euros. Pelo menos, pra mim...
Beijos sabor "quase lá"...
Inês Cozzo Olivares
13/10/09
Os 9 pecados capitais
Eu e o Luís Fernando Veríssimo temos algo em comum, pra mim também a musa inspiradora, na maioria das vezes, é meu prazo de entrega. Mas nunca aqui. Nunca neste espaço de escrever o que penso e sinto. Por isso ele é meu oásis. Aqui só escrevo o que quero, quando quero e como quero. E só se eu sentir pra valer. Felizmente tenho encontrado muito eco por aí. Que bom! Isso me deixa muito feliz.
Hoje, duas coisas me ocuparam muito o pensamento. Ter revisitado um filme que me impressionou muito e o fato de ter pensado coisas que o Papai do céu não aprovaria. Ou seja, pequei. Em pensamento, mas pequei. Vejam só que imprudência a minha, fazer isso tão próximo do Natal. Claro que ninguém, além de mim, faz isso, certo? Pensar coisas que supostamente não deveria pensar. Então, o mundo tá salvo. Mas só to contando porque vocês não sabem mesmo o que foi que eu pensei. Nem vão saber. Estou protegida por uma condição incontestável:
O coração nasceu mudo Deus fê-lo assim de prudente Para que não conte tudo O que vai dentro da gente (Floriano de Lemos)
Eu li essa trovinha quando tinha mais ou menos 10 anos de idade. Ela veio de brinde no saquinho de Gotas de Pinho Alabarda (alguém lembra disso?), que eu adorava na época. Eram balinhas de menta com açucar cristalizado que derretiam no calor e melavam tudo. Mas é bem capaz de eu ter sido mais apaixonada pelo brinde do que pelas balas propriamente ditas. Eram adesivos com a figura de duas pombinhas se "beijando" de fundo e diferentes textos, pra colar no caderno. Os meus eram cheios desses adesivos. Frases de efeito e trovas... de amor, claro. Eu sempre fui muito romântica. É claro também que eu não me lembrava do nome do autor porque a lição foi tão impactante que superou o mestre e eu o esqueci. E viva o Google! Também não me lembrava do nome das balinhas. Afinal eu tinha só 10 anos, mas o Tuim (meu marido) já tinha 23. Ele lembrou. Ele é meu "fornecedor" oficial de informações como a maioria das pessoas já sabe. Todas e quaisquer. Coisa de geminiano. Mas o ascendente devia ser em biblioteca. Não é, mas devia. Só pode. Ainda bem. Conheço um monte de gente que deve ter ascendente em porco-espinho...
Bom, o fato é que essa trova-verdade me acompanha desde então. Toda vez que eu penso algo sobre o que minha consciência manda uma alarme do tipo: "se fulano soubesse que você pensa ou sente isso, ai, ai, ai", a frase surge imediatamente: "O coração da gente é mudo..." e eu completo apenas com um "Graças a Deus" e isso me faz um bem danado.
Sabe aquelas coisas de ouvir uma pessoa arrogante e cheia de si mas que na verdade, pobrezinha, é fraquinha, fraquinha e pergunta pra gente: "E então? O que você achou? Não tá o máximo?" E você faz "Hummmm..." como quem tá pensando no adjetivo mas tá mesmo é ganhando tempo e ela tá tão hipnotizada pela própria obra que nem nota e aceita o "Hummmm" da gente como se fosse o prêmio Nobel? Pois é, essa é uma dessas horas em que penso: "O coração da gente é mudo..." e agradeço silenciosamente por isso.
Sempre que eu penso algo que não deveria pensar, como se não pensar fosse possível, essa trova vem me acalmar os medos e eu simplesmente fico em silêncio, devidamente protegida pelo fato de que "o coração da gente é mudo..." graças a Deus. Acho que eu queria te "emprestar" esse meu recurso. Espero que você faça bom uso dele nos momentos adequados.
Agora, existe um tipo de silêncio que eu acho que a gente deveria rever. E foi revisitando o tal filme que me impressionou muito que me dei conta disso.
No filme "O caçador de pipas" de Khaled Hosseini, em conversa com seu filho Amir, Baba afirma que existe apenas um pecado no mundo: o do roubo. Aí, ele explica essa afirmação, dizendo ao filho:
- Quando você deixa de dizer para alguém alguma coisa que você acredita ser "verdade", você está "roubando" o direito dele saber o que você sente a seu respeito. - Quando você mata alguém, você está "roubando" o direito de outras pessoas conviverem com a pessoa que você matou. - Quando você "maltrata" alguém, você está "roubando" o direito dessa pessoa de ser feliz. - Quando você mente para alguém, você está "roubando" o direito dela conhecer a verdade.
Aí eu fiquei pensando: "Caramba! Será que isso se encaixa em absolutamente tudo!"?
Quando eu me calo diante de uma injustiça, estou "roubando" do mundo a oportunidade de, conhecendo-a, lutar contra ela. A omissão é um roubo de direitos? Um "roubo" de exercício de cidadania? Ou "viajei" grandão aqui?
Mais que isso, eu fiquei pensando, será que posso usar esse princípio, por exemplo, para reduzir os 7 pecados capitais à apenas um? Roubo? Trocar 7 por apenas um me parece um ótimo negócio, não te parece?
Bem, não sei se vocês sabem, mas eram 9 os pecados capitais, aí a Igreja achou por bem juntar dois em um (orgulho e vaidade) e suprimir o outro, a culpa que, aliás, passou a ser uma "ferramenta" ao que a História mostra. Interessante, não?
Mas vamos ver o que acontece quando penso em cada um dos que "sobraram" sob a ótica da personagem Baba de "O caçador de pipas".
Orgulho/Vaidade: Ah! eu acho que "roubo" do outro o direito aos seus próprios méritos. Sabe? Algo como "I'm the best. Fuck the rest." Ops... Nome feio... Lá se vai outro presente de Natal...
Ira: Me parece que "roubo" do outro a razão, através da agressividade ou mesmo da violência. Pra dizer o mínimo, porque, dependendo da intensidade da ira, há quem "roube" a própria vida do outro. Pelo menos isso é o que eu vejo por aí quando observo as atitudes de pessoas iradas.
Melancolia: Essa ficou curiosa pra mim. Eu tendo a me "retirar do mundo" quando estou melancólica (ah! sim. eu fico melancólica às vezes). Então, eu estaria "roubando" daqueles que me amam, o prazer da minha presença? Ou será que seria mais para, já que os problemas são parte da minha vida, se eu me recolho em mim mesma e não os divido com alguém, eu "roubo" de quem me ama a chance de me amar o bastante e mostrar isso me dando apoio e suporte emocional? Preciso pensar mais nisso...
Inveja: Seria, talvez, "roubar" de alguém o direito de ser melhor que eu em alguma coisa? Quando me pergunto "Porque ele tem (é, consegue, pode) e eu não?", estaria eu "roubando" dele o direito de ter (ser, conseguir, poder) o que não tive (fui, consegui, pude) por ele ter feito algo num momento qualquer e eu não? Com a inveja sempre vem a crítica. É uma pena porque, que eu saiba, tornar o outro pior, não faz ninguém melhor. No Islã, a inveja é um pecado tão terrível que, para certificarem-se de não o estar cometendo, quando as pessoas dizem "Que belo carro" imediatamente dizem também MASHAALLAH que significa "é a vontade de Deus". Gostei. Acho que vou adotar pra mim.
Gula: Se eu como mais do que necessito, estaria roubando de alguém o direito de também se alimentar? Olho à minha volta e vejo tanta gente acumulando a ponto de deixar estragar sem distribuir. Isso dói. Dói mais ainda pensar na ironia (será esse o melhor adjetivo?) de que vivemos num mundo capaz de distribuir, no mínimo, um e-mail gratuito para cada humano e humana do planeta, mas não desenvolvemos a capacidade de distribuir um prato de comida grátis para cada humano e humana. Que pena que as pessoas não sejam virtuais... Luxúria: Hummm... Como ficaria esse aqui? O que eu estaria roubando de alguém neste caso? O Marquês de Sade
disse que não existe paixão mais egoísta que a luxúria. Então, partindo
deste prisma, o que eu poderia estar "roubando" do outro...? Não
consigo. Simplesmente não consigo encontrar algo pra essa aqui. A
definição de Luxúria diz que ela seria uma porta de acesso a outros
pecados, tipo masturbação. Bem, tá na Bíblia... Já o Woody Allen
disse: "Não despreze a masturbação. É fazer sexo com a pessoa que você
mais ama." Faz sentido... Foi ele também que, ao ser questionado sobre
se achava o sexo sujo e indecente, respondeu "Nem sempre. Só quando é
bem feito". Mas eu devo ter sérios problemas com este aqui porque, se
não vejo problema nele, o problema devo ser eu. Agora eu to
seriamente preocupada comigo... Mas, espera só um meio minuto! Se eu
considerar as formas de prazer que ferem quem não quer ser ferido
incluídas aqui, então dá pra ver como sendo o "roubo" do direito do
outro ao seu próprio tipo de prazer, não dá? Ufa! Que alívio! Dessa eu
escapei.
Avareza: Essa é meio óbvia, não é? Tem cheiro de "roubar" exatamente da mesma forma que comida, só que, neste caso, o acúmulo é de dinheiro mesmo. Será que esse povo não vê que caixão não tem gaveta? Se não vai levar pra quê acumular? Só pra lembrar, avareza tá "um tom" acima da simples cautela, certo? Uma vez eu li essa impressionante teoria de um economista que dizia que se toda a riqueza do mundo fosse dividida igualmente entre a população economicamente ativa do planeta, qualquer um que ganhasse mais que US$ 1,77 (se não me falha a memória) estaria "roubando" de alguém o direito à sua parte. Impressiona, não impressiona? Eu fiquei pensando um bocado, desde então...
É... viver pode ficar bem complicado quando se começa a ter consciência...
Agora preciso mesmo confessar algo. Eu não sei se acredito em pecados. A Adriana Falcão, diz que pecado é uma coisa que os Homens inventaram e, aí, inventaram que foi Deus que inventou. Eu acho que concordo muito com ela nisso. Então, é claro que preciso fazer alguma coisa com isso, entendem?
Acho que vou por aqui, querem ver? Também mexeu muito com minha cabeça uma proposta do Allan Ferraz dos Santos Jr. durante o seminário Trilogia do fluir (espetacular!) em junho deste ano realizado pela OMNIS MIND. Na minha modesta opinião de estudiosa da PNL desde 1984, o Allan é o melhor master trainer em PNL Sistêmica da América Latina! Eu estava neste seminário quando ele nos fez uma proposta interessantíssima. Deveríamos pensar em cada um dos pecados capitais, não como pecados, mas como características humanas e em como elas seriam se as pessoas estivessem atuando na vida com essas características bem centradas e equilibradas.
Vejam que interessantes as possibilidades.
A gula com centro se transforma no prazer de comer, respeitando a saciedade; a avareza, em economia; a luxúria em desejo e busca saudável pelo prazer de ambos; a ira em assertividade e/ou coragem; a melancolia em interiorização e reflexão, respeitando nossa necessidade de nos isolarmos quando a tristeza aparece; a inveja em admiração com consciência pelas qualidades de quem admiramos e o orgulho/vaidade em auto-estima e consciência do próprio valor, independentemente do que outros pensem a nosso respeito.
Eu adoraria saber de outros pontos de vista sobre isso... Que bom que é só responder por aqui mesmo.
Resta saber, se a danadinha não tivesse sido retirada da lista de pecados capitais, o que seria a culpa com centro, com equilíbrio... Vou deixá-los com as reticências para que saboreiem as possibilidades por si mesmos(as) e porque mesmo a Lua, às vezes, tem o formato de vírgula pra mostrar que nem no infinito, existe um ponto final.
Beijos sabor morango com chocolate (isso seria luxúria ou simples gula? Santa dúvida Batman!) Inês Cozzo Olivares SP, 19/10/09
Mas...
Você já percebeu o estrago que uma simples palavrinha pode fazer? Uma
palavrinha de nada... três letrinhas... que podem deixar a gente muito
feliz ou arrasado. Já notou? Pois é. Acontece. Não sei se você tem
consciência de que é essa palavrinha que estraga tudo ou anestesia
dores, mas o fato é que a Neuropsicologia
já provou isso, sabe? Com tudo quanto é equipamento que precise pra
dizer que tá provado, aliás. Então pensei "Por que não fazer uma
crônica sobre isso?" O "troço" é um bocado técnico. Vamos ver no que é
que dá... Quem sabe eu não invento, como me sugeriram, as
Neurocrônicas. Tomara.
Veja se você consegue ver o desenho da boca se formando quando você diz à alguém:
- É possível, mas é difícil.
E se consegue ver o desenho exatamente oposto quando diz:
- É difícil, mas é possível.
Consegue?
Eu consigo. Aliás, eu já vi muuuito isso acontecer. Isso já aconteceu
comigo! De dentro pra fora. E as palavras são EXATAMENTE as mesmas!
Todas as cinco!
Eu tava assistindo ao seriado Friends -- pela milésima vez, claro, porque ele é muito genial pra ser visto uma vez só -- quando me deparei com essas duas cenas.
Só pra contextualizar, Friends é uma sitcom
(abreviatura em inglês para "comédia de situações") com 6 amigos, 3
homens e 3 mulheres, de personalidades bem diferentes e suas situações
cotidianas hilárias ou emocionantes, mais hilárias que emocionantes,
diga-se de passagem.
O episódio em questão é aquele em que a Rachel (Jennifer Aniston)
está morrendo de amores por um cliente chamado Joshua e consegue
arrastá-lo pro apartamento dela com a desculpa de uma festinha de
bota-fora pra namorada do Ross (David Schwimmer). Depois de uma cena hilária onde ela "paga um mico federal" vestida de Cheerleader -- animadora de torcida -- by the way, neste link você verá meu sobrinho Andrey "zoando" no Powder Puff CheerJuniors nos EUA onde foi cursar a High School.
Achei que seria mais divertido assistir a um monte de moleques "tirando
onda" de menina do que às próprias. Os homens que me perdoem se queriam
ver "filezinhos", como se diz em Fortaleza, segundo minha cliente e
amiga Beth da J. Macêdo! Imaginem... filezinhos... Melhor nem comentar.
Retomando,
no seriado, eles, Rachel e Joshua, vão pro quarto dela conversar e ela
confessa que está muito interessada nele e ele admite que está muito a
fim dela também, mas... e ela
imediatamente o interrompe e diz: "Oh! Não! Sem mas..." com carinha de
"cachorro pidão", sabe como? Aí ele diz "Tá bom... sem mas." E
prossegue dizendo: "No entanto" ao que ela interrompe outra vez, já bem
desanimada e diz "Isso é só um 'mas...' de luxo". Aí ele vai explicar
pra ela que tá saindo de um relacionamento agora e que talvez esse não
seja o melhor momento pros dois, e blá, blá, bla porque ela não tá
ouvindo mais nada, claro. Só sofrendo.
Pois é, você já ouviu falar em Marilyn Ferguson? Ela é a autora de um best-seller chamado A conspiração aquariana, que marcou época e é mesmo fabuloso! Ela também criou um boletim na década de 70 chamado "Brain/Mind Bulletin"
e esse boletim trazia uma série de informações sobre pesquisas de ponta
da época, popularizando as idéias de neurocientistas como Karl Pribram e Candace Pert, físicos como Fritjof Capra e David Bohm, psicólogos como Jean Houston entre outros.
Num
desses boletins, ela publicou uma experiência genial que mostrava como
a palavras "mas" e todos os seus sinônimos (porém, contudo, entretanto,
todavia, no entanto...) agia sobre nosso cérebro/mente.
Por
ser uma conjunção adversativa, sua função é justamente opor as duas
partes de uma sentença. Ora, o que se opõe, se não "apaga" o que veio
antes, no mínimo, reduz a potência.
Imagina a cena:
Ela: Tô bem assim? Ele: Tá ótima, mas tem que ser esse sapato mesmo? Ela: Mas o quê? O que é que tem meu sapato? (já decepcionadíssima porque, convenhamos, ótima uma ova, tem um "mas" aí) Ele:
Antes do fim da festa você vai ficar me infernizando pra voltar, que
não aguenta mais, que isso e que aquilo, e seu sapato tá te matando... Ela: Mas
eu não vou mesmo! Eu não faço essas coisas! (a gente nunca tem
consciência que faz essas coisas. Aliás, vocês se surpreenderiam como a
consciência da gente é seletiva...) Ele: Ah! mas vai MESMO que eu sei. Já vi esse filme...
E, de mas em mas, a guerra tá armada. Aliás, pra que tanto "mas" afinal? O que aconteceu com a conjunção aditiva? Lembram do E?
Tão bonitinho ele. Sabia que o outro nome da conjunção aditiva é
copulativa? Sério! Duvido que se alguém te explicasse na escola o que é
copular, você ia esquecer essa conjunção, mas duvido mesmo! Nessa idade
os hormônios estão simplesmente explodindo! E duvido que você não a
preferisse ao 'mas'. Duvido!
Na prática, imaginem isso:
Ele: Tá ótima! E ficava melhor ainda com aquele sapato baixinho, super elegante, de ontem.
Quem
discute com um ótimo somado à outro? Lembra? E? Conjunção aditiva?
Adicionar = somar? Isso MAIS aquilo? Aliás, por que cargas d'água, nas
aulas de português, não nos mostram as vantagens de falar ou escrever
bem NA VIDA? Não pra prova; pra vida! Diz pra mim que entendendo a
diferença entre as conjunções (palavras de ligação entre frases numa
mesma sentença) eu vou conseguir ser mais feliz na vida e eu juro que
aprendo! Mas me conta o efeito de cada uma,
sacou? Por que é aí que mora o perigo! Mas é aí também que está a chave
do sucesso em termos de comunicação: Em saber os efeitos que as
construções semânticas causam na gente. Porque causam. E como causam.
O
negócio é que essa pesquisa publicada pelo Brain/Mind Bulletin mostra
que sujeitos em conversação livre, apresentam um tamanho de onda no EEG (eletroencefalograma) maior após o 'mas'. Por exemplo, na sentença:
Sujeito A: - Concorda? Sujeito B: - Eu concordo, mas to achando melhor rever.
O
sujeito A, apresenta um cumprimento de onda muito maior após o mas do
que apresentava antes, isto é, ele está processando praticamente só a
segunda parte da sentença! Neste caso, o "acho melhor rever"! A
primeira -- concordo -- apagou-se da mente ou perdeu força, logo não
adianta nada tentar amenizar com uma concordância primeiro. Dããã...
Coisas como: - Você é um ótimo funcionário, mas... - Você é um super amigo, mas... - Eu te ajudo, mas...
Esquece! Esquece o ótimo, o super, o ajudo. Esquece tudo! Deu em nada!
Lembra
que eu disse no início que eram duas cenas no mesmo episódio de
Friends? Então, na segunda, a Rachel tá sentada na escada da entrada do
apartamento, curtindo uma dor de cotovelo básica, quando vê o Joshua,
voltando. Ele se aproxima dela e diz: - Fiquei pensando muito sobre nós e, bem, ainda é verdade que estou recém saindo de um relacionamento e meio machucado, mas... Ao que ela, imediatamente o interrompe e diz: - Ah! Aí está! Desse 'mas' sim eu gosto! Eles riem e, claro, dão um beijo daqueles de estimular cachoeiras de endorfina na corrente sanguínea.
É simples assim, basta inverter a ordem das coisas, por exemplo: - Você tem se atrasado ultimamente, mas é um ótimo funcionário de modo geral. O que tá acontecendo? - Você me deixou falando sozinho ontem, mas é um super amigo. Não entendi. O que aconteceu? - Eu não tenho a parte da manhã, mas te ajudo à tarde ou à noite.
E por aí vai...
Eu, por exemplo, adoraria continuar escrevendo, mas preciso parar agora porque postar aquele video do beijo no YouTube mexeu com toda minha produção de neurotransmissores... (neurocientistas são maus... muito maus... mas podem ser bem instrutivos e divertidos também quando querem...)
AQUI "moram" todas as crônicas que "já nasceram" e que adoram receber visitas...
Você ama alguém imperfeito?
Eu amo.
Eu amo muito uma pessoa imperfeita. Uma pessoa com
vários, não apenas um, vários defeitos. Até porque, a perfeição seria
um tédio! Mas pode ser também porque me vejo nessa pessoa mais vezes do
que tenho consciência.
Eu já percebi que me vejo nessa pessoa
que eu amo muito, sempre que faço algo pra me sentir feliz sem me dar
conta do quanto poderei magoá-la; ou do quanto posso prejudicar essa
pessoa ou alguma outra! Mas, tudo que eu queria quando fiz o que fiz,
era me sentir feliz... Nunca imaginei que isso pudesse ferir alguém que
eu amo. Como explicar isso depois do estrago feito? Como explicar que
ninguém faz nada para o meu mal, apenas para o seu bem? Alguém que já
tenha passado por isso, saberia me responder?
Eu também já notei
que me vejo nessa pessoa que eu amo muito, todas as vezes (são mesmo
muitas) que eu faço algo por ela sem perguntar antes à ela se ela
desejava isso naquele momento. Sabem o que é mais louco? É que, algumas
das vezes que faço o que depois descubro que não foi bem recebido, eu
nem tinha tempo ou boas condições financeiras pra fazer, foi um esforço
danado mas parecia que a intenção era tão boa que justificava... Vocês
podem imaginar quanto me dói ver que a chateei ou irritei quando, além
de ter a melhor intenção do mundo, ainda me prejudiquei um pouco -- ou
muito?
Eu me vejo nessa pessoa que amo também quando ela faz
algo de que discordo, eu a alerto para o perigo que corre e ela me
ignora. Me parece que não se importa com a preocupação que tenho por
ela... Me vejo nessa pessoa porque, meus pais fizeram muito isso comigo
e eu os ignorei. Paguei o preço das consequências mas feliz por estar
me sentindo livre para errar do meu jeito. Como é que diz mesmo a
música? "Se chorei ou se sofri, o importante é que emoções eu vivi..." e cresci.
Não
é fácil admitir que alguém não veja o mundo da mesma maneira que eu
vejo. Afinal, minha forma de ver o mundo é tão melhor, mais precisa,
mais verdadeira, mais saudável, mais próspera, mais... Ou não é...? É?
Eu
sei como uma pessoa que amo muito poderia educar seus filhos, por
exemplo. E eu nem tenho filhos! Mesmo que tivesse, não seriam AQUELES
filhos. Mas é claro que eu sei. Sou uma pessoa "estudada". Eu sei e
pronto! Ou será que não se aprende tudo na escola ou na faculdade? Será?
Eu
sei como uma outra pessoa que amo e quero ver feliz deveria conduzir
suas relações com o mundo. Por que, cargas d'água ela não faz do meu
jeito? Por quê? Ela seria tão mais feliz! Eu sou. Não sou? Sou?
Mas estas são apenas algumas das coisas que eu já enxergo. Que fazer a respeito daquelas que eu não vejo? Que estão no meu ponto cego?
Eu
sou tão diferente de todo mundo e, ainda assim, tão igual! Tem razão a
ativista espiritual, autora, palestrante e fundadora da Peace Alliance, Marianne Williamson em seu best-seller "A return to love" (Um retorno ao amor)
quando diz que nós somos como os raios de uma roda, todos irradiando a
partir do mesmo centro. Se você nos define de acordo com nossa posição
na borda, ela diz, nós parecemos separados e distintos uns dos outros.
Mas se você nos define de acordo com nosso ponto de partida, nossa
fonte -- o centro da roda -- nós somos uma mesma identidade. Se você
for buscar bem fundo em sua mente e bem fundo na minha, a imagem será a
mesma: no âmago de tudo isso, o que somos é Amor.
Acho que só me
sobra pedir desculpas e rezar para que elas sejam compreendidas e
aceitas. Ou, quem sabe, eu possa prevenir quem eu amo sobre os riscos
de que eu venha a fazer estas coisas. Ou, talvez eu apenas siga vivendo
como todo mundo, só um pouco mais aberta a perceber que faço pra poder "disquerer"
fazer... Mas também desconfio que vale a pena tentar ir mudando
devagarinho essa mania de achar que minha verdade é mais verdadeira que
as outras verdades.
O que é a verdade se, quando a analisamos,
há sempre 3 situações "verdadeiras": a minha, a sua e a correta?
Etimologicamente, a palavra verdade vem de aletea: o que não é esquecido, o que se mostra, o que não pode ser deixado pra trás e caminha conosco o tempo todo. O contrário de letos, aquilo que é esquecido. O problema é esse... O que existem são verdades relativas.
O garotinho chegou pro pai e disse choroso: - Pai, eu não consigo dormir. Tem um monstro no meu quarto. E o pai amorosamente: - Filhinho, vai deitar. Monstros não existem. E o garotinho de novo - Eu não posso dormir. Tem um monstro no meu quarto e eu tô com medo. E o pai, pacientemente - Filho, monstro é coisa que não existe. E o filho, do alto da sabedoria dos seus 5 anos de idade: - Pra nós, existe.
Só os malucos acham que podem ser imperfeitos e, ainda assim, felizes, mas querem saber de uma coisa? George Bernard Shawtava certo: "Precisamos de algumas pessoas malucas, vejam só para onde as pessoas normais nos levaram."
Não acredito em treinamentos comportamentais. Pessoas são ou não são. Elas não mudam.
Calma! Não fui eu quem disse isso. Ainda não tô
doida desse tanto. Psicóloga que acha que pau que nasce torto até a
cinza é torta tem mais é que vender cachorro-quente em porta de
estádio. Não, não fui eu. Eu ouvi isso esta manhã de um amigo chateado
porque ouviu do Presidente da empresa para a qual ele empresta seus
talentos -- justamente na área que treina e desenvolve pessoas. Wow! Chupa essa manga!
Mas,
caramba, como é possível que alguém, que tenha chegado ao cargo máximo
em uma multinacional, possa ter uma crença dessas? Como é possível que
alguém, com qualquer idade, acredite que não mudou a vida toda? Será
que ele pensa que ainda tem as mesmas idéias, crenças e maturidade, pra
dizer o mínimo, de quando tinha 5 ou 15 ou 20 anos? Será possível que
ele acredite que ainda tem as mesmas habilidades, competências e
atitudes? Ou que pense que se fez 100% sozinho? Sem quaisquer
influências? Ah, não posso crer. O "cara" acabou agora com a Educação.
Tá certo que a "bichinha" tá mesmo meio capenga, mas não morreu ainda...
Ainda assim, uma coisa me "encafifa"
medonhamente. Pra essa criatura afirmar assim categoricamente que não
acredita em treinamento comportamental, alguma coisa aconteceu,
concordam? Isso não vem do nada, assim, sem mais nem menos. Se instalou
no "cafofo" da caixa craniana dele depois de alguma (ou muitas)
experiências negativas ou infrutíferas. Só pode. Porque doido não chega
a CEO,
chega? Melhor deixar isso quieto por agora. Vou apostar na primeira
hipótese, a de que o cidadão nunca, jamais, em tempo algum, em toda a
sua existência, teve uma experiência, umazinha só, que tivesse sido
transformadora ou produtiva com treinamentos, palestras, livros,
seminários, cursos... Vou parar, senão, daqui a pouco volto pra segunda
hipótese, aquela da doidice. Pra não dizer que, se ele atravessou a
vida até esse ponto, sem aprender nada com nada nem ninguém, quem tem
sérios problemas é ele!
Isso, porque ainda não comentei sobre a afirmação absurda de que pessoas não mudam. He-lo-ou! A gente muda a cada segundo! Só não tem consciente disso 24 horas por dia, senão pirava,
certo? Eu, por exemplo, tenho mais com que me preocupar do que com o
tamanho das minhas unhas (se não tiver uma festa arrrrra-sa-do-ra na
sexta à noite), elas vão se ocupar de crescer sozinhas. De mais a mais,
nem toda mudança afeta minha existência. A das unhas muito menos. Não
nestes tempo em que, o que Deus não dá, a mulherada vai e compra,
certo? Mas é muita mudança mesmo! Do ponto de vista da Neurociência,
cada hora ou momento do dia, apresenta uma frequência de luz e uma
temperatura e essas mudanças de luz e temperatura afetam profundamente
nossa competência porque afetam nossos estados pela produção de
diferentes hormônios e neurotransmissores. Não existe personne que, depois de almoçar não tenha que enfrentar um período pós-prandial e os Ciclos Circadianos. Comeu, vai sentir sono. É batata! Adeus competência! É só conhecer um tiquinho de Cronobiologia.
Aliás, é só ser Humano pra saber disso porque todo humano SENTE isso,
oras bolas. A ciência vai lá e só dá nomes pras coisas que a gente já
sabe; já sente.
Ah! Isso me lembra. Não existe essa história de que as pessoas resistem à mudança. Peter Senge em suas cinco disciplinas, colocou excepcionalmente bem essa questão. Pessoas não resistem à mudança, ele disse, resistem a serem mudadas.
Se, ao invés de perceber um aspecto de suas vidas em seus contextos,
comportamentos, capacidades ou crenças, perceberem-nas em suas
identidades, aí sim demonstrarão resistência. Por exemplo, algumas
vezes eu pergunto pras pessoas onde elas trabalham e escuto:
- Eu sou da Xiririca da Serra S/A
Juro que tenho vontade de responder:
- Sei... Eu sou minha mesmo, prazer...
Que coisa de maluco! Eu sou da... seja lá onde for??? Eu heim! "Coididoido"
(já repararam que eu tenho um fraco pelo jeitinho do interior de Minas?
Pois é, eu tenho messssss...)! Não é a toa que quando tem que sair, a
pobre criatura fica "sem chão". Ficou sem identidade, tem que ficar
"sem chão" mesmo.
Ou então, eu pergunto -- fingindo que acho que
aquela pessoa tá bem, tá saudável, que todos os parafusos tão nos
lugares e tal... eu pergunto:
- E o que você faz lá?
E a criatura me responde:
- Eu sou gerente comercial.
Mas outra vez??? Ninguém é gerente, as pessoas gerenciam uma área, não são nem a área nem o cargo nem a função! Depois eu é que sou esquisita, vão vendo...
Eu sigo o papo, vamos ver no que é que vai dar... Aí pergunto:
- E como você gerencia a área? (veja que eu tô tentando colocar as coisas de volta nos seus lugares, olha a intenção que linda)
Aí a criaturinha me responde:
- Ah... eu sou centralizador mesmo! Acho que as pessoas trabalham melhor se forem dirigidas.
Eu
já nem tô ouvindo mais os argumentos. Eu tô é seriamente preocupada com
o fato de que, além de tudo que percebi antes, agora vejo que o
camarada também colocou uma (dentre muitas) estratégias na identidade.
Vamos mal... muito mal... Esse cidadão vai mesmo resistir à mudança.
Vai resistir à mudança de empresa (se houver uma fusão, ele se mata; no
mínimo fica doente), vai resistir à mudança de área, de cargo, de
função e de forma de gerenciar. Qualquer consultor ou coach
vai "ralar" pra obter mudanças com esse aí. Ah, vai. Primeiro ele vai
ter que colocar tudo no lugar de novo pra depois propor alguma mudança.
Já tô cansada só de pensar. Depois ainda dizem que vida de consultor é
glamurosa. Sei...
Mas entendam, nem esse "serzinho" do meu
exemplo, nem nenhum outro, tá resistindo à mudança em si, tá resistindo
a ser mudado porque tá tudo na identidade dele. Como se eu tivesse
perguntado "Quem é você", não onde, o quê nem como. Dá uma pena...
Sabem, Níveis Neurológicos
são "coisinhas" delicadas de se "mexer" porque envolvem um bocado de
conhecimento sobre como gente funciona. Neste caso, em particular, é
importante você saber que, ao nível da identidade, corresponde o
sistema endócrino e imunológico
e que estes sistemas são responsáveis por nossas funções profundas de
sustentação da vida. Ninguém "sai bagunçando" as funções profundas de
sustentação da nossa vida assim, sem mais essa nem aquela, não senhor!
Seja
como for, voltando à visão extremamente limitada deste presidente, eu
lamento profundamente que ela esteja assim tão "adoentada", e, como Virgínia Satir,
diria ao meu amigo que ouviu isso e à todos e todas que, como nos dois,
trabalham com Treinamento e Desenvolvimento: Façamos algo pra mudar
esse estado de coisas -- urgentemente inclusive -- mas, enquanto isso,
não devemos permitir que as percepções limitadas das outras pessoas nos
definam. Aliás, eu pessoalmente, não permito que visão nenhuma defina
quem eu sou. Nem definição eu tenho, lembram? Sou um ser em constante
construção.
Criei uma palestra com esse título para o "Encontro com Notáveis"
em Manaus este ano. E a criei, num momento da minha vida em que um
determinado "erro" que cometi na adolescência ficou teimando em me
perseguir e cobrar uma solução quase 30 anos depois! Ele precisava se
transformar de reticências em ponto final...
A palestra foi,
pra mim, um movimento terapêutico. Que bom que descobri que funcionou
igual pra muita, muita gente. Acho que gente tem mesmo essa mania de
cometer "erros". Eu, por exemplo, tenho cometido alguns erros
ultimamente. Por exemplo, errei numa informação que dei sobre o
falecimento do Peninha e, graças à Jennifer, uma assinante do boletim, descobri que, felizmente, ele está vivo e passa muito bem, obrigado. Me desculpem.
Também
tenho cometido alguns erros nos textos que escrevo. Ora de digitação,
ora de atenção, ora de ortografia mesmo. Os erros propositais vão
sempre entre "caspas". E, na verdade, os erros de digitação são erros
de atenção. A atenção "dança" quando a emoção assume o comando da
nave-mãe, nosso cérebro, vocês já perceberam isso também? Aliás, como
só escrevo quando uma emoção tá pilotando, ainda cometerei muitos
erros, então, fica aqui um pedido de desculpas antecipado e com
validade indeterminada. Não expira, certo? "Tamos" combinados.
Pois
é. Eu só me sento aqui pra escrever quando alguma emoção fica me
exigindo mais atenção que a razão. E ela tem feito isso demais
ultimamente. Preciso ter uma conversinha séria com ela, de dona pra
recurso, porque ela anda pensando que manda em mim. Então, venho pra cá
e cuspo pelos dedos o que tá "caraminholando" no meu "bestunto", como
dizia a Emília do Monteiro Lobato, com quem fui, deliciosamente comparada na crônica passada pelo meu amigo e colega de profissão Rogério Carlino. Ele até melhorou o elogio, disse que eu sou mesmo uma enfant terrible! Amei isso!
Hoje,
o que anda pelo meu "bestunto" exigindo atenção é justamente o bendito
"erro". Os "erros" que cometemos na vida. Vou ter que colocar entre
"caspas" porque eu não acredito nesse tipo de "erro". Não falo da
ortografia. Claro que esse tipo de erro existe. Falo desses que
acreditamos que, se tivéssemos feito de outra maneira, estaria "certo".
É duro lidar com uma coisa em que a gente não acredita mas o
mundo insiste que sim. E ainda te cobra e te julga por ele. Por
exemplo, na crônica passada, contei sobre uma experiência religiosa na
qual me dei mal: O Santo Daime, porque EU
fiz tudo "errado". "Errado" para a prática do Santo Daime, mas perfeito
para meu processo de aprendizagem naquele momento e que compartilho em
outra crônica.
Algumas pessoas me escreveram preocupadíssimas
comigo -- com o que fiquei sinceramente agradecida -- e com o fato de
eu haver me exposto numa experiência que muita gente pensa que envolve
drogas, mas o Santo Daime não é ilícito, muito pelo contrário!
Felizmente, a maioria compreendeu que meu foco alí nem era a
experiência em si -- eu poderia ter usado qualquer outra -- Deus sabe
que eu já fiz cada besteira astronômica! Mas, por favor, não contem pra
minha mãe... Acontece que, eu queria que você se divertisse e aquela do
chá me servia melhor à esse própósito. Em todo caso, meu foco alí era o
fato de nada nos acontecer e sim de nós "acontecermos" para as coisas
e, portanto, refletir sobre isso.
A propósito, Cris querida,
relaxa, só queimaram alguns poucos neurônios que gostam de música
brega, mas eu tenho muitos, fica tranquila. Vai dar pra dançar na festa
do CBTD.
Mas
vamos lá... pra criar a palestra, eu fiquei me perguntando de onde vem
essa idéia esquisita de erro e onde foi parar toda e qualquer ação que
prova que errar é humano. Sim, porque eu ouço o discurso, mas não vejo
o curso, entendem o que digo? Só vejo a ação -- curso coerente com
discurso -- quando o erro não incomoda o discursador; só o queixante,
aquele que "errou" mesmo. Agora, quando o erro incomoda, não o que
errou, mas outra pessoa, ai, ai, ai... Cadê mesmo o famoso "errar é
humano"? Ficou confuso isso aqui? Desculpa. Quando fico um tantinho
indignada, perco um tantinho de capacidade de me explicar bem... Mas,
leia devagarinho, como quem come um doce gostoso. Quem sabe funciona...
Mas,
quando me perguntei de onde vem essa história de "erro", me lembrei dos
tempos de escola, do primário. Lembram-se como era o sistema de notas?
A gente tirava uma nota baixa, tipo 2. Geralmente, porque estava muito
apaixonada pelo rapazinho da carteira ao lado ou da outra classe.
Sempre a bendita emoção assumindo o comando. Daí, fazia um esforço
danado, estudava com professor particular e tudo. Perdia férias e
feriados; o programa favorito de TV -- os meus eram A família Dó-Ré-Mi com o David Cassidy, a Feiticeira e a Jeannie é um Gênio -- tirava nota alta, tipo 10. Uau!
Só
que, então, as duas eram somadas e divididas por 2 e, o resultado, no
caso, 6, seria a média do bimestre. Isso, que eu saiba, não mudou. E eu
me pergunto: "Se eu não sabia,
estudei, agora sei e o que sei não vai mudar, porque eu não posso ficar
com a nota máxima? Porque eu não vou com 10 no boletim? Pra ver o
sorriso de satisfação dos meus pais?" O fato de eu ter aprendido
não faz nenhuma diferença? O fato de eu ter me esforçado e estudado não
importa? Eu errei na primeira e vou carregar esse erro comigo pro resto
da vida? Sim, porque vocês sabem que nós levamos nosso histórico
escolar pra cada nova etapa escolar! Vocês sabem disso, certo?
Ainda
tem mais! Eu entrei na Metodista em 1982 e passei no primeiro
vestibular que fiz, mas muita gente tão estudiosa quanto eu, precisou
de 2 ou mais vestibulares até conseguir. Tem gente que "funciona"assim
por "N" fatores, na hora da prova "dá um branco". Então, o histórico de
uma vida de esforço e dedicação ao estudo adiantou de quê? Prevalecem
mesmo são os "erros" cometidos naquela prova específica. Não uma vida de estudo.
Tem
coisa pior, bem pior. Olha só, você entrega uma prova pra professora;
chega na porta da classe, antes mesmo de sair, e lembra que faltou
colocar uma coisinha de nada na questão número 3; volta e pede pra
professora se pode completar uma coisa na resposta número 3 que você
tinha esquecido, mas lembrou agora, o que a professora responde?
Exatamente! "Não, não pode." 30 segundos depois seu saber não vale
mais? Seu conhecimento expirou? Tinha prazo de validade? Errou, dançou?
Se
vocês acham que isso acaba quando você pega o diploma, pense outra vez.
A gente leva isso vida afora. Tanto na cobrança que fazemos conosco,
como na que fazemos com os outros. A gente jura que tá avaliando, mas
tá mesmo é examinando! Se for baseado nos princípios do exame, é exame,
ora bolas, não é avaliação!
Então, o exame é PONTUAL; só interessa o que tá acontecendo aqui e agora. É SELETIVO; "Esse sim, esse não" e, se é seletivo, é excludente, como no vestibular! É CLASSIFICATÓRIO; aprova ou reprova como na média do bimestre. Não há um meio-termo. Ou se é bom ou não. Acho que o nome disso é maniqueísmo.
Você
percebe nisso um mito em torno do erro? O exame desumaniza o erro --
como se não fosse humano errar! Eu ajo de maneira a conceber o ser
humano como pronto e, ser pronto é diferente de ser em movimento, em
construção, portanto, passível de cometer "erros". Como já disse Alguém
que admiro: "atire a primeira pedra..."
Já ouviu falar que o
cérebro humano aprende por ensaio, repetição e velocidade? Pois é. É
assim que funciona aqui dentro da nossa cabeça. Quer ver uma coisa?
Quer ver como a gente desumaniza o erro e "rouba" da gente e do outro o
direito de "errar"? Quem nunca ouviu ou disse frases como: 1. Pau que nasce torto... 2. Filho de peixe... 3. É de pequenino que se torce o pepino Ai, ai...
Por tudo que se sabe em Neuropsicologia, o ser humano se desenvolve por dois princípios complementares. O primeiro é o Formativo
que é o eixo de auto-desenvolvimento; quer dizer que cada um de nós
busca autonomia. Esse princípio consiste em cada um se tornar autônomo
e independente; só que não sozinho; na interação com o outro. Aí é que
entra o segundo princípio, o Organizativo: Indivíduos com papéis diferentes vão nos organizar. Já ouviu falar em complementares? "Num" falha.
Mas então, nós "erramos", e "erramos" muito, nessa vida. Aí a gente fica cantando Epitáfio dos Titãs pra ver se, num processo catártico, elimina as culpas! Sinceramente, eu prefiro cantar "Rasura" do Oswaldo Montenegro
do CD A lista - 2001. Tá aqui a letra pra você acompanhar cantando com
a música (é só clicar no nome dela). Canta alto e, entanto canta, pensa
em tudo que você tem remoído por achar que fez errado! Experimenta. É
libertador!
Me desculpe o mesmo gesto Meu constante gesto insano Que por mais que a mente negue Teu coração ele marcou Como a lógica dos fatos Que eu traí a todo instante Rasurando nosso branco Com a mistura que eu sou
Me desculpe o gesto louco A aspereza da loucura Ainda queima no meu calmo, Doido e calmo, coração Mas por que, se a gente é tanto, Nosso amor sofreu rasura? Nosso inconfundível gesto eu desfiz na minha mão
Me desculpe, ou melhor, não Me abrace e comemora Que a rasura que foi feita Foi perfeita na sua hora E mais que o mais perfeito Rasurar valeu a pena Como esteve rasurado O primeiro original Do mais lindo poema
Sobre
minha experiência da adolescência? Não é mais reticências, mas também
ainda não é ponto final... se transformou em vírgula... Na certa, ainda
vai virar crônica...
Beijos sabor passarinho fora da gaiola (como será isso?) Inês Cozzo Olivares (me abraçando pra perdoar todos os meus "erros" até aqui e daqui pra frente...) SP. 28/09/2009
Me acontece cada uma! Será?
Me acontece cada uma!
Recentemente eu resolvi experimentar o Daime. É, ele mesmo, o próprio: O Santo Daime. Sei lá o que foi que me deu. Nem pergunta. Se arrependimento matasse...
Eu
sou mesmo uma pessoa tremendamente curiosa sobre a mente humana. Não
fosse isso, não teria me metido a fazer Psicologia, me especializado em
Neurociências, dado curso de Astrologia...
Como já se vê, sou também uma pessoa sem preconceitos intelectuais --
ou de quaisquer espécies. Vou facilmente da Neuropsicoimunologia (bem
que eu queria botar um link aqui, mas cadê que eu achei algum que
prestasse...) à Astrologia e outras Ciências Arcanas, com uma facilidade inacreditável. Se estuda a mente e o comportamento humano, to nessa.
Imaginei que o chá me permitiria investigar algumas coisas na minha própria mente -- um labirinto com uma pequena população de Minotauros com direito até a Teseus e Ariadnes...
ai que romântico... -- e de uma forma super interessante. Imaginem
entrar no universo do nosso inconsciente, estando consciente de tudo
que tá acontecendo! Eu me tornaria uma mistura de Sherlock Holmes com Freud. Tudo de bom!
Tudo de bom uma ova! Foi horrível! "Quasmurrí" como diria algum mineirim!
Ainda bem que eu "se" conheço. Se eu já "viajo" à beça "cara limpa",
calcule chapada! Então, pedi pra tomar só meia dose do negócio. Se com
meia dose eu fiquei "trincada", imagina tomando as duas de praxe! Deus
me livre!
No começo achei que eu era imune ao "troço". Não
acontecia nada de diferente e eu já ficando impaciente. Mas era só
minha impaciência típica mesmo. Não demorou muito o corpo começou a
formigar. De um jeito que eu não tava gostando muito... "Mas vá lá,
pensei, faz parte de toda experiência um desconfortozinho, certo?". Mas
o desconforto foi mostrando que de "inho" ele não tinha nada e eu
querendo cortar a sensação. Que jeito? Eu não conseguia nem mexer o
dedo mindinho que dirá o resto do corpo, pra sair da cama. Sim senhoras
e senhores, eu fui estúpida o bastante pra fazer a experiência na minha
cama! No meu quarto! O serviço foi "delivery"
e espontânea vontade! Toinhoinhóim! Então, o primeiro tempo foi só esse
desconforto monstro! Uma droga, com o perdão do trocadilho besta.
Mas tenho que confessar, ali pelo segundo tempo do jogo, a coisa ficou muito linda. Tava tocando Roberto Carlos no aparelho de som. Eu tava ficando cada vez mais emocionada. "Essa luuuuuuzzzz, é claro que é Jesuuuuus!" E eu emocionadaça! Sensação de enlevo, de fazer parte de algo maior. E o Robertão mandando uma baladona sentida! "Luz que me ilumina o caminho e que me ajuda a seguiiiiiirrrr!"
Fui sentindo um Amor gigantesco por tudo e por todos! Cara que amorzão!
Aí, era tanto Amor, que eu comecei a distribuir pra todo mundo: Amigo,
inimigo, conhecido, desconhecido, vivo, morto. Tudo que é ser. Sobrou
até pro Hitler onde quer que ele esteja! "Perdoai. Eles não sabem o que
fazem", sacumé? Eu tava assim. Fiquei assim um tempão.
Quando acabou o segundo tempo, eu achava que já tava bom, que o camarada Xamã já podia me trazer de volta, que então tá... né? ... ... ... Eeeee aí...? ... ... ... Como assim não volta?!?! Chega! Acabou! Já deu!
E
nada d'eu voltar. O corpo não obedecia. E o cara ainda queria me socar
outra dose!!! Pirou o cabeção, maluco????? Nem morta! Aliás, eu achava
que já tava mesmo morta, pra quê desperdiçar mais chá, certo? Mal sabia
eu que essa brincadeira besta ia ter terceiro tempo, quarto tempo,
prorrogação, ia pros penaltis... aí meu Deus, o que é que vem depois
disso mesmo? Morte súbita! Créda! Bom, se eu to aqui escrevendo isso é
porque, lá em cima, o Juíz tirou a sorte na moedinha e deu "Fica",
certo?
Estávamos em 3. Ouvi uma voltando. Ouvi outra voltando.
Consegui ver todo mundo de pé. Altos papos de "Uau! Que demais!" E
euzinha lá. Doidona! Mas fingindo que tava nos saltos. Que nem quando
eu bebo umas 7 ou 10 -- como se eu precisasse de mais que uma pra ficar
prequeté -- e fico tentando
fingir que não "bateu", entende? Que não "pegou". Então, conversei,
pastoso pra burro, mas conversei. Respondi às perguntas que me fizeram
sabe lá Deus como ou o quê foi que eu falei... Lembro nadica de nada!
Mas to na pose.
Descemos pra sala. O Tuim, meu marido -- que
espertamente não quis nem saber daquela doidice e não embarcou, me
olhou esquisito, tipo "Hummm... eu conheço esse arzinho de 'Não tá
acontecendo nada. Tá tudo na paz'..."
E senta todo mundo na
sala pra conversar e eu quieta. Era um esforço medonho qualquer
coisinha. Cada movimento que eu fazia, parecia que eu tava numa piscina
de leite condensado... cozido!
Aííííííí... o mal-estar foi
aumentando, aumentando, aumentando; eu não conseguia mais respirar, o
coração parecia que tinha parado de bater -- aposto que tinha mesmo!
Minha amiga olhou pra minha cara e disse: "Ela tá ficando pálida! Olha
lá! Ela tá perdendo a cor!" O Tuim correu, pegou meu pulso, olhou o
relógio e começou a medir a pulsação: Nada! O "bagulho" tava
praticamente a zero! A pressão foi no calcanhar! Ele não conseguia
achar o batimento cardíaco e ficou uma fera! Ele sempre fica uma fera
quando eu apronto e ele fica com medo que algo me aconteça. Ainda deu
tempo de pensar nisso antes de sentir que eu ia desmaiar. Mas eu não
desmaiei. Ficava ouvindo tudo, mas não tinha um "pentelhésimo" de força
pra fazer nada! Meu C.R.A. foi a milhão! A propósito, C.R.A. é
Coeficiente de Retração Anal.
O "Xamã" delivery ria e dizia: - "Ela tá na Força... Deixa ela... Ela tá ótima!"
Ótima?!?!?!?! Te mostro o ótima quando eu sair dessa, se
eu sair dessa porque a porcaria do efeito não passava nunca! Meia hora
e nada; uma hora e nada, 2 horas e nada, 3, 4, 5 horas e nada! Me senti
o próprio pardalzinho, sabe? Aquele que o gavião soca um "baseado"
gigante na boca e pergunta: -"E aí pardalzinho? Tá sentindo?" e ele
fica repetindo: -"Eu num to sentindo naaaada." e o gavião enfia no
biquinho dele uma "bomba cada vez maior e o pardalzinho: -"Eu num to
sentindo naaadaaa." naquela vozinha finiiiinha de pardalzinho... Pois
é, eu tava igualzinha. Eu num tava sentindo naadaaa. Eu num tava
sentindo meu biquinho, eu num tava sentindo minha patinha, eu num tava
sentindo naaaada! Mais de 6 horas depois foi que eu comecei a sentir
uns "téquinhos" do meu corpo de novo! O Tuim só xingava. Não eu. O
"Xamã delivery boy". Eu ele ia xingar assim que eu sarasse... E
sarei... Mas minha mente? Bem, desconfio que os Minotauros agora, estão
todos soltos e dançando Hip-hop, ainda tá tudo meio doidão; a Ariadne
perdeu o fio e não sabe voltar. Vai ter que se contentar com um dos
Minotauros porque parece que o Teseu agora encontrou sua porção-mulher
aqui dentro e virou gay!
Fora o fato de que a gente ainda teve
que ir levar o Xamã pra casa dele láááá em Cumbica e o Tuim tinha que
dirigir, ficar acordado e ainda me manter acordada por causa do medo de
eu dormir e entrar em coma! Dizem que isso nunca acontece, mas sabemos
lá... Eu não sou exatamente normal, entendem? Isso tudo foi alí pelas 5
horas da manhã! E o "babado' todo tinha começado às 9 da noite!
Depois
descobri que não é assim que se "brinca" de Daime, mas aí já "Elvis".
Não tenho um fiapo de vontade de repetir a experiência. Esquece! Me
erra! Me extravia! Me inclua fora dessa! Fui!
Mas, sabem? Segundo Jung
(desculpem a intimidade, mas fãs fazem assim mesmo e eu sou muito fã
desse cara!), nada nos acontece. Nós é que acontecemos para as coisas.
Ele diz que a gente é que entra na frente do caminhão e se atropela, a
gente é que coloca a cara na exata direção do tapa que vem vindo e por
aí vai. Ele chama à isso "Princípio da sincronicidade".
Ele diz que, inconscientemente, escolhemos as experiências de que
precisamos para nossas aprendizagens evolutivas. Então, por exemplo,
nos colocamos na frente do caminhão que nos atropelará se tivermos que
ficar no hospital, isolados e em silêncio meditativo porque nada mais
haverá a fazer e, enfim, enfrentaremos nossos fantasmas e sombras. O
que precisamos aprender (padrão) com isso é que deveria ser a questão
principal de nosso foco de atenção. A vida terá nos apresentado umas
cem maneiras de fazer isso -- enfrentar nossos fantasmas e sombras --
de formas mais suaves, antes do caminhão, ou, no meu caso, antes do
"Xamã delivery". Se não conseguimos enxergar dessas formas mais suaves
e precisamos do caminhão, paz-ciência...
Jung finaliza: "Se algo
vai mal no mundo, algo vai mal com o indivíduo; algo vai mal COMIGO.
Assim, se quero ver um mundo melhor, tenho que, primeiro ficar bem
COMIGO... e o mundo ficará bem também.
Nesse caso, eu escolhi fazer a experiência, eu tive preguiça de pesquisar mais sobre o assunto, eu aceitei a primeira oportunidade que apareceu, eu
elegi o camarada "delivery" que me colocaria em tal situação de
desconforto (eita adjetivozinho mixuruca pro tamanho da encrenca em que
me meti naquela noite), eu, eu, eu. Ninguém mais senão eu mesma. O que eu tenho que aprender com isso? Ainda não descobri, mas quando descobrir, certamente virará uma crônica. Torçam por mim!
Então, refazendo o início dessa crônica: Eu "aconteço" pra cada uma!
Pelo menos aqui, do lado de baixo do Equador, hoje começa a Primavera.
A
Primavera é a estação do ano que se segue ao Inverno e precede o Verão.
Deve ser pra gente se lembrar que depois de um período saudável de
reclusão, voltado para si mesmo em auto-análise; em auto-conhecimento;
em auto-descoberta, é hora de sair pro mundo. Devagarinho ainda. Ainda
não é tempo de mostrar todas as cores e exuberância num Sol intenso e
marcante de Verão, mas é bom já ir tomando consciência de que isso
acontecerá em breve.
Até 21 de dezembro, portanto, eu vou florescer, desabrochar. No meu caso, reflorescer. Ah! Eu gosto dessa idéia. Gosto muito!
Eu
adoro metaforizar tudo. Gosto de "ler" o mundo como se todas as coisas
estivessem me contando histórias. Ou melhor ainda, respondendo às
minhas dúvidas e inquietações que, como a maioria das pessoas que me
conhece sabem, são muitas. Por vezes, eu leio as coisas à minha volta
como se fossem mestres me ensinando alguma lição.
Por exemplo, gosto de pensar que aprendi, com os quatro elementos da Natureza, coisas bem diferentes e todas muito úteis.
Eu
aprendi com o Fogo a aquecer sem jamais permitir que me invadam. Também
sei iluminar alguns caminhos por algum tempo. Sei fazer algumas
alquimias, transformando certos elementos em outros, através da fusão.
Às vezes, fundir-se dói. E, nem todo mundo é capaz de se desprender da
forma em que está para mudar. É por isso que as vezes dói. Mas, quando
a gente aprende a "ler" o resultado, essa aprendizagem sempre supera a
dor. Comigo tem funcionado bem.
Já com a Terra eu aprendi a
nutrir e acolher quem escolhe fincar suas raízes em mim, de uma forma
ou de outra, e estremecer, tirando tudo do lugar, ou entrar em erupção
quando algo dentro de mim precisa sair. Pra não implodir, entendem? E
aprendi também que, de vez em quando é importante e preciso fazer
alguns buracos (as minhocas fazem isso o tempo todo) se a gente quiser
arejar... renovar o Ar...
Aprendi com o Ar, quando encontrar
um obstáculo, acariciá-lo suavemente e continuar seguindo meu caminho,
exatamente como a brisa faz com uma flor. Mas aprendi também com o Ar a
estar sempre presente. Nada nesta vida acontece em outro tempo que não
seja o Aqui e Agora. E, de qualquer forma, há um pensamento que me
acompanha muito que é "Hoje é o amanhã com o qual você se preocupou ontem. Valeu a pena?".
Nunca me valeu a pena. Pelo menos ainda não... Então, tenho tentado
viver o presente. Não disse que consigo. Disse que tento...
Com
a Água aprendi, e essa foi bem difícil pela minha natureza inquieta, a
nunca discutir com os obstáculos, contorná-los; e me manter firme num
propósito ou caminho que me pareça ideal. Ir penetrando devagarinho e
continuamente. Até chegar onde é preciso. Afinal, como diz um provérbio
persa "A paciência é uma árvore de raízes amargas, mas seus frutos são extremamente doces".
Quando sou Fogo, ilumino, transformo, queimo ou aqueço... depende do apreço... Quando sou Terra, acolho, sustento, cuido ou alimento... depende do consentimento... Quando sou Ar, arejo, respiro, inspiro ou suspiro... depende o quanto admiro... Quando sou Água, afogo, inundo, envolvo ou invado... depende do caso...
E com as Primaveras? Com as Primaveras, como a Cecília Meireles, eu aprendi a me deixar cortar e voltar sempre inteira...
Beijos sabor renovação
Inês Cozzo Olivares SP. Primavera, 22/09/09
Orgasmos, homens e mulheres
Vocês sabiam que o dia 31 de julho, dia seguinte ao do meu aniversário,
é o Dia Mundial do Orgasmo? O negócio dura só alguns segundos -- menos
em algumas poucas mulheres que chegam a quase 1 minuto -- que inveja.
Percebeu que "num to" na lista, né? Pois é. Eu também já percebi...
Sabem o que significa a palavra em grego? Significa "ferver de ardor". Caramba!
Não
sei o que me surpreende mais. Existir um dia mundial do orgasmo, eu
saber disso ou ser justamente o dia seguinte ao do meu aniversário.
Todo santo ano! E eu vou saber disso, agora, pelo resto da minha vida!
Será que isso é bom ou é ruim? Será que meus pais sabiam disso
quando... Ah! Deixa isso pra lá. Melhor... Quem é que tem estômago pra
imaginar pai e mãe nessas condições? Eu não tenho. Respeito, mas
dispenso. E, pensando bem, e daí que é o dia seguinte ao do meu
aniversário? Tem gente em pior situação que eu. Tem gente que, afinal,
nasceu no dia 31 de julho. Judieira... Que carga pra se carregar, heim?
A mídia fica inventando essas coisas e a gente que se vire com o que
elas fazem com a nossa imaginação. Não é justo. Eu, por exemplo, ano
que vem, vou ficar querendo, no mínimo ir pra algum Universo paralelo à
meia-noite do dia 30 para o dia 31. Pobre marido. Sim senhor... que
carga pra se carregar...
Bem, o fato é que existe mesmo o tal
dia. Tá na internet. Não que tudo que esteja na internet mereça
crédito. Mas tá lá. 577.000 hits no Google. Pode olhar.
Eu
sei que já passou; que é notícia velha e tal, mas meu susto é novinho
em folha! Isso não te assusta? Não o meu susto. A existência desse dia,
não te assusta? Quero dizer, pra quê a gente quer UM
dia do Orgasmo? E depois, pensa bem, por acaso a gente vai fazer uma
festa pra comemorar ou algo assim? Chamar os amigos, comprar uns
comes... Que "mêda" das inevitáveis associações...
E pensar que eu só estava pesquisando sobre córtex, sistema nervoso autônomo e hipotálamo como uma neurocientista comportadinha... Hoje em dia ninguém sabe onde vai parar navegando por essa internet...
Bem, pelo menos, você nunca mais vai esquecer o dia do meu aniversário... Não que eu tenha tido essa intenção... Longe de mim...
Mas, essa história toda de orgasmo, me lembra, no filme de 1989, "Harry e Sally - Feitos um Para o Outro" ("When Harry Met Sally"), a cena em que Meg Ryan explica, ou melhor, demonstra com riqueza de detalhes, como as mulheres são perfeitamente capazes de fingir um orgasmo. A cena é antológica. Eu a utilizo muito para explicar um conceito em PNL chamado "calibração do sensorial".
Um "negócio" que, se todo mundo fizesse, reduziria muito os
mal-entendidos. Utilizo pra falar algumas coisas específicas sobre
técnicas de vendas também, mas isso é muuuito difícil de explicar aqui.
Fica pra outra hora.
Nesse mesmo filme, há uma outra cena que eu
acho muito importante, muito importante mesmo! É uma em que o Harry
discute com a Sally sobre não ser possível uma amizade verdadeira entre
um homem e uma mulher. O diálogo é exatamente assim:
- Harry: "Você se dá conta, é claro, de que nunca poderemos ser realmente amigos. - Sally: "Porque não? - Harry:
"O que quero dizer é que... e não estou dando em cima de você... homens
e mulheres não podem ser amigos porque tem sempre sexo envolvido. - Sally: "Isso não é verdade. Eu tenho um monte de amigos sem sexo nenhum envolvido! - Harry: "Não, não tem." - Sally: "Sim eu tenho!" - Harry: "Não, não tem." - Sally: "Tenho sim!" - Harry: "Você só pensa que tem."
ISSO
SIM assusta! Pára e pensa. Só pensa, nas implicações disso. É claro que
ela não está "transando" com os amigos sem saber! O que ele quer dizer
é que todos esses amigos aos quais ela se refere, imaginam essa
possibilidade. Desejam essa possibilidade. Ah! Mas calma, "meninas"
porque o personagem alega que isso só acontece se seu amigo a achar
atraente. Depois, Harry pensa um pouco -- bem pouco aliás, e diz:
-"Nãããã... Eles querem transar com você de qualquer jeito.
E aí???? Dããããã. Que neura!
Pelo
menos, o Giovanni é bem honesto sobre isso. Alguém ainda lembra do
italiano? Pois é, ele não é Eucatex, mas como diria o Maguila "É
muntcho registentche! Enfim, quando eu disse à ele que achava que, se
ele fingisse que eu era homem eu me sentiria melhor porque assim não
haveria riscos dele pensar que, ao me corresponder com ele, eu estaria
alimentando alguma esperança de romance, sabem o que ele me respondeu?
Noooooooooooooooooooooooooooooooo !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Preferisco pensare allora di essere un CONIGLIO, dolce Ines !!!!!!!
É. Copiado e colado, tal e qual! Disse que prefere, então, pensar que sou um coelho! Claro que eu ri. E muito! Aliás, se você não riu, lamento informar mas você está num estresse lascado!
Na
sequência, ele escreve o nome dele completinho, o endereço completinho
(com CEP e tudo!) e o telefone celular. A seguir escreve:
Amo, rido, canto, piago, soffro, ricordo, sogno, ... e ti stimo per come ti percepisco e per le cose che scrivi. Bom,
eu respondo, eu também amo (muito!), rio (demais), canto (mas isso ele
já sabe e fica pra outra história), praguejo (e em italiano, inclusive,
na maioria das vezes), sofro (mas aí eu canto), recordo (ultimamente
mais do que nunca), sonho e também já gosto um tantinho dele... por
como o percebo e pelas coisas que ele escreve. Quanta coincidência!
Aí ele me diz, como que pra me acalmar:
Però sei lontana e questo può tranquillizate TUTTI, TUTTI, TUTTI !!! "Mas
você está longe e isto pode te tranquilizar, acalmar tudo, tudo, tudo!"
Que ingênuo! Que besteira! Há menos de um mês eu estava em Portugal,
portanto, mais perto dele que do meu marido! Mas eu não sou doida de
contar isso à ele. Hã hã.
Por fim, ele arremata: Evviva, allora sono ancora un uomo, maschio, italiano !!! Que,
em bom português quer dizer: - Urra! então eu ainda sou um Homem,
macho, italiano !!! Como se eu tivesse alguma dúvida disso! Eu heim?
Então,
ele fez o impensável. Eu falo que esses italianos são perigosos...
Disse que, mais tarde, me escreveria um e-mail "um pouco longo",
explicando porque não iria se comunicar comigo como seu eu fosse um
homem. O pior é que eu fiquei mesmo esperando o tal e-mail "um pouco
longo"! Aí fiquei preocupada. Eu nem deveria estar curiosa, pra início
de conversa, certo? Mas estava.
Pra sorte dos curiosos como
eu, o cerne desta questão é justamente o e-mail "um pouco longo" que o
Giovanni me mandou. Em resumo ele disse que se eu fosse um homem, ele
teria que falar comigo sobre futebol, a equipe do Brasil e do último
gol que o Kaka fez! Um exemplo maravilhoso de balística... embora ele
estivesse muito mais interessado no público dentro do estádio que nos
22 homens de cueca correndo atrás de uma bola. Juro, ele disse "de
cueca"!
Se eu fosse um homem, ele disse, teria que falar da
belíssima partida de xadrez que jogou o Fisher que abriu com um
"Gambetto di donna" (alguém me conta o que é isso, por favor?) e se
tornou campeão do mundo... embora ele não tenha um pingo de vontade de
jogar uma partida de xadrez porque é cansativa e competitiva (ele
pratica a cooperação! Até utiliza "O dilema do prisioneiro" pra falar de competição e cooperação nas aulas, exatamente como eu!) e, depois, disse ele, é só um jogo...
Pra
falar comigo como se eu fosse homem, ele disse, ele teria que falar
comigo sobre as mulheres e sobre a última noite de sexo inesquecível
que teve com alguma mulher alegre e jovial, barulhenta e liberada e dos
orgasmos que ela teve (haveria nesse plural uma pontinha de
auto-propaganda? Nããããã... Deve ser minha imaginação...)... embora ele
prefira "fazer" sexo a "falar" do sexo que fez.
Se eu fosse
homem, ele disse, estaria falando comigo sobre política, sobre o seu
desastroso primeiro-ministro Silvio Berlusconi e Lula e o fato de que
provavelmente eles serão sucedidos por uma uma mulher e que, as três
mulheres que podem suceder o Lula são três mulheres extraordinárias.
Juro que ele escreveu isso! Nem perguntem o que achei. Eu tava pasma
demais pra pensar nesse assunto especificamente.
O e-mail quase
termina com ele dizendo que prefere que eu seja uma mulher. Assim, pode
falar comigo sobre Arte, Música, Pintura (ele me pediu que analisasse
um quadro de um pintor chamado Alexander Roslin), Fotografia, Filosofia e também História (ele agora está lendo "A história do cerco de Lisboa" do José Saramago)
e tantos outros exercícios intelectuais. Ele disse que, assim, eu fico
contente e me divirto em testes de Psicologia aplicada.
Claro
que, então, virão à tona apenas os componentes femininos que existem
dentro dele, mas que, ao menos assim, ele será mais neutro e menos
perigoso. Não são minhas estas palavras. São dele!
Eu respondi que não, definitivamente eu não queria falar sobre:
- Futebol -- senão pelas ocorrências episódicas e interessantes de um ou outro jogo como o caso deste Fair play maravilhoso pra falar de ética! - Política -- eventualmente e desde que seja para fazer alguma diferença porque, como diz o Oswaldo (Montenegro) na música "O mesmo assunto": "De que adianta a luta na mesa de um bar?" - Sexo -- Seguramente fazer é muito melhor que falar... a não ser quando falamos com quem fazemos... - Nem sobre xadrez ou outro jogo qualquer que não sejam os jogos sociais e humanos! Por estes, me interesso sobremaneira...
Decididamente!
Agora, por favor, acompanhem meu raciocínio. Eu disse à ele, "Por outro lado, você É HOMEM
e fala de Arte, Pintura, Poesia, Música, Fotografia e História...",
então porque não pode falar sobre isso com outro Homem? Faz sentido pra
vocês? Porque pra mim faz, e muito!
Digo que o e-mail "quase" termina assim porque, aí, ele me dá o golpe de misericórdia:
"PERCHE’ HAI COSI' TANTA PAURA DI TE STESSA??? UNA DONNA BELISSIMA E SENSUALE!" "Mas porque você tem tanto medo de ser você mesma??? Uma mulher belíssima e sensual!
Como diz minha amiga Claudia: "Me amarrota que eu to passada!".
Não
é que eu conheço um monte de mulheres que realmente escondem sua
feminilidade em posturas, comportamentos e até em corpos quase
masculinizados por medo? Eu mesma fiz isso durante anos!
Esse carcamano mentiu. Ele não se formou em Engenharia. Ele fez foi Psicologia e tá escondendo o ouro...
O.K. Eu admito. Esse cara não é perigoso, é perigosíssimo!
Ainda bem que quem eu amo é mais! Rá!
Inês Cozzo Olivares SP, 19/09/09 Porque, cargas d'água, eu não "soltei" uma crônica dia 09/09/09? Porcaria!
Uma homenagem e um pedido de desculpas intercontinental
Esta crônica (?) tem endereço. Ela vai para a Europa.
Tenho
recebido verdadeiras avalanches de mensagens elogiando meus textos. Eu
queria muito chamá-los de crônicas, sem aquela interrogaçãozinha alí do
começo, porque eu adoro crônicas, mas acho que eles são, no máximo,
filhotinhos de crônicas. Ahhhh quando forem adultas...
Mas
sim, eu ia dizendo que centenas de pessoas têm me agradecido muito pelo
processo quase terapêutico que os textos têm propiciado e me incentivam
a continuar. Me pedem temas específicos (que honra!) e que eu publique
um livro (Uau!)
Sabem o que é? É que isso não é uma coisa que eu
escolho fazer. É uma coisa que faço porque PRECISO fazer, quando
preciso fazer. Como agora. Porque se não tiro da minha cabeça a tal ou
tais inquietações, elas ficam me atrapalhando pra fazer outras coisas
que também precisam ser feitas. Você tem uma coisa assim também? Bem,
se tem, sabe como é. Não preciso explicar. Se não tem, nem adianta
explicar. Então vamos ao que realmente me colocou aqui pra escrever
agora.
Eu estou relendo o livro "O poder da mensagem", do qual, inclusive já falei, escrito por Hélio Ribeiro
que tinha um programa de mesmo nome na rádio Bandeirantes AM nos anos
70. Eu o ouvia todos os dias com minhas tias Ana Maria e Cecília.
Eu
já disse que minha família é feita de professores? Pois é. Ah! Não que
eles sejam formados em Pedagogia, não, não. Não é isso. É que todos os
meus tios e tias nos educaram de alguma forma. Sempre que me perguntam
onde eu comecei minha formação profissional para fazer coisas tão
originais e diferentes de todo mundo, respondo a verdade mais óbvia pra
mim. Comecei na minha família. Escrevendo, juntamente com meu Tio João
Paulo, um ano mais novo que eu, o jornalzinho da família, "bolando"
esquetes engraçadas e brincadeiras saudáveis para as festas de Natal.
Nós éramos muito incentivados pelos mais velhos.
Hélio Ribeiro diz que há uma fórmula para melhorar o mundo: ao invés do moço agredir o velho, é preciso que os dois se unam para cuidar das crianças.
Minha família faz isso. Até hoje nos reunimos todos e todas para
celebrar o Natal. Somos quase 100 pessoas já. Acreditam que temos até
nosso próprio grupo no Yahoo?
Agora a família tem diplomados pra valer aos montes -- quando eu era
criança só tínhamos um: o Tio Din-Don -- e usa a tecnologia pra se
manter sempre e cada vez mais unida. Eu já disse que a tecnologia,
quando tem por trás dela um espírito vivo, é maravilhosa, certo? Acho
também que já disse que tenho um orgulho danado da família que tenho.
Todo mundo podia fazer o mesmo nas suas famílias. Eu acho...
É
por tudo isso que é tão difícil pra mim ver famílias desmoronando. Fico
"doente" com isso. Será que as pessoas não vêm que é assim que
sociedades inteiras começam a desmoronar? Que histórias ainda cheias de
possibilidades, acabam interrompidas? Que, um dia, o que quer que tenha
feito desmoronar, perderá a importância diante da imensidão do tempo e
da vastidão do espaço, como dizia Carl Sagan? Ai, ai...
Mas
como eu dizia, está sendo uma experiência impressionante reler esse
livro. Eu o li pela primeira vez aos 11 ou 12 anos de idade, não me
lembro mais mas lembro que foi na adolescência; "período que,
antigamente, ficava entre a infância e a idade adulta" aproveitando a
definição do Hélio Ribeiro. E eu sabia que ele tinha me marcado, mas
nem desconfiava do quanto até relê-lo agora. Passados 36 anos, mais ou
menos, descubro que me lembro de cada palavra, de cada vírgula, de cada
ponto de exclamação. Acho que destes principalmente. Claro que nem
concordo mais com 100% do que está escrito ali, mas não é esse o ponto.
O ponto é quem não gostaria de se saber tão marcante?
Logo na página 16, ele diz:
"O Einstein só conseguiu ser o mais importante físico do mundo porque um humilde professor lhe ensinou a contar até dez..."
Daí
eu pensei comigo mesma: "Uma das razões porque eu consigo escrever e
falar da forma como faço é porque, um dia, um livro me impressionou
tanto que foi capaz de me fazer esquecer quem eu era, onde estava e o
que fazia. Um outro livro me fez, pelo menos, pensar que alguma coisa
tola em que eu acreditava merecia uma interrogação. Daí veio um outro
livro que me convenceu mesmo a abandonar aquela velha crença. Os livros
me conduziram à pessoas que pensavam. E, vocês sabem, pensar é muito
diferente de simplesmente "ter pensamentos". É uma coisa articulada.
O mesmo Hélio Ribeiro diz: "Adianta
muito pouco fazer com que as pessoas aprendam a ler, se, depois, o que
dão para elas lerem vai torná-las piores do que eram antes de
aprenderem a ler..."
Vou contar à vocês que,
recentemente, me meti num conflito familiar -- d'uma família que não é
a minha -- danado de difícil. Por isso tenho pensado tanto sobre
conflitos e precisava expulsar isso da minha cabeça pra poder fazer
outras coisas.
Quando estou em conflito comigo mesma, como por estes dias em que me meti neste conflito, eu ouço música. Particularmente estas aqui.
Eu
venho de uma família que discute, claro que discute. Há conflitos e
confrontos. Como em qualquer outro grupo social. Mas há prioridades. O
Amor e o Respeito vêm primeiro. Por mais acirrados que sejam os
conflitos, alguém sempre contemporiza. Geralmente, minha mãe: Dona
Maria "panos quentes" -- a mais velha das mulheres (são nove irmãos e
irmãs). Ela definitivamente deveria ser diplomata. Sorte nossa.
Foi numa aula de Aikidô que aprendi um conceito importante sobre convivência pacífica:
1o. passo: Convide: Quer falar sobre isso? Quer minha ajuda? Conta comigo! 2o. passo: Partilhe: Baseado nestes fatos, eu acho que a melhor escolha, nesse momento, é essa. E você? O que acha? (Isso, se o convite for aceito) 3o. passo: Dê direção: Minha sugestão sobre isso é que... 4o. passo: Deixe ir: ... e torça pelo melhor resultado... porque não haverá mais nada a fazer...
Foi com a Lia Diskin
que formalizei um conceito importante sobre não haver problemas em
falar sobre qualquer coisa. A questão está na escolha da forma: Será
através de diálogo ou de debate/discussão.
Veja as difereças: DIÁLOGO................................................DEBATE Visa Abrir questões....................................Visa fechar questões Visa mostrar..............................................Visa convencer Visa estabelecer relações...........................Visa demarcar posições Visa compartilhar idéias.............................Visa persuadir/ensinar Visa perguntar e aprender/compreender......Visa explicar Vê a interação parte-todo...........................Vê partes em separado Busca pluralidade.......................................Busca acordos Fonte:Humberto Mariotti: Diálogo: Um método de reflexão conjunta - Revista Thot 78
Não.
Eu não consegui resolver meu conflito com aquela família. Nem consegui
ajudá-los em seu conflito. Pelo menos, até agora... Meu convite não foi
aceito e as portas parecem estar fechadas. É duro isso quando a gente
ama... Mas estou no 4º passo: Deixe ir... A diferença, é que, no Aikidô
a gente deixa ir sem dor, sem chorar. Na vida, não. Mas estou deixando
ir... mesmo chorando... Em todo caso, a parte mais importante, pra mim,
desta família, está lendo isto exatamente agora, portanto saberá que
choro... e que amo...
Pra finalizar este texto, quero dizer que a formalização da aprendizagem sobre como lidar com conflitos é do Hélio Ribeiro, da Lia Diskin, do Aikidô, do Humberto Mariotti
e, sabe Deus, de quantos filósofos e pensadores eu já li ou ouvi nesta
minha vida. Mas a gravação disso na minha neurologia, nas minhas
células, foi feita na convivência diária com minha família. Porque meu
corpo já conhecia a prática, a teoria encontrou um caminho neurológico
a seguir.
Então, isto aqui é uma confissão de fracasso, um
lamento. Não é possível ajudar sempre, nem à todos. É também um pedido
de desculpas. Não posso escrever "por encomenda". Sinto muito. =(
Mas
é, também e muito mais, uma homenagem à Hélio Ribeiro (e à todos que me
ajudaram e ajudam a ver o mundo), juntamente com um agradecimento por
ter sido o primeiro a iniciar-me no mundo das idéias críticas e
contestadoras, mas com muita amorosidade. E é, também, uma homenagem à
minha família -- fonte primeira de absolutamente tudo que sou e faço e
penso e sinto -- e um agradecimento por terem SEMPRE me dado a melhor
formação possível, formal, informal, e, principalmente, afetiva de
forma crítica, mas também com muito, muito Amor.
Família de doidos, amo vocês! Obrigada Esta aqui, sou eu, Inês Cozzo Olivares (com muito orgulho, gracias!) SP, 13/09/2009
...
Esta não é uma crônica comum. Não senhor; não senhora.
Já começa pelo nome que é esse mesmo. Você não se enganou. Ela se chama "..."
É
que, não é o que eu escrevo e você lê com os olhos físicos que
realmente importa. Não, não. Vai valer o que você for capaz de ler nas
entrelinhas... Com outros olhos...
É um texto que pretende ser um beijo. O beijo mais terno, profundo e doce que já foi dado algum dia. Mesmo nos "Era uma vez..." e "Viveram felizes para sempre." Mais, muito mais. Esse texto pretende ser um beijo nos lábios da Alma. Aposto que ela tem...
Por isso, preciso te pedir um enorme favor agora. Pare de ler e, se você não recebeu a música que anexei, ouça AQUI a música que precisa estar tocando enquanto
você lê. E repita a música até terminar de ler, está bem? Por favor,
apenas faça isso, ok? Assim, você entenderá melhor o que quero dizer
hoje.
Agora já posso continuar.
É um não sei quê que vem
sei muito bem de onde e que pretende mostrar que a tecnologia não é,
nem nunca será, desprovida de Alma, se houver, por trás dela, um
espírito vivo e apaixonado operando.
E, porque quando a gente
tá explodindo, tem que colocar isso pra fora de alguma forma, senão
explode mesmo, mas pode ser uma explosão "do mal" se não for do jeito
mais apropriado, entendem? Então, peço permissão à vocês pra ser assim,
pelos dedos e através da tecnologia.
Se você ainda não sabe
porque suas idéias não estão alcançando as pessoas, pergunte-se quanto
disso você está colocando no que faz.
Ah, é verdade, eu sou uma
mulher muito, muito apaixonada e, claro, o italiano -- que coisa -- tem
me provido dos melhores recursos, mas repito, todos os meios são instrumentos sem corte se não possuírem, atrás de si, um espírito vivo.
Se ainda não conseguiu, ouça mais música, veja mais filmes, dance mais, namore mais, se apaixone mais. Enfim, descubra o que te deixa feliz. E, só depois, trabalhe. Ou durante... Se tiver a sorte de viver como eu...
Se já conseguiu, bem-vindo e bem-vinda ao clube. Aqui só tem gente boa.
Só mais uma coisa antes de te deixar sossegado, sossegada com essa música, hum..., superhiperesplendivilhosa?
É
uma coisa sobre máquinas e seres vivos. Sobre materialismo e
espiritualidade. Afinal, estou falando de possuir um espírito vivo por
trás da tecnologia...
Pois bem, vocês estão vendo meu
texto-beijo, certo? Sinto muito decepcioná-los, mas não, não estão.
Vocês vêm apenas a luz refletida nele. Se dermos um blackout absoluto,
ausência total de luz, no espaço em que você se encontra, adeus
texto-beijo... A matéria é invisível.
Vocês sabem, claro, que toda matéria é feita de átomos, ou quarks, se preferir ir à fundo nisso. O quark é a única, dentre as partículas, que interage através de todas as quatro forças fundamentais.
Não é lindo isso? Oh, bem só será se você for apaixonado, apaixonada
pela quântica como eu... Enfim, tudo se compõe do mesmo elemento no
Universo.
Isto posto, fiquemos nos átomos que são mais famosos e
queridos. Você ainda se lembra que átomos são compostos de elétrons,
prótons e neutrons? Pois bem, o que acontece quando eu aproximo um
elétron de outro é que eles se repelem -- pensem em imãs -- porque têm
mesma carga. Só aqui eu já ficaria um dia inteiro fazendo analogias
entre humanos e seus relacionamentos, mas sigamos em frente. Se esses
elétrons se tocassem, seria uma fusão atômica. Cada abraço, uma
explosão. Bem, alguns são... Eu sei...
Mas, então, você não
está, realmente, sentindo seu corpo na cadeira, porque ele também é
feito de elétrons na superfície. Você está sentindo a força de repulsão
eletrostática. Isso parece frio, não? Imaginar que, quando beija, você
não toca, de fato, aqueles lábios que ama e deseja tanto? Mas, não é.
Você nunca toca realmente em nada que seja "físico". Mas sente, não
sente? Isso não leva seu pensamento pra muito, muito longe? O meu
vai.... Pra muito, muito longe mesmo... Enfim, eu, por exemplo, não
estou sentada escrevendo. Estou flutuando sobre uma camada de elétrons,
tocando em nada, senão Almas. A matéria é intangível.
Se
a matéria é invisível e intangível, então o materialista acredita
naquilo que ele não toca e naquilo que ele não vê. É preciso ter muita
fé pra se tornar um materialista... Pense nisso da próxima vez que
desejar "vender" a idéia de um trabalho espiritualizado, vivencial. Da
próxima vez que julgar um palestrante motivacional... Como a Leila Navarro, por exemplo. Uma amiga querida, culta e inteligentíssima. Profundamente apaixonada.
O
que quero dizer é isso, você precisa tocar Almas se quiser fazer alguma
diferença no mundo. E, também se quiser mostrar algo à alguém.
Esse texto-beijo, por exemplo, tem dono... Claro...
Mas eu pretendo que ele seja também um presente à você e algumas de suas inquietudes e desassossegos.
Além
disso, se estiverem ouvindo a música que mandei, enquanto lêem a
tradução dela a seguir, saberão o que eu estava cantando em minha
cabeça quando me deitei para dormir na noite passada...
Se você
já não o fez, coloque a música novamente, acompanhe a tradução e veja
quem ocupa seu pensamento enquanto lê e sente. Aposto que você saberá
o nome e o sobrenome do que tira o que de melhor existe em você...
Eu descobri...
Cinema Paradiso (Se) Josh Groban
Se tu fossi nei miei occhi per un giorno Se você visse através dos meus olhos por um dia
Vedresti la bellezza che piena d'allegria Veria a beleza que me inunda de alegria
io trovo dentro gli occhi tuoi Quando olho dentro dos teus olhos
ignaro se magia o realtà Não sei se é magia ou realidade
Se tu fossi nel mio cuore per un giorno se você estivesse no meu coração por um dia
Potreste avere un'idea Poderia ter uma idéia
Di ciò che sento io Do que eu sinto
Quando m'abbracci forte a te Quando me abraça forte junto a você
E petto a petto noi E, peito a peito, nós
Respiriamo insieme Respiramos juntos
Protagonista del tuo amor Protagonista do teu amor
Non so se sia magia o realtà Não sei se é magia ou realidade
Se tu fossi nella mia anima un giorno Se você estivesse na minha alma um dia
Sapresti cosa sento in me Saberia o que eu sinto em mim
Che m'innamorai que me apaixonou
Da quell'istante insieme a te A partir desse instante, junto a você,
E ciò che provo è em que o que experimento é
Solamente amore Somente amor
Da quell'istante insieme a te A partir desse instante, junto a você,
E ciò che provo è em que o que experimento é
Solamente amore Somente amor
Inês Cozzo Olivares SP, 06/09/09 (como eu comecei quando estava quase dormindo, não sei precisar a hora... mas, o que importa...?
Um pedido, por favor
Tô precisando de ajuda. Ando às voltas com um problemão. O italiano
bonitão: O Giovanni. Não ele, mas por causa dele. Eu disse à ele que
chegava já de galanteios. Que eu já estava elogiada pelo resto desta
minha "encadernação" e que já estava bom, eu disse. Agora vamos ser
amigos e falar de música e livros e filmes e flores e o mar e trabalho,
eu disse. Sabem o que ele fez? Ele me mandou Neruda, acreditam? Neruda...
"Leve o meu pão, se quiser, tome meu ar, mas não me tire o seu sorriso."
Fala sério, quando a gente pensa que esses italianos já fizeram tudo que sabiam na arte de cortejar, eles vêem e se superam!
Aí
ele escreveu que estava lendo um livro. Um livro maravilhoso. Disse que
é um livro tão maravilhoso que ele está lendo apenas 3 páginas por dia
que é pra não acabar muito rapidamente, "assim como se faz com uma
torta de maça que amamos muito", ele disse; como ele fazia com o pudim
que a mãe dele preparava e ele amava tanto, ele disse.
Você
suspirou? Se você suspirou, provavelmente você é do sexo feminino ou é
homem mesmo e tá com sua anima mais que bem resolvida. Eu suspirei.
Esse camarada nunca vai sofrer de ejaculação precoce. Sorte de alguma
moça com o coração disponível. Não é o meu caso. O meu tá ocupado há
mais de 20 anos...
Bom, como eu disse, meu problemão não é
exatamente com o italiano. Eu sei muito bem controlar essas coisas de
cantadas, mesmo as italianas. Meu problemão é com o que isso me fez
pensar...
Vocês vejam só como são as coisas, eu já estava
acostumada à morte do romantismo no nosso século. Acostumada não,
conformada. É diferente. Mas já estava até começando a achar a
"ficadinha básica" um troço normal. Já começava a acreditar que o
movimento fast tinha saído do food
e invadido as relações e que isso era inevitável. Afinal, ele já está
nos eletro-eletrônicos, nos empregos, nas músicas, até nos livros ele
já chegou! Fast books. Leia agora, porque amanhã pode não servir mais!
Mário Sérgio Cortella me impactou profundamente quando desenvolveu uma reflexão no CBTD sobre a diferença entre o NOVO e a NOVIDADE.
Novidade
é o que vem e vai embora rapidamente. Novidade é o que passa e não
deixa nem vestígios. Não cria raízes, não deixa lembranças. Aquilo que
chamaremos depois de "modismo".
Novo é o que se renova. É aquilo que revoluciona mas é perene.
Eu, Inês Cozzo Olivares,
em 2009, sou a minha mais nova versão de mim mesma. Como o Cortella.
Totalmente reinventada. Revista e ampliada. Um pouco mais ampliada que
revista, mas convenhamos... quem, depois dos 40 não sofre uma certa
expansão territorial, não é mesmo? Por favor, riam. Gosto de me
imaginar engraçada porque engraçado é aquele que enche o mundo de graça
e eu acho isso lindo! Como disse o Cortella. Eu realmente admiro este
filósofo!
Agora, continuando com meu problemão. Eu não tive
filhos. Não terei o prazer de educá-los para a vida. Não terei a honra
de orientá-los na direção de melhores formas de ser e estar, como é
minha missão estabelecida por mim mesma, obrigada. Não poderei dizer à
eles, inspirada no filósofo Kant "Se não puder contar como fez, não faça."
como disse o Cortella aos filhos dele. Mas, eu gostaria também de dizer
à eles, se seu coração estiver implorando, "manda bala" que eu tô aqui
pra te apoiar! Como o Cortella parece que não disse aos filhos dele.
Isso meio que me entristece. Não o Cortella não ter dito. Eu não ter
filhos aos quais dizer...
Mas posso contar à você e você pode
contar à eles. Entendeu agora o meu problema e como você pode me
ajudar? Talvez você já os tenha, talvez ainda vá tê-los. Que
oportunidade! Por favor, conte à eles...
Ah... Antes que eu me esqueça, o livro que o Giovanni está lendo é do Kader Abdolah e se chama "Scrittura cuneiforme",
bem, pelo menos é assim que ele se chama em italiano. Nem se assanha.
Não tem no Brasil. É claro que eu fui atrás. E pela resenha, fiquei
mesmo babando pra ler. Quem sabe ele me manda de lá... :(
Inês Cozzo Olivares SP, 03/09/09 iniciada à 01h50 e concluída (mesmo) às 02h11 tem coisas que são assim mesmo... Vapt, vupt
Era uma vez...
"Era uma vez..." que modo mais encantador de se começar uma história.
Nem conta quando aconteceu. A gente tem que ler pra descobrir. Ou
imaginar... O que é melhor ainda! Adoro imaginar...
Todo
mundo tem uma porção de "era uma vez...". Todo mundo. Sem exceção. Eu
me pergunto se todo mundo percebe isso. E, se percebe, será que dá o
devido valor?
Me pergunto essa coisas, por acreditar que somos
pessoas feitas de histórias. O Homem é um animal histórico. O único,
até onde se sabe, que sabe de onde vem (crianças sempre querem saber
sobre isso, já notaram?), onde está e pra onde vai, isto é, o único,
até onde se sabe, que sabe que vai "morrer" um dia.
E o Homem
é um animal que não gosta muito da idéia de morrer. Acho que é porque a
maioria acredita que vai deixar de existir. E como animais históricos
que somos, a maioria de nós não gosta da idéia de deixar de existir.
Pelo menos, não sem fazer alguma diferença pra alguém.
Nem vou
me meter em questões últimas. Alguns acham que morre, outros que acaba,
transcende, volta, fica por lá mesmo... Nunca valeu a pena pra mim, me
meter nesse tipo de debate que envolve questões finais, sabem? Então,
apenas respeito.
Mas que não gosta, não gosta. Querem ver?
Outro dia, ouvi em algum lugar uma história de uma criança perguntando ao pai:
- "Mas pai, quando você morrer, quem vai cuidar de mim?"
E o pai, "educando" o filho:
_ "Não filhinho. Não é quando. É "Se". Se o papai morrer..."
Bem,
lamento informar, mas a morte não é uma questão hipotética. É,
decididamente, uma questão cronológica. Logo, não é "se" é "quando"
mesmo.
Tem uma coisa que me interessa muito nisso de "era uma vez" somado ao fato de sermos animais históricos.
Como
eu dizia, a gente quer fazer diferença. Deixar alguma coisa aqui depois
que se transformar em outra que não seja mais Humano ou Humana,
conforme cada crença que, já combinamos, não vem ao caso agora.
Para
a maioria de nós, o que deixamos como continuidade são nossos filhos.
Eles escrevem suas histórias a partir das nossas. Sempre me pergunto se
as crianças estão ouvindo as "más" histórias -- seu pai fez isso, seu
tio foi aquilo, sua avó era aquilo outro... e uma coisa negativa na
sequência -- ou se as "boas" histórias, aquelas que ajudam a construir
o caráter. Você puxou a inteligência do seu pai, a bondade da sua mãe,
o senso de humor do seu tio, a gentileza da sua avó... Tomara que sejam
estas. Tomara!
Sabiam que, na antiguidade, o pior castigo não
era a morte? Era o banimento da tribo. Nunca mais seu nome poderia ser,
sequer mencionado. Pior que deixar de existir, é nunca ter existido.
Tem até coisa pior que é ter existido pra alguém e ser esquecido. Nossa isso dói muito!
O Fábio Jr.
tem uma música sobre as coisas que nunca aconteceram e como elas
doem... Sobre nossos "Era uma vez..." que não tiveram um "E viveram
felizes para sempre...". Chama-se CHORO.
Ele fala de uma relação que deixou de existir quando ainda tinha muita
história, muitas possibilidades, muitos "Era uma vez..." potenciais.
São só estas que doem. As que ainda prometiam... Por tudo que eu sei,
elas cobram com uma força lascada anos depois... Melhor escrever
histórias com começo, meio e The end.
Mas, nós queremos fazer
história. De uma forma ou de outra. E da melhor forma possível,
inclusive. Não conheço ninguém que não se importe, de verdade, com o
que falam sobre seu caráter, ou personalidade. Da boca pra fora, tem
sim. Pra valer, tem não.
- "Falaram de mim, é? O quê?" Com um ar
assim, quase, quase, desinteressado. Como mulher que passa o dia
inteiro se arrumando pra parecer que já saiu da cama daquele jeito.
Displicentemente elegante. Básico.
Acho que é isso, nós, animais históricos, precisamos nos unir se queremos fazer história. Se queremos fazer diferença no mundo!
"Inteligentes do mundo, uni-vos. Que os imbecis já estão. Inês Cozzo Olivares Iniciada em 16 de agosto de 2009 às 21h49min6s e concluída (?) em 02 de setembro de 2009 às 19h24, mais ou menos... Como pode, né? Tão curtinha...
O que revela o melhor que há em mim?
Lembram-se do Giovanni, o italiano bonitão da crônica Sobre Sorrisos e Verdade?
Aquele que me achou no Facebook e comparou meu sorriso à uma obra de Vivaldi? Pois é, ele
agora é meu amigo e correspondente diário. Até me pediu pra adicioná-lo
no meu Orkut. Continua galanteador, mas acho que isso tá no DNA deles,
dos italianos, e acabei me acostumando. Nem dói mais. Mas hoje ele me
disse algo que me colocou pra pensar muito. Ele disse:
- "Forse il mare riesce a tirar fuori il meglio che c'è dentro di me".
Calma...
É claro que vou traduzir. É que o italiano é um idioma tão... tão...
Ah... TÃO! Poético, lírico, idílico, romântico. Eu tinha que colocar a
frase exatamente como a recebi, entendem? Enfim, ele disse: "Talvez o
mar possa trazer o melhor que há em mim".
Ele ama o mar! E,
assim como me manda flores virtuais todos os dias, me manda fotos do Mar que ele vê da casa dele em Impéria e pelo qual navega sempre que tem um tempo
livre. Chato, não?
O negócio é que, aí, eu fiquei me perguntando
o que é que traz o melhor que há em MIM. Quando é que eu fico com o
melhor humor que se possa ter? Quando me sinto 100% centrada?
Equilibrada? De bem com a vida? Qual é o meu Nirvana? E fiquei chocada
comigo mesma quando descobri que não há uma única resposta pra isso.
Não é o Mar. Não consigo encontrar uma coisa única capaz de me trazer
todas essas maravilhas.
Pensei na música, nos livros, nos
filmes, no meu trabalho, nos meus amigos e amigas (família inclusa;
tenho um orgulho gigantesco da minha e são todos meus amigos!). São
todas coisas que amo de paixão. Sem as quais eu não viveria feliz. Mas
fui incapaz de eleger UMA delas como resposta à minha inquietação de
agora.
Será que eu deveria me sentir culpada? Porque eu realmente não me sinto.
Eu
me expresso através da música. Me inspiro nos livros que leio, mesmo os
técnicos. Vivo uma vida paralela nos filmes que vejo quando "viajo"
neles e me transformo na personagem que eu quiser ser naquele momento e
crio uma realidade ampliada, estendida, por assim dizer, juntando o
real mais o imaginário, aliás, o poder da minha imaginação é um ponto
fora do gráfico, sabem? Minha família e amigos são parte da minha
história, d'eu ter me tornado quem sou hoje e olhem que eu nem tenho
definição; me considero um ser em formação. E o meu trabalho, ah o meu
trabalho... Ele é o que mais se aproxima, pra mim, do que é o Mar para
o Giovanni. É que nele encontro absolutamente tudo isso! Nele eu sou
inteira, íntegra e 100% congruente e ecológica comigo mesma. Músicas,
filmes e livros são recursos e companheiros constantes, quase amigos
mesmo. Minha família e meus amigos participam dele das formas mais
variadas e inesperadas (mais INES que 'peradas... desculpem, não
resisti...), alguns nem sabem disso, mas estão poderosamente presentes.
Aí
pensei: Como o Giovanni vai "carregar" o Mar com ele quando for
"engenheirar" (ele é engenheiro)? Ele realmente precisa tirar um tempo
pra ir buscar o melhor dele no Mar. E, então, cheguei à duas conclusões
importantíssimas. A primeira é que me considero afortunada. O melhor de
mim me acompanha o tempo todo. A segunda, e mais importante, é
decorrente e consequência da primeira, se o melhor de mim me acompanha
o tempo todo, então, decididamente, o melhor de mim, sou eu mesma.
Como
disse Elizabeth Kübler-Ross, cientista, doutora e educadora, as pessoas
são como vitrais. Elas faíscam e brilham quando o sol bate nelas, mas
quando vem a escuridão, sua verdadeira beleza somente é revelada se
houver uma luz vinda de dentro. Por isso eu te pergunto, e você? O que
revela o melhor que há em você?
Inês Cozzo Olivares (ainda "encafifada" com essa questão...)
As coisas que nós não percebemos
Ah, os maravilhosos anos 80!
Você já deve ter ouvido essa expressão, como eu, centenas de
vezes, não é mesmo? Eu mesma já repeti essa expressão centenas (ou
mais) de vezes! Claro, eu realmente VIVI os maravilhosos anos 80, então
isso explica e justifica. Mas, a verdade é que mais de 3 gerações dizem
o mesmo dessa época e ninguém diz: "Ah, os maravilhosos anos 20", ou
30, 40, 50, 60, 70, 90. Eu fiquei me perguntando por que. Bem, vocês
sabem? Eu SEMPRE fico me perguntando o por que das coisas. Acho que é
por isso que adoro Filosofia... Mas, essa é outra história.
Meu caso agora é com os maravilhosos anos 80 e as coisas que a gente não percebe... mas deveria.
Por exemplo, eu estava em um dos inúmeros bate-papos, com o Oswaldo Montenegro,
extremamente inteligentes e agradáveis -- como costumam ser todos os
bate-papos com ele -- e falávamos da força que há nas letras de algumas
músicas e que ninguém percebe DE FATO. Então, ele me chamou a atenção
para REALCE do GILBERTO GIL. Época: Anos 80, claro! E a letra é realmente genial!
Vocês vêem? O Oswaldo não é apenas cantor, é também compositor, escritor,
diretor e autor teatral além de um profundo estudioso da natureza
humana. Isso dá à ele uma condição privilegiada. E, à quem convive com
ele, mais privilegiada ainda. Ele soma a cultura geral enorme que tem,
com a alma do artista. Sensível, altamente perceptiva e especialmente
atenta. Mais até que a do cientista, porque conectada ao todo, enquanto
nós, cientistas, tendemos a focalizar a parte, o detalhe.
Bem,
eu tenho muito essa pretensão de já conseguir "mixar" um pouquinho das
duas em mim e em tudo que faço. Ciência e Arte. Vocês, que me conhecem,
me contam se estou no caminho certo, por favor? Obrigada.
Voltando à música realce do Gil, a primeira estrofe diz assim:
"Não se incomode
O que a gente pode, pode
O que a gente não pode explodirá
A força é bruta E a fonte da força é neutra
E de repente a gente poderá"
Isso é Zen total! O que a gente pode, pode. Não há com que se
preocupar. A gente pode e pronto. E o que a gente não pode, explodirá.
De alguma maneira, vai acontecer. O Inconsciente, o Universo, o
destino, Deus... Questões finais. Não vem ao caso agora. Coloque você a
Fonte que está no centro da sua crença e confie. Ela, a Fonte, fará a
"coisa" acontecer.
"A força é bruta e a fonte da força é neutra e de repente a gente poderá".
Isso não te parece profundamente "alivia-dor"? Eu acho. Pra mim é. A
Força é mesmo neutra. Ela não está contra mim nem contra ninguém.
Apenas segue seu curso. A questão é se estou capaz de enxergar nas tais
linhas tortas a escrita certa. E ter paz-ciência quando não posso. E
esperar até a "coisa" explodir, isto é, acontecer. Já adianto que não.
EU não sou uma das melhores "esperadoras" que conheço. Nã-na-ni-na-não.
Paz-ciência pra mim.
Mas nós, que "adolescemos" nos anos 80, pulamos, dançamos e
"trans-piramos" muito (n)essa música, numa Disco Dance. Chamávamos de
discoteca. Pronto. Contei. Agora relaxem.
"Realce, realce
Quanto mais purpurina, (parafina, serpentina) melhor
Realce, realce
Com a cor-do-veludo, com amor
Com tudo, de Real teor, de beleza
Realce, realce, realce, realce
Realce, realce, realce, realce"
E como isso era liberta-dor.
Ah, me perdoem tantos hífens onde não existem, mas às vezes
eles me ajudam muito a dar destaque ao que preciso, quando a palavra
sozinha não alcança o que quero. Viu, Tio Chico? Pôxa... Nem o Tio
Vanderlei, que é formado em linguística, me dá "dura" quando uso gíria.
Aquarianos.... Humpf! Vocês e seu arquétipo de perfeição. "Humpf" de
novo!
Mas eu tenho mesmo saudade daquele tempo... Eu e meu irmão,
Carlos -- o bonitão da turma --, participamos de um concurso de dança
imitando o John Travolta e a Karen Lynn Gorney na sua famosa dança em Saturday Night Fever.
Tenho o maior orgulho disso. Tenho que ter. Nós ganhamos! A gente
ensaiou incansavelmente. Afinal, o cérebro humano aprende por ensaio,
repetição e velocidade. Vimos o filme 17 vezes! Lembrem-se, não havia
vídeo em 1977. Ah... como eu amo cinema.
Como eu dizia, eu voltava pra casa renovada, para o que de mais importante eu tinha pra fazer na minha vida de então: Estudar para a prova. UMA VEZ POR MÊS!
Eu acho que é por isso que a gente diz que era feliz e não
sabia. Nossa principal preocupação na vida era tirar nota suficiente
pra passar de ano. Sim, porque, meninas (hoje mulheres, como eu),
verdade seja dita, com o "carinha" ou "gatinho", não nos preocupávamos
DE FATO, certo? Curtíamos! Nos ocupávamos em ficar bonitas pra nos
sentirmos bem perto dele. Fazíamos a manicure umas das outras ou de nós
mesmas -- que ninguém tinha dinheiro sobrando pra pagar por isso --
pegávamos "roupitchas" e acessórios emprestados umas das outras;
olhávamos no espelho, nos elogiávamos mutuamente, ficávamos
satisfeitíssimas com o resultado, íamos para as discotecas do bairro e produzíamos uma quantidade de serotonina que daria pra deixar um seismossauro -- um dos maiores dinossauros que já existiram --, feliz da vida, por um ano!
A Neurociência diz que, cada vez que nos sentimos felizes, produzimos esse neurotransmissor chamado serotonina , entre outros. 'Tá aí o link pra wikipedia. Vai que você é investigativo e curioso como eu...
Eu já contei, duas crônicas
atrás, que produzo minha cotazinha diária de serotonina, atualmente,
com filmes e músicas principalmente. É verdade. Funciona mesmo. Eu sei.
Eu estudo esse negócio aí. Eu até ensino esse negócio aí.
Há também neurotransmissores que nos produzem tristeza, saudade (essa até que é boa. Como diz a música "Sonhos" do Peninha,
"Ter saudade até que é bom; é melhor que caminhar vazio.") e nostalgia
(tenho tido alguma ultimamente, preciso cuidar bem dela, dar à ela a
"comidinha" certa, senão ela não vai embora...). Aí, vem o Gil e diz
assim:
"Não se impaciente
O que a gente sente, sente
Ainda que não se tente, afetará
O afeto é fogo e o modo do fogo é quente
E de repente a gente queimará"
Ando meio "brasa apagada" por estes tempinhos recentes. Porque
"o que a gente sente, sente". Não dá para não sentir. E "ainda que não
se tente", afeta mesmo nossa vida toda, isso que a gente sente. Mas
ainda voltarei a incandescer. Confio em alguém que conheço e que é um
excelente soprador de brasas, sabem? Enquanto isso, tenho todas as
músicas dos maravilhosos anos 80 pra produzir a serotonina de que
preciso.
É claro que cada época tem sua(s) crise(s), mas nos anos 80
parece que a gente tinha mais noção da crise como uma condição humana e
não como um acontecimento necessariamente ruim. Eu concordo com a
definição de CRISE dada pelo PAULO GAUDÊNCIO nesse CAFÉ FILOSÓFICO. Até editei e postei no meu canal do YouTube.
Apenas não acho que velho é quem se estruturou, como ele diz. Acho que
velho é quem se "engessou" na estrutura que criou. Aí vem a crise,
aquela que dói. E aí vem o Gil de novo:
"Não desespere
Quando a vida fere, fere
E nenhum mágico interferirá
Se a vida fere
Com a sensação do brilho,
De repente, a gente brilhará"
Então, "crianças" dos anos 80 e de todas as outras décadas,
sejamos felizes. Com a sensação do brilho, de repente, a gente
brilhará. REALCE!
Inês Cozzo Olivares
São Paulo, 27 de Agosto de 2009
Sobre Sorrisos e Verdade
Sou uma mulher casada. Isto posto, que fique bem claro que não costumo
estimular ou permitir a continuidade -- a primeira não posso evitar --
das cantadas que recebo presencial e virtualmente através das inúmeras
redes sociais da internet das quais participo. Paz-ciência...
Não
vou abrir mão de tudo que tenho de positivo participando das redes só
porque a maioria as utiliza para encontrar sua alma gêmea ou outra
coisa menos nobre (?). Já aprendi coisas que gastaria uma fortuna pra
aprender num curso e nem seria tão divertido. Informações sobre
equipamentos e softwares, dicas para melhorar fotos e filmagens,
artistas novos que não conhecia e pelos quais me apaixonei, indicações
de filmes incríveis e livros tão fabulosos quanto e por aí vamos. Viva
o Social Network!
Voltando às cantadas, recebo-as aos montes mas, hoje, uma delas me chamou especial atenção.
Local: MySpace. Protagonista: Giovanni. País:
Itália, claro! Se me chamou a atenção a ponto de me colocar aqui pra
escrever sobre isso, tinha que ser a cantada de um italiano.
Então, o cara é italiano e ficou impressionadíssimo quando respondi à ele em italiano.
- Ines, ma tu parli italiano ??? Effettivamente sei una donna molto bella, ma sei proprio una brasiliana??
Como assim "mas, você é mesmo brasileira?" Claro que sou mesmo brasileira! Haveria, talvez, quem sabe, uma pontinha de preconceito aqui? Deixa pra lá. Não quero sofrer agora.
Respondi em italiano sim, senhor! E viva o FRENGLY, um dicionário on line,
gratuito, que traduz de tudo pra qualquer coisa! Inclusive italiano.
Eu leio super bem e até me arrisco a falar umas frases curtinhas em
italiano, mas escrever? Isso é lá com Frengly.com
Mas isso foi só uma digressãozinha. O ponto mesmo é a cantada e o insight
que ela me deu, além, claro, de inflar meu ego de um jeito que quase
não está cabendo mais dentro do meu "póprio" ser, como diz,
jocosamente, minha irmã Daniela.
O italiano bonitão (ele é
mesmo muito bonito), me perguntou se eu gostava de Vivaldi (ainda por
cima tem bom gosto! Ai, ai, ai esses italianos...). Adoro Vivaldi,
respondi. Particularmente o Adágio (1º movimento) Primavera com o Herbert Von Karajan. Nossa! Só de me lembrar, arrepia e eu esqueço do mundo. Disse isso à ele e aí aconteceu! Ela, "A"
cantada mais linda do mundo! Toda mulher deveria receber uma dessas
pelo menos uma vez na vida. Ele disse em bom italiano e, isso parece
que melhora muito uma cantada...:
- E' vero, la Primavera è la parte piu' bella delle 4 stagioni di Vivaldi. Ti
suggerisco di ascoltare "bene" il secondo tempo (il largo) dell'Inverno
delle 4 stagioni. E' una musica che incanta e che potrebbe essere il
"rossetto" del tuo sorriso.
Volto a escrever assim que terminar de recolher o que há de mim derretido em volta desta escrivaninha...
Pronto. Voltei.
"il "rossetto" del tuo sorriso"
O bonitão culto comparou meu sorriso ao 2º movimento das 4 Estações de
Vivaldi! Por favor! Que mulher, em sã consciência, pode dizer que não
abala. Abala! Dá vontade de sair pela rua, sorrindo feito uma tonta pra
todo mundo! Vai ver, você até já viu una donna "pelaí" (perdão Tio Chico) desse jeito e achou que ela era maluca. Não era. 'Tá vendo? Só estava explodindo de autoestima.
Se o 1º movimento, que é Allegro Non Molto
já é um arraso de lindo (juro que chega a dar vontade de chorar quando
ele cresce, alí pelo meio e no final, mas é de alegria), o 2º movimento (largo) então... é de uma beleza... uma suavidade e delicadeza. Lembrei-me da Rosana Braga com seu maravilhoso trabalho "O poder da gentileza". E agradeci muito à minha mãe por me haver introduzido no mundo da música clássica desde bebê. É um mundo lindo esse!
Aí, fiquei me perguntando, será que eles já nascem com esse chip,
os italianos? Tem pra vender? Dói muito instalar no marido da gente?
(Perdão Tuim, mas quem te conhece sabe que não foi pela sua
"italianidade" que eu me casei com você...)
Outra digressão. Não
é esse ainda meu ponto principal. Meu foco aqui é o que faz com que
tantas pessoas, homens e mulheres, das mais variadas nacionalidade e
idades, comentem meu sorriso.
Pensei, pensei e descobri. É a
verdade contida nele. Eu jamais sorrio abertamente se não estiver
sentindo vontade. Posso até dar um eventual sorriso suave e gentil
porque ninguém tem nada a ver com minha tristeza, mas um sorrisão
mesmo, como este da foto de divulgação que uso na mídia em geral, aí
não.
Foi com o Taiguara
que aprendi isso. Um "cara" que parece que nasceu pra dizer, em música,
tudo que sinto, tudo que me acontece. Será que é porque acontece com
todo mundo?
Foi na belíssima música "Piano e Viola", na última estrofe, que aprendi.
Fica
aqui meu muito obrigada ao meu Tio Francisco (Chicão), à minha Tia Ana
e à minha Tia Cecília por me haverem apresentado ao mestre TAIGUARA já
na infância! Vocês são os melhores professores que uma garotinha
romântica poderia ter! Amo vocês!
Olhando o dia de chuva Vi que mais triste era eu Que sem estrela e sem lua Te procurava no céu Fiz do piano a viola Fiz de mim mesmo o amigo Fiz da verdade uma estória Fiz do meu som meu abrigo
Quem canta, fala consigo Quem faz o amor nunca quer ferir Quem não fere vive tranquilo Vê muita gente sorrir
E quem não tiver do seu lado A quem ama e quer ver feliz Não diga que não se importa Diga só o que o amor lhe diz Essa mentira é uma espuma Que se desmancha no ar E deixa n'água um espelho Pra você se ver chorar
Sorriso bom, só de dentro Ninguém é bom sendo o que não é Eu, pra ser feliz com mentira, Melhor que eu chore com fé
Que você dê seu melhor sorriso hoje e pra sempre. Com fé!
Quando a gente está triste
Quando eu estou triste, procuro coisas alegres e felizes. Ver um filme
alto-astral várias vezes é uma delas. Faço isso, por exemplo com
Escrito nas estrelas (Serendipity), A felicidade não se compra (Wonderful Life) -- esse, então, uso como remédio mesmo. Pra aumentar a auto-estima -- e A noviça rebelde (Sound of music) com a Julie Andrews. Como eu amo esse filme! Sei todas as músicas dele de cor... ação... Como diz uma de suas canções, "These are a few of my favorite things" -- com imagens e a letra pra você treinar seu inglês (Estas são algumas das minhas coisas favoritas - em karaokê pra você cantar)
When I'm feeling sad, (Quando estou me sentindo triste) I simply remember (eu simplesmente recordo) my favorite things (minhas coisas favoritas) and then I don't feeel so bad! (e, então, não me sinto tão mal)
Agora,
sabem quando a gente está só meio triste? Ainda não é um triste
inteiro, entende? É só uma pontinha, um comecinho, de tristeza. Sabem
que "pegar" a tristeza quando ela ainda é "filhotinha" é bem mais
fácil, né? Pode ser por sensação de abandono que é quando a jangada
parte e você fica, como diz a Adriana Falcão.
Ou como quando você está sofrendo com a ausência de alguém. Aliás,
curioso como a ausência é mesmo uma falta que fica muito, muito
presente... Parece aquela brincadeira de perguntar se tá doido o mundo.
Tudo junto se escrever separado e separado se escrever tudo junto...
Dãããã...
O fato é que, quando é só um comecinho ou uma pontinha
de tristeza, aí também não se precisa ver um filme inteiro. Às vezes
nem dá. No trabalho, por exemplo, não dá. Para casos assim, eu vejo esse vídeo do YouTube.
Aconteceu
em Antuérpia, Bélgica, na estação central de trem, onde, numa manhã de
segunda-feira, sem qualquer advertência aos passageiros que passavam
pela estação -- passageiros que passavam... humpf! -- às vezes eu
redundo mesmo... e você?, bem, o fato é que a voz de Julie Andrews soou
nos alto-falantes e aí...
Reparem nos olhares perplexos das pessoas que estavam ali naquele momento mágico. Os sorrisos. Os passinhos tímidos de dança.
Foram 200 dançarinos e 4 semanas de ensaio e o resultado ficou surpreendente.
Assistam
imaginando que os dançarinos são mesmo pessoas "comuns" (isso existe?),
pessoas que estavam na estação e simplesmente se deixaram levar pela
leveza, pela beleza e pela felicidade contidas na música. Apenas
imagine que todas as pessoas no mundo se deixassem levar assim, vez ou
outra. Nem precisaria ser sempre. Menos lágrimas nos escapariam... Ando
lendo muito a Adriana Falcão ultimamente como você já deve ter notado
(rs) -- comecei com "Mania de explicação"
e não parei mais -- e ela tem razão, "lágrima é um sumo que sai dos
olhos quando se espreme um coração." O meu anda meio espremido
ultimamente, então, preciso muito das minhas coisas favoritas. Esse
vídeo, é uma delas.
Mas, se o que aconteceu nesse vídeo, acontecesse mais vezes e com todo mundo, desconfio que a gente sorriria mais...
De
presente, a letra e a tradução da mais famosa música de "A noviça
rebelde". Experimentem cantar junto. É uma delícia! E "pega o bichinho"
da tristeza ainda filhotinho e o ensina a se transformar em reflexão...
sem dor... Tenta?
DO, RE, MI Let's start at the very beginning (Vamos começar bem do comecinho) A very good place to start (um ótimo lugar pra começar) When you read you begin with A-B-C (Quando lê, você começa com ABC) When you sing you begin with do-re-mi (Quando você canta, você começa com Dó - ré - mi)
Do-re-mi, do-re-mi The first three notes just happen to be (as primeiras 3 notas que aparecem) Do-re-mi, do-re-mi
Maria: Do-re-mi-fa-so-la-ti spoken Let's see if I can make it easy (Deixe-me ver se consigo tornar isso mais fácil)
Doe, a deer, a female deer ( Corça*, um cervo, um cervo feminino ) *(há uma analogia fonética entre doe e dó, sendo doe = corça)
Ray, a drop of golden sun (Raio*, uma parte que cai do sol dourado ) *(outra analogia fonética, agora entre ray e ré)
Me, a name I call myself (Mim, um nome que eu chamo a mim mesmo )
*(mais no sentido de "eu" e uma analogia fonética entre me e mi)
Far, a long, long way to run (longe, um lugar longo, longo a percorrer)
Sew, a needle pulling thread (Costura, uma agulha puxando a linha)
La, a note to follow Sew (Lá, uma nota depois de Sol)
Tea, a drink with jam and bread (chá, uma bebida com geléia e pão)
That will bring us back to Do (oh-oh-oh) E isso nos trás de volta ao Dó
Maria and Children: (Repeat above verse twice)
Maria: Do-re-mi-fa-so-la-ti-do So-do!
Maria:(spoken) Now children, do-re-mi-fa-so and so on (Agora crianças, dó-ré-mi-fá-sol e assim por diante) are only the tools we use to build a song. (São apenas ferramentas que usamos para construir uma canção) Once you have these notes in your heads, (Uma vez que vocês tenham essas notas nas suas cabeças,) you can sing a million different tunes by mixing them up. (vocês podem cantar um milhão de melodias diferentes misturando-as) Like this. (como isto)
So Do La Fa Mi Do Re spoken Can you do that? (vocês conseguem fazer isso?) Children: So Do La Fa Mi Do Re Maria: So Do La Ti Do Re Do Children: So Do La Ti Do Re Do Maria: spoken Now, put it all together. (Agora, coloque tudo isso junto)
Maria and Children: So Do La Fa Mi Do Re, So Do La Ti Do Re Do Maria: spoken Good! (Ótimo!) Brigitta: spoken But it doesn't mean anything. (Mas isso não significa nada) Maria: spoken So we put in words. One word for every note. Like this. (Então, nós colocamos em palavras. Uma palavra para cada nota)
When you know the notes to sing (Quando você sabe as notas para cantar) You can sing most anything (Você pode cantar qualquer coisa) spoken Together! (Juntos!)
Maria and Children: When you know the notes to sing You can sing most anything
Doe, a deer, a female deer Ray, a drop of golden sun Me, a name I call myself Far, a long, long way to run Sew, a needle pulling thread La, a note to follow Sew Tea, a drink with jam and bread That will bring us back to Do
Do Re Mi Fa So La Ti Do Do Ti La So Fa Mi Re
Children: Do Mi Mi Mi So So Re Fa Fa La Ti Ti (Repeat above verse 4x as Maria sings)
Maria: When you know the notes to sing You can sing most anything
Maria and Children: Doe, a deer, a female deer Ray, a drop of golden sun Me, a name I call myself Far, a long, long way to run Sew, a needle pulling thread La, a note to follow Sew Tea, a drink with jam and bread That will bring us back to
Maria: Children:
Do . . . So Do Re . . . La Fa Mi . . . Mi Do Fa . . . Re So . . . So Do La . . . La Fa Ti . . . La So Fa Mi Re Ti Do - oh - oh Ti Do -- So Do
Se você gostou da "brincadeira", esperimente esta outra canção do mesmo filme
The Lonely Goatherd Maria: High on a hill was a lonely goatherd Lay ee odl lay ee odl lay hee hoo Loud was the voice of the lonely goatherd Lay ee odl lay ee odl-oo
Folks in a town that was quite remote heard Lay ee odl lay ee odl lay hee hoo Lusty and clear from the goatherd's throat heard Lay ee odl lay ee odl-oo
the Children: O ho lay dee odl lee o, o ho lay dee odl ay O ho lay dee odl lee o, lay dee odl lee o lay
Maria: A prince on the bridge of a castle moat heard Lay ee odl lay ee odl lay hee hoo Kurt: Men on a road with a load to tote heard Lay ee odl lay ee odl-oo
the Children: Men in the midst of a table d'hote heard Lay ee odl lay ee odl lay hee hoo Maria: Men drinking beer with the foam afloat heard Lay ee odl lay ee odl-oo
One little girl in a pale pink coat heard Lay ee odl lay ee odl lay hee hoo Brigitta: She yodeled back to the lonely goatherd Lay ee odl lay ee odl-oo
Maria: Soon her Mama with a gleaming gloat heard Lay ee odl lay ee odl lay hee hoo What a duet for a girl and goatherd Maria and the Children: Lay ee odl lay ee odl-oo
Maria and the Children: Ummm (ummm) . . . Odl lay ee (odl lay ee) Odl lay hee hee (odl lay hee hee) Odl lay ee . . . . . . yodeling . . .
Child: One little girl in a pale pink coat heard Maria: Lay ee odl lay ee odl lay hoo hoo Child: She yodeled back to the lonely goatherd Maria: Lay ee odl lay ee odl-oo
Maria: Soon her Mama with a gleaming gloat heard Lay ee odl lay ee odl lay hmm hmm What a duet for a girl and goatherd Lay ee odl lay ee odl-oo
Maria and the Children: Happy are they lay dee olay dee lee o . . . . . . yodeling . . . Soon the duet will become a trio Maria: Lay ee odl lay ee odl-oo
Maria and the Children: Odl lay ee, old lay ee Odl lay hee hee, odl lay ee Odl lay odl lay, odl lay odl lee, odl lay odl lee Odl lay odl lay odl lay
the Children: HOO!
Eu, meu amigo e a "Morte"
Na madrugada de sábado passado perdi um grande amigo. Digo perdi só pra
colocar as coisas no padrão convencional, porque não acredito mesmo
nisso. Não acho que perdi. Gente não é da gente. Ninguém é de ninguém,
logo não dá pra perder. Ninguém perde o que nunca teve. Em todo caso,
eu não o vejo mais com os olhos físicos, nem posso mais tocá-lo com as
mãos ou falar com ele como falo com vocês - alguns de vocês, pelo
menos. Acho que isso ainda vai doer um tempo. Chama-se luto e dói mais
quando o amigo é o pai da gente. Ele era (?) meu pai.
Nem
nos víamos com tanta frequência. Eu viajo muito. Mas a qualidade da
presença sempre superou a falta de quantidade. Uma vez li num cartão da
Imaginarium que pra estar
junto não é preciso estar perto. Só é preciso estar dentro. Ele está
dentro. Essa é outra razão porque sei que não perdi.
Cada vez
que faço algo que aprendi com ele, ele está junto comigo. E eu aprendi
muita coisa com ele. Aprendi a gostar de música -- de Nelson Gonçalvez
a Beatles -- e isso me ensinou ecletismo, flexibilidade, respeito pela
diversidade, adaptabilidade a diferentes estilos e a enxergar a beleza
neles. Meu primeiro compacto foi ele quem deu. Era "Me and you" do Dave McLean ... Give me only a smile... Me dê só um sorriso... e do lado B era We Say Goodbye... Why did you say goodbye to me?
Por que você disse adeus pra mim?... Alguém lembra? É só comigo ou está
mesmo havendo uma onda de saudosismo e de reencontros "pela aí"?
Ele
também me ensinou a falar espanhol e inglês. Ele usava
neuroaprendizagem, sabiam? Nos anos 60! Colocava os discos do Miguel
Aceves Mejia -- eu me emocionava sempre com La Calandria - e me
ensinava a cantar em espanhol e entender o que era dito. Fazia o mesmo
com o inglês tocando Beatles, Neil Diamond, Bee Gees... Saber com
sabor. Isso foi, tenho certeza, meu primeiro embrião do que eu faria
anos mais tarde casando a ciência com a arte. Eu realmente acredito que
a sabedoria só voltará quando, de novo, como na antiguidade, Ciência e
Arte forem amigas, senão amantes.
Aprendi com ele a gostar de
eletrônicos. A operá-los com facilidade. Nossa, como isso me ajudou a
entrar na era da cibernética. A internet entrou no Brasil em 96/97. Em
outubro de 97 eu já tinha e-mail e já tinha colocado meu primeiro site
no ar -- totalmente criado por mim! Ambos gostamos de gadgets -- essa
bugigangas eletrônicas super divertidas. É, definitivamente, meu pai me
colocou no século XXI muito, muito antes dele chegar.
Ele me
ensinou a fazer trocadilhos. Era espirituoso e ágil, com um senso de
humor desses que não tem como a gente não rir. Sabia ser encantador
quando queria.
Mas a coisa mais importante que aprendi com meu
pai foi a viver e deixar viver. Ele jamais se metia na vida de ninguém.
Deve ser por isso que troquei a Psicologia Clínica pela Organizacional
(rs). Ainda me lembro dele dizendo pra minha mãe "Deixa a menina
quieta" quando, aos 18 anos, tomei uma decisão importante da qual ela
discordava.
Ele era ranzinza... exceto quando não era. Ele era calado... exceto quando não era. Ele era mal-humorado... exceto quando não era. Será
que a gente ama as pessoas pelo que elas são, pelo excetos, por ambas
as coisas ou porque, no fundo, sabemos que ninguém "é" coisa nenhuma.
Apenas "está" deste ou daquele modo? Não importa. Eu amo meu pai. Eu te amo porque te amo. Vocês conhecem "As sem-razões do amor" do Carlos Drummond de Andrade?
AS SEM-RAZÕES DO AMOR Carlos Drummond de Andrade
Eu te amo porque te amo. Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. - Amor é estado de graça e com amor não se paga. Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. - Amor foge a dicionários e a regulamentos vários. Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim. Porque amor não se troca, nem se conjuga nem se ama. Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo. - Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor.
É...
eu amo meu pai. Vou sentir falta dele na forma convencional e "papear"
muito com ele na forma ascencionada -- um privilégio, eu acredito. De
quando em quando, vou me lembrar de alguma coisa que vai me emocionar.
Talvez eu chore. Como agora. Tá bom também. Faz parte.
Aos que
vão estar trabalhando comigo nos próximos meses só peço, seguindo o
conselho do amigo Luiz Carlos (o mesmo da crônica passada; do livro
"Por que fazer terapia?") que me permitam parecer distante de vez em
quando. Isso vai acontecer muito por um tempo. E sorrir um pouco menos
também. Paz-ciência.
Pro meu pai, fica aqui a belíssima música "Por brilho" do Oswaldo Montenegro, outro amigo de quem gosto e respeito muito, destacando o verso:
"Onde vá, Vá para ser estrela. As coisas se transformam E isso não é bom nem mal. e onde quer que eu esteja, O nosso amor tem brilho, vou ver o teu sinal"
Até breve, amigo.
São Paulo, 10 de agosto de 2009 Inês Cozzo Olivares (a filha)
Sobre Amor-Paixão e Amor-Amizade
by Inês Cozzo Olivares
Alguns sabem, outros saberão agora. Eu
estive uma semana em Portugal. Foi pra mim o início de um novo ciclo -
fiz aniversário dia 30 passado.
Alguns sabem, outros saberão
agora. Quando dou aulas ou palestras, quando escrevo livros ou estes
boletins, quando conduzo reuniões ou processos de coaching,
ou qualquer coisa que eu faça no meu trabalho, quem aparece é a
consultora - e ela tem cara de consultora, mas quem "pilota" a
consultora é uma adolescente de 17 anos profundamente apaixonada pelo
que faz! Eu espero muito que isso apareça na forma como faço tudo que faço. Nesse sentido, há uma congruência permanente em mim. Continue lendo e você verá onde quero chegar.
Fui
para Portugal principalmente para o que chamarei de um retiro que era
pra ser de uma forma, mas foi de outra, não menos importante que aquela
que idealizei, e que me traz até aqui com uma inquieta-ação
pra compartilhar com você que lê as coisas que escrevo. Desejo muito
suas considerações, opiniões, palpites, sugestões ou, simplesmente,
suas próprias inquietAções. Fique mais que a vontade pra enviá-las por esta mesma via.
Estive
e estou pensando... Existe um Amor que se constrói com o tempo. Ele
tende a ser sereno, amigo, seguro, tranquilo. A gente até o chama o
tempo todo de porto seguro.
Quando estamos carentes, ele nos aplaca a solidão e minimiza a
angústia, a tristeza ou qualquer outro sentimento ou emoção que
chamamos "negativo(a)". E isso é bom. Nos faz bem. Mas, como disse John
A. Shaedd: "Um barco está seguro num porto, mas os barcos não são construídos para isso."
Existe
também um outro tipo de Amor. É o amor-paixão. Ele é incendiário,
espontâneo, nasce sem que a gente faça absolutamente nada pra que ele
se manifeste. A gente apenas vê o outro, ouve a voz dele(a) e o corpo
muda, por dentro e por fora... A Alma grita "- Eu quero! Eu preciso!"
Aliás, na maioria das vezes, a gente até tem que fazer um esforço
tremendo pra disfarçar, mas ele é poderoso e escapa. Não raro, quem
chega perto também pega fogo. É adrenalina no sangue, coração batendo
rápido, pulsação à mil por hora, respiração que ora acelara ora fica
suspensa. A ansiedade pela chegada daquele e-mail, dele(a) estar no MSN
na hora em que você se conecta, de vê-lo(a) chegando de surpresa, de
conseguir um toque, um beijo, um tempo junto roubado, sabe Deus de quem
ou do quê... Me entende? Sabe como é? Pois é. Todo mundo já viveu um
amor assim. De perder o juízo e o bom-senso. Hummm... retificando, eu desejo do fundo do meu coração que todo mundo já tenha vivido um amor assim porque ele nos faz sentir absolutamente vivos! Como disse Adriana Falcão com uma precisão incrível "Paixão é quando, apesar da placa "PERIGO" o desejo vai e entra."
É o barco na aventura do alto-mar, enfrentando tempestades e ventos
loucos pra descobrir novos horizontes, pra conhecer outros continentes,
enfim, pra evoluir, pra crescer, pra dar sentido à vida. É pra isso que
os barcos foram feitos. Pra navegar.
Não quero comparar os dois
tipos de amor no sentido de qual é o "bom" ou o "certo" nem nada
parecido. Quero refletir sobre o que a gente escolhe na vida e fazer
uma comparação, aí sim, entre esses dois tipos de amor na vida pessoal
e na vida profissional.
Eu conheço um monte de gente, bem mais
do que eu gostaria, que num momento de fragilidade, de carência,
encontraram um(a) amigo(a) (quase sempre na mesma situação) e decidiram
construir uma vida juntos e isso os salvou de naufragar. Vai correr
tudo bem, pelo que sei, desde que o amor-paixão nunca apareça ou, pior,
REapareça, porque os que
reaparecem costumam vir com a força de anos represados. E, aí, a alma
vai cobrar. Vai perguntar o que você tá fazendo com a sua vida. Vai
dizer que é um barco e que não foi feita pra ficar no porto. Vai te
obrigar a fazer coisas das quais você vai se envergonhar porque sabe
que não são éticas, mas são muito mais fortes que você. Vai te cutucar
até você atravessar oceanos e continentes pra se sentir viva(o), pra
SER.
Uma vez, um amigo do Tuim (meu marido) chamado Luiz Carlos
Teixeira de Freitas, no lançamento de seu livro "Por que fazer
terapia?" escreveu na dedicatória algo parecido com ajudar as pessoas a
encontrarem formas mais felizes de ser e estar. Isso me impactou
profundamente. Daí, eu vi num documentário que, na cultura indígena,
eles escolhem quando partir desta vida, voluntariamente. Assim de
simples! Eles avisam à tribo que partirão naquela noite, despedem-se,
deitam-se e pronto. Eu juntei tudo isso dentro de mim, acrescentando o
fato de que meu próprio ideal de fim de vida é que quero que a morte me
encontre vendo a expressão de surpresa no rosto do meu companheiro de
toda uma vida, flagrados em pleno ato de amor, aos 90 anos de idade!
Então, saberei que vivi intensamente. Mais feliz ainda ficarei, se mais
nada ela puder me tirar senão a vida em si. Somando isso tudo, minha
missão com meu trabalho, e com tudo que realizo nesta vida, ficou
assim: Ajudar as pessoas a encontrarem formas de ser e estar mais
felizes na vida, até um dia deixarem de ser e estar, voluntariamente e
sem arrependimentos. Essa missão eu pratico diuturnamente na busca de
uma visão como a do Fábio Brotto : "Um mundo onde TODOS possam
Ven-Ser". Um vir a ser com sabor de sucesso! Não esse sucesso
estilizado que a mídia vende mas aquele que nosso coração SABE que é!
Agora
chego ao meu ponto neste texto específico. Me dói assistir à um mundo
onde as pessoas, a grande e esmagadora maioria das pessoas, está num
"emprego", num porto seguro, com medo, rotinizadas, automatizadas,
vivendo uma vida de plástico, por um salário no final do mês, à espera
de que um milagre aconteça e elas comecem a viver de verdade. Com
paixão! Algumas delas sequer sabem o que é que as apaixona. Não têm
bússola. Navegam à esmo. Estão perdidas e profundamente infelizes; aí
acham que a culpa de sua infelicidade é seu trabalho, seu casamento
porto-seguro rotinizado, mantido no piloto automático à là Chico
Buarque "todo dia ela faz tudo sempre igual...". Não é. Isso tudo é
reflexo, é consequência. Sua infelicidade está aí por causa do seu
medo. Viver com medo é viver pela metade e quem tem medo de viver já
morreu e nem sabe disso!
Sabe o que é que faz com que virar a
noite "trabalhando" não signifique absolutamente trabalho? A paixão
pelo que se faz! Quem não tem paixão pelo que faz, vê gente
completamente apaixonada, como eu, não separando vida pessoal de vida
profissional e acredita que isso é doença. Nos chamam de workaholics. Atenção! Não
nego que isso exista. A fuga de uma vida vazia pelo trabalho
compulsivo, obsessivo existe, claro que existe, mas não se pode colocar
todo mundo na mesma categoria de doença, só porque que vê em tudo uma
ligação com aquilo que faz profissionalmente. Não é verdade.
Eu
amo o que faço e tudo que me cerca me leva a conhecer melhor e a fazer
melhor o que faço. Eu largo o computador, o celular, a agenda, na hora
que eu quiser pra ver Harry Potter (adoooro) no cinema! Ou uma boa
comédia romântica (adooooro!) no DVD ou na TV. Eu vi filmes deliciosos
nos vôos de ida e volta pra Portugal. Assista "A proposta", "17 outra
vez" e "Nova na cidade". Eu te desafio a não se identificar com alguma
coisa nos personagens desses filmes. Eu encontrei centenas de links
entre eles, minha própria vida e meu trabalho no sentido de facilitar a
aquisição de consciência pelas pessoas que estão sem bússolas! Mas, nem
por isso deixei de me divertir imensamente mergulhada na história do
filme! Eu também te desafio a não rir muito com "A proposta".
Eu
passeio muito. E onde quer que eu esteja, no cinema, no sofá de casa,
no México, em Cuba, no Chile, nos EUA, em Portugal, na casa dos meus
pais ou dos meus amigos... Vejo a vida se manifestando de formas
diferentes e é com a vida que eu trabalho. É pela vida que me apaixono.
E quando eu me apaixono faço papel de boba e não me importo com isso.
Prefiro esse papel ao de arrependida. Que a morte não possa nunca me
tirar o fato de que vive aquilo em que eu acreditava da forma como
acreditava! Eu também mudo de idéia, mudo minhas crenças. Como
Juscelino kubitschek, não tenho nenhum compromisso com o erro!
Sinto
que isso não acaba se eu não decidir parar de escrever, mas o principal
já foi dito. Só falta você se perguntar se seu barco está apenas parado
no porto, isolado ou se isolando gradativamente dos outros barcos,
comendo, bebendo, dormindo e "trabalhando" pra pagar as contas do fim
do mês ou se você tem permitido que ele navegue porque foi pra isso que
ele foi construído. Já disse o poeta: Navegar é preciso, viver (esse
tipo de vida) não é preciso.
Só mais uma coisa. Se você já sabe o que é que faz seu coração acelerar e o sangue correr mais rápido nas veias, tá esperando o quê?
Inês Cozzo Olivares São Paulo, 05 de agosto de 2009