O Jogo: Porque e para quê?

O jogo ético ou a ética no jogo?
Janeiro de 2000
Eduardo Carmello
Eduardo Carmello
Qualquer jogo tem a capacidade de desenvolver e estimular o crescimento de qualquer pessoa dentro das organizações. Se bem aplicado em pessoas psicologicamente maduras, o resultado será expressivo.

Cada vez mais estamos buscando jogos que possam despertar as pessoas para um novo conceito ou uma nova forma de agir.

Os jogos devem ter a capacidade de divertir, educar e transformas as pessoas, mas o fato é que algumas vezes eles não promovem os resultados esperados. O que acontece nestes casos?

Talvez uma parcela da responsabilidade pelo resultado insatisfatório esteja em quem aplica sem a devida experiência ou sensibilidade. Conheço pessoas que lêem um livro ou fazem um treinamento, gostam do jogo e aplicam instantaneamente, quando seria oportuno observar o nível de maturidade, a resistência / flexibilidade e o contexto do grupo. E, em relação ao facilitador, sua proficiência, segurança, carisma, “timing”, expressão corporal e tom de voz. Tudo isso está interligado e um bom observador pode ler estas coisas em você como você está lendo este artigo.

Mas tenho uma outra hipótese para um jogo gerar um resultado inesperado: A falta de conhecimento do grupo que se submete ao jogo, e ela se baseia no fato de que, quando aplico um jogo, percebo que alguns compreendem o que ele queria dizer, outros não compreendem nada, e alguns ainda vão além do que o jogo solicita. E, por falar nisso, ai de você se não explicou as regras direito, porque provavelmente será sobre você que recairá qualquer “culpa”. Eu, pelo menos nunca vi ninguém dizer – “Puxa! Eu não entendi o jogo por isso não consegui responder adequadamente à ele.” As respostas geralmente são: - “Não gostei do jogo. É muito fraco. Foi mal explicado. Não era interessante”.

Por exemplo, eu aplico um mesmo jogo de alta complexidade, como resolução criativa de problemas, gerenciamento de conflito ou ISO 14001 – a linguagem para cada nível é diferente, mas o jogo em essência é o mesmo – e o nível operacional e administrativo resolve brilhantemente a situação, enquanto o gerencial tem uma performance sofrível em relação ao tema exposto. Aliás, na minha experiência com os níveis “superiores” nas empresas, é desse escalão que vêm a maioria dos comentários que citei anteriormente. E eu pergunto: De quem é o problema? De quem aplicou? Do jogo? Do tipo de treinamento?

Explicações à parte, o resultado da aplicação de um jogo pode ser ampliado quando ele agrega valor à pessoa e contribui para a relação interpessoal.

O início da solução pode estar na aplicação de um jogo ético que deverá ser a fonte de aprendizagem e desenvolvimento de um novo tipo de treinamento que está cada vez mais sintonizado com os objetivos e resultados da empresa e na ética aplicada a um jogo que tem como objetivos a transparência e a troca de conhecimentos e a promoção do encontro entre as pessoas.

COOPERAÇÃO: Um Jogo de Interdependência
Janeiro de 2000
Fábio Otuzi Brotto
Fábio Otuzi Brotto

Tudo que realizamos, incluindo a realidade em si mesma, é conseqüência de um existir com outros, “ninguém apenas existe. Todos inter-existem e co-existem”.

De fato, toda existência é uma co-existência. Desse modo, podemos dizer que a qualidade de nossas realizações, está intimamente ligada à qualidade de nossas inter-relações.
Vivemos interdependentemente ligados uns nos outros e os resultados, o placar de cada lance de nossas vidas, interdepende da nossa habilidade de viver (convivência) e produzir (cooperação) uns COM os outros, porque, tudo evolui como um Todo, como uma vasta teia de conexões.
Cooperação e Convivência são princípios do Jogo de Interdependência, no qual tudo e todos estão envolvidos.
Praticar a Convivência e Cooperação é um exercício para o cotidiano.
Neste caso, sustento a idéia de que através do Jogo, podemos vitalizar a Convivência e a Cooperação de uma forma simples, complexa, desafiadora, divertida e, fundamentalmente, inclusiva.
Tendo os Jogos Cooperativos como eixo desse processo de vitalização, destaco duas das principais - e interdependentes e paradoxais -, dimensões, que a meu ver, merecem ser continuamente abordadas: a auto-estima e o relacionamento social.
Jogando Cooperativamente somos desafiados a rever problemas com mais consciência, a buscar soluções com melhor co-opetência (competências-compartilhadas) e a despertar e valorizar o estilo de jogar uns dos outros.
Este jeito de reconhecer e compreender as diferentes possibilidades e dimensões da co-existência humana presentes no Jogo, implica no aperfeiçoamento de um complexo conjunto de habilidades, o qual denomino aqui de Habilidades de Relacionamento Cooperativo, podendo citar entre elas:

Focalizar uma Visão e Propósito Como-Um, identificando um centro de interesse comum a partir de interesses pessoais compartilhados.
Descobrir, valorizar e praticar o estilo pessoal de Ser, despertando talentos, qualidades e virtudes em si mesmo e uns nos outros.
Harmonizar crises, solucionar conflitos e superar obstáculos e dificuldades através da re-creação coletiva.
Sustentar a auto-mútua confiança, oferecendo e pedindo ajuda.
Preservar um ambiente de alegria e descontração, favorecendo a tomada de decisão e iniciativa.
Alcançar objetivos, aparentemente, impossíveis, acreditando que tudo é possível, desde que seja (im)possível para todos, sem exceção.
E celebrar os sucessos e insucessos em comum-unidade, desfrutando de todo o processo do Jogo como um instante de encontro e realização humana.

E este é, a meu ver, o necessário e preciso Exercício de Convivência, capaz de nos permitir circular harmônica e integralmente, por entre os pólos, aparentemente, opostos de nossa InterExistência cotidiana.
Por essa razão, estou propondo o desenvolvimento dos Jogos Cooperativos como um Exercício de Convivência e Cooperação, não apenas para a melhoria da qualidade de vida pessoal e, até mesmo, mundial mas, porque é essencial e vital para poder oferecer às futuras gerações o direito e o prazer de continuar jogando e vivendo uns com os outros em Comum-Unidade.
Leonardo Boff - O despertar da águia. Ed. Vozes, Petropólis, 1998, p. 18.

 
 
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